Manteiga Araponga.


Como não lembrar do personagem de José Veríssimo, no livro o Missionário, publicado em 1891, em que Macário: "O pão fresco, barrado de manteiga inglesa de barril, revelara-lhe delicias gastronômicas, de que seu paladar exigente nunca mais se saciara". 
 A manteiga especialmente a importada era consumida desde o século XIX, em grande medida na cidade. Este produto era de fato um dos mais vistos nos leilões da capital, sendo a manteiga inglesa uma das preferidas. 
A manteiga desde a primeira metade do século XIX já era encontrada no mercado na capital. Ela constituía um artigo de luxo e fazia frente a manteiga de tartaruga.Não apenas na capital, mas em todo o estado do Pará havia o consumo da manteiga importada. O viajante Bates ao fazer referência ao café servido na casa de um proprietário de condição abastada salientava que: "Depois de tomar café com broa quente e manteiga, vestiu-se e foi a missa". O referido relato é da cidade de Óbidos, do ano de 1849.
A partir do século XX, outras marcas de manteigas, em especial as nacionais, começam a ganhar espaço de consumo na cidade, sempre com seu lugar de importância. Esse era o caso da manteiga Araponga. Em 1929, temos anúncio da referida manteiga no jornal Folha do Norte, a Araponga era de origem mineira e se anunciava como a melhor.
Araponga é uma ave existente no Brasil e também no Paraguai e Argentina, produz som parecido ao de um martelo numa bigorna. O nome araponga é indígena e vem de ara (ave) e ponga (soar). Muito descrita pelos viajantes que passaram no século XIX pelo país.




No anúncio aparece uma mulher, ao que parece rindo e segurando uma lata da manteiga mineira. 
Mas, outras marcas também aparecem sendo comercializadas na cidade de Belém desde o século XIX. 
Sobre produtos e a história da alimentação em Belém ver o livro: Do que se come: uma história do abastecimento e da alimentação em Belém. 1850-1900. de MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de Macêdo. 1° ed. São Paulo: Alameda, 2014. 


Até o próximo prato!




Comentários

  1. A História da Alimentação é apaixonante! Obrigada por ter me proporcionado essa alegria...já que comecei a me interessar por esse tema assistindo um minicurso seu!

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    1. Oi, Taynara tudo bem?
      Pense em fazer o mestrado no tema, agora posso ser sua co-orientadora. Tenho certeza que será um excelente trabalho. Abs. Sidiana.

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