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O mundo das Panc na Amazônia:um resgate necessário.

No século XVI, Gabriel Soares de Sousa, relata sobre o consumo dos tubérculos de taioba: " Dão- se nesta terra outras raízes tamanhas como nozes e avelãs, que se chamam mangarás; e quando se colhem arrancam-nos debaixo da terra em touças como junção e tira-se de cada pé duzentos e trezentos juntos. As folhas destes magarás se comem cozidas com água e sal e dão a casca como tremoços, e molhados em azeite e vinagre são mui gostosos; com açúcar fazem as mulheres deles mil manjares".* Aliás, fazia-se uso das taioba doces e "as cascas serviam como uma espécie de tira-gosto, aplicações já esquecidas em nossa culinária".** Justamente, sobre essas plantas, tubérculos e legumes que como salienta Hue, são esquecidas hoje em nossa culinária que o trabalho dos Chefs não convencionais, vem buscando resgatar. 
Os grupos indígenas faziam uso em larga medida de tais plantas, o consumo da taioba inclusive, era muito apreciado, consumido apenas cozidas com sal e muita pimenta.  Meu contato com as Panc era apenas pelos relatos dos viajantes. Tudo mudou quando conheci o Bruno e o trabalho dele,  antes eu não conhecia as PANC e muito menos a importância delas, não da forma que o Bruno resgata , da forma cuidadosa e estudiosa que ele vem produzindo receitas, sabores e delícias.  
As Panc (Plantas Alimentícias Não Convencionais), nos permitem vislumbrar um mundo de possibilidades gastronômicas. Elas vão além da taioba!
Que tal um pesto de urtiga vermelha? Isso mesmo, o Bruno tem se especializado nas receitas com uso das PANC, ele é criador de uma receita de pesto de urtiga vermelha que vem ficando famosa por estas bandas e fora daqui. 
O resgate dos usos da PANC vem ocorrendo a nível nacional, no caso da Amazônia, temos espécies típicas e que estão ganhando espaço nas cozinhas dos Chefs não convencionais e o paladar das pessoas. A urtiga vermelha, a taioba e a Vitória- régia são eexemplos destas espécies. O pioneirismo de algumas receitas como o pesto de urtiga vermelha do Bruno, constituem uma porta de renovação e resgate que foi aberta para nunca mais ser fechada.

Urtiga-Vermelha. ***
Bruno Ferreira. (Fotos cedidas pelo gastrônomo Bruno Ferreira).

* Citação retirada de HUE: Sheila Moura. Delícias do descobrimento: a gastronomia brasileira no Século XVI/ Sheila Moura Hue; com a colaboração de Ângelo Augusto dos Santos e Ronaldo Menegaz. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2008. p. 76. 
**HUE: Sheila Moura. Delícias do descobrimento: a gastronomia brasileira no Século XVI/ Sheila Moura Hue; com a colaboração de Ângelo Augusto dos Santos e Ronaldo Menegaz. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2008. p. 76. 
*** Bruno Ferreira é pedagogo, Gastrônomo especialista em Práticas Gastronomicas, Coordenador do Chefs Não Convencionais e membro do Grupo de Pesquisa em História do Abastecimento e da Alimentação na Amazônia. 

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