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Regatão.

 A forma de comércio chamada de Regatão chegou ao Brasil através dos portugueses. E aqui segundo AlípioGoulart: "a transposição do vocábulo,  de Portugal para o Brasil, com o significado de vendedor ambulante de gêneros alimentícios"(1). Na pirmeira metade do século XIX, Debret registrou um comércio de Regatão no Rio de Janeiro, o qual, ele denominou de Quitandeiro de canoa. Segundo ele, "O rigor dessas leis fazia proliferar esse tipo de mascate marítimo, em geral, homens livres, que levavam de canoa todo tipo de mantimentos até os navios. Frutas e os mais variados tipos de bebidas eram vendidos aos marinheiros que, neste instantâneo de Debret, estão comprando uma bolacha e uma caneca de chá ou café" (2). As leis que o autor faz referência eram sobre a permissão do desembarque nos portos brasileiros. Foi ele também que fez essa ilustração de um vendedor de canoa, em 1828,observem que na canoa do vendedor à esquerda havia uma panela ao fogo de onde saia u...

Feliz Natal!!!

Feliz Natal!!!🌟✨️💫🙏🏽 Com a belíssima ilustração de Andrelino Cotta, pintor paraense, feito para a Revista "A Semana", no Natal de 1921.  Que seja de muita saúde,alegrias e felicidades!!! Que seja de muitas comidinhas, risos e conversas em volta da mesa.  A mesa como lugar de partilha, reflexão e muito amor. É simbólico, mas, na prática traduz quem somos e quem amamos.🍽🍴🍾 Ninguém compartilha a mesa com quem não gosta!  A mesa é lugar de intimidade, afeto e confiança.  📍Que o Natal de cada pessoa que faz parte do Dqsecome seja de sabores recheados de afeto!!!! #Daquiloquesecome #sidianamacêdo #Natal

História Global da Alimentação Portuguesa.

Ontem recebi a notícia que a obra História Global da Alimentação Portuguesa, organizada por José Eduardo Franco[Direção] e Isabel Drumond Braga [coordenação], recebeu o prêmio de literatura gastronômica da Académie Internationale de la Gastronomie. [A edição foi publicada e lançada em março deste ano em Portugal]. Quanto orgulho em ter contribuído com um capítulo sobre o Círio de Nazaré e as práticas alimentares paraense ao lado de colegas tão maravilhosos. As nossas práticas alimentares do Círio de Nazaré através do meu capítulo intitulado " Comida e fé", analisa trocas e influências na  alimentação, no Círio de Nossa Senhora de Nazaré "através" do Atlântico. O capítulo agora compõem um livro premiado e reconhecido pela Académie Internacionale de lá Gastronomie. Quanta emoção!:) Parabéns à Isabel Drumond Braga e José Eduardo Franco pela  brilhante e zelosa organização desta Coletânea. Parabéns aos colegas que c...

O Regatão.

José Alípio Goulart tem um livro que nos conta sobre o Regatão na Amazônia. Intitulado: " Regatão: mascate fluvial da Amazônia.  É um clássico para os estudiosos do tema. Mas, você sabia que a prática do Regatão vem para a Amazônia de Portugal? O Regatão tem origem em Portugal, eram vendedores ambulantes que: "percorriam as ruas acompanhados de suas azêmolas(...) paravam, pacientemente, à  porta das casas, oferecendo  suas mercadorias (...)". Vendiam "a varejo, de gêneros alimentícios".(1) E ainda, " Abasteciam-se nas fontes de produção, em pleno campo, ou nas praias dos rios, ao pé da lavoura ou à beira do pesqueiro, retornando às vilas e aldeias para o atendimento cotidiano das necessidades de bôca dos seus ansiosos clientes".(2) Haviam também aqueles que levavam pelas ruas da cidade seus produtos em suas costas, como o vendedor de hortaliça da imagem de hoje que vendia de porta em porta em Lisboa. O nome Regatão era bem antigo por lá,  ...

Petit-Bar.

Era um domingo no ano de 1926 e os moradores da "pittoresca villa do Pinheiro" poderiam ir ao Petit- Bar e degustar um saboroso menu que oferecia: "Fillet à Petit-Bar Pescada com molho Camarão á mayonaise Gallinha com repolho Gallinha ao molho pardo Fritadas diversas Fiambre Iscas á portugueza Cosido á portugueza".(1) O cardápio do Petit-Bar apresentava em seu anúncio pratos muito consumidos desde fins do século XIX, como o camarão á mayonaise e a gallinha ao molho pardo. Igualmente a presença de pratos com denominação "á portugueza", no caso, as iscas e o cosido. Apesar de não haver a oferta dos pratos tidos como tipicos. A regionalidade da cultura alimentar aparecia na sobremesa, com a compota de bacury. E ainda, "(...)queijo, goiabada, fructas nacionaes, dôces, bebidas finas e schoop bem tirado.".(2) Em minha tese eu abordo como os cardápios dos restaurantes em Belém eram mestiçados.(3)Todo este menu seria degustado ao so...

Quibebe.

E hoje vamos de Glossário da Alimentação Paraense. E a palavra de hoje é QUIBEBE. Segundo Vicente Salles, a palavra Quibebe tem origem africana e de consumo muito "tradicional no Pará,  pelo menos desde o séc. XIX".(1) Seria de etimologia "(...)mbundo bembé( jibembê, beldroegas) conservado com o artigo. Essa mesma palavra passou com o prefixo qui (no Norte) em quibembe assimilado em quibebê  por analogia da palavra beber"(2) Talvez, porque fosse possível beber ou sorver em goles o quibebe? Ou porque ele tivesse antes uma consistência mais líquida? Bem, para Nei Lopes quibebe seria um termo derivado "Do quimbundo Kibebe, caldo grosso, papa". (3) Aqui no Pará,  o quibebe era/é feito com jerimum, leite de castanha e como não poderia ser diferente: com farinha seca ou d'água. Nesse sentido, Mário Ypiranga Monteiro nos esclarece que Quibebe seria um "composto de massa de jerimum cozido e leite de gado ou de tocari (castanha) com farinha d...