Pular para o conteúdo principal

O Regatão.

José Alípio Goulart tem um livro que nos conta sobre o Regatão na Amazônia. Intitulado: "Regatão: mascate fluvial da Amazônia.  É um clássico para os estudiosos do tema. Mas, você sabia que a prática do Regatão vem para a Amazônia de Portugal? O Regatão tem origem em Portugal, eram vendedores ambulantes que: "percorriam as ruas acompanhados de suas azêmolas(...) paravam, pacientemente, à  porta das casas, oferecendo  suas mercadorias (...)". Vendiam "a varejo, de gêneros alimentícios".(1) E ainda, "Abasteciam-se nas fontes de produção, em pleno campo, ou nas praias dos rios, ao pé da lavoura ou à beira do pesqueiro, retornando às vilas e aldeias para o atendimento cotidiano das necessidades de bôca dos seus ansiosos clientes".(2) Haviam também aqueles que levavam pelas ruas da cidade seus produtos em suas costas, como o vendedor de hortaliça da imagem de hoje que vendia de porta em porta em Lisboa. O nome Regatão era bem antigo por lá,  segundo nos conta Alípio Goulart: "Regatão é palavra anciã que no século XIV já se usava. No reinado de Afonso IV, o Bravo, filho de D. Denis, o rei lavrador,  e da rainha Santa, Afonso IV, aquêle a quem Herculano chamou de "homem de juízo", desde o seu reinado, dizíamos, isto lá pelos idos só primeiro quartel dos mil e trezentos, pelos menos, já era corrente em Portugal, e com aquêle sentido, o vocábulo regatão"(3)
O Regatão era atividade voltada para o comércio de alimentos. Era atividade importante numa época que as formas de produzir, consumir e vender eram bem diferentes dos dias de hoje. 
O Regatão ao chegar no Brasil e na Amazônia passa por mudanças, em especial, devido a natureza. Mas, mantém a originalidade sobre a "venda de alimentos".
.
.
.
💬 E Continua...
.
.
.
📚✍🏽 Referências.
🛎O conteúdo deste blog está protegido pela lei n° 9.610 datada de 19-02-1998.
Ao utilizá-los, não se esqueça de dar os créditos.
📸 Arquivo Municipal de Lisboa.
Vendedor de hortaliça (costumes) Lisboa. M.F. n°71. [S/d]
(1)(2)José Alípio Goulart. O Regatão:mascate fluvial da Amazônia.  Coleção terra dos papagaios. Ed. Conquista. Rio de Janeiro. 1968. p, 19;20.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Mestre Martinho- Arraial.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também em outras festividades, os arraiais, faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o arraial de Mestre Martinho, no Umarizal,  cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado...

Pirarucu Frito...

Olá, leitores! Dos nossos sabores regionais o Pirarucu é um dos mais deliciosos e de um paladar bem singular. É gostoso frito com uma boa tigela de açaí. Mais o açaí paraense sem açúcar e com uma farinha bem torrada pra acompanhar. Foi assim que fiz aqui em casa outro dia e não deu pra quem quis. Fiz com uma dicas da minha enteada e ficou uma delícia.  O Pirarucu é um dos maiores peixes de água doce fluviais do Brasil. Pode atingir três metros e seu peso pode ir até 200 Kg. É um peixe que é encontrado geralmente na bacia Amazônica, mais especificamente nas áreas de várzea, onde as águas são mais calmas. Segundo a mitologia o Pirarucu era um peixe cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder. Certo dia, ele executou sem motivo índios de uma aldeia vizinha. Como castigo Tupã, o deus dos deuses mandou um relâmpago que acertou o coração do guerreiro. Seu corpo ainda vivo foi levado as profundezas do rio Tocantins e de lá transformou-se num peixe gigante e es...