Pular para o conteúdo principal

A fartura como sinal de poder...

Olá, leitores!
Estou ainda lendo o livro de Queleier sobre a gula e a cada página novos conhecimentos são adicionados, muito me interessou uma análise que ele faz sobre a fartura como sinal de prestígio social e poder no mundo de outrora. Vivemos num mundo da magreza absoluta...e está associada a saúde, boa vida sendo a receita para um corpo são não é a mente sã como diziam os gregos, mais estar magro...A beleza gira em torno disso, os programas de TV, matérias em sites, as novelas...o boom agora é comer bem, sem gorduras e assim viver feliz. Quem não se encaixa no perfil imposto pela sociedade não é feliz!!!
Não estou aqui fazendo apologia à comida gordurosa como sinal de felicidade... mais uma coisa temos que concorda muitas comidinhas do passado são de dar água na boca!?
Segundo o autor, na Idade Média a gordura era um sinal de poder social e prestígio, tanto que utilizava-se o termo Table Grasse ou seja mesa gorda para referir-se a riqueza e poder de uma pessoa, uma mesa ricamente cheia trazia mais felicidade, quanto mais robusta era uma pessoa mais feliz está deveria ser, nestas épocas a comida era associada a felicidade. Bem diferente de hoje, quando comer uma panela de brigadeiro é sinal de infelicidade e depressão. Afinal, quem estaria certo os homens do passado ou nós!? Quem nunca se imaginou perdido na floresta achando uma casa de doces feito João e Maria? Acredito que é possível ter um meio termo é possivel comer de tudo, só que com moderação.
Para saber mais é só ler o livro de Queleier, Florent. Gula:história de um pecado capital. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2011.
Até o próximo prato!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...

Peixe-boi.

O consumo da carne do peixe-boi era muito importante na composição da dieta alimentar da região amazônica. Segundo Francisco Xavier Sampaio, no século XVIII, a carne de peixe-boi era apreciada, “principalmente a do ventre”, por ser “gostosíssima”. Dessa carne se faziam “chouriços com as próprias tripas”. Conforme deixou registrado em seu Diário da viagem da Capitania do Rio Negro, ainda que tivesse “o nome de peixe, tem mais gosto, e aparência, de carne”.(1) Ambrósio Fernandes Brandão, por sua vez, ressaltava a variedade do consumo da carne de peixe-boi em diversos pratos, inclusive como picados e almôndegas. Segundo Brandão: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca sem haver nenhuma diferença de uma cousa ou outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, ...