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Peixe-boi.

O consumo da carne do peixe-boi era muito importante na composição da dieta alimentar da região amazônica. Segundo Francisco Xavier Sampaio, no século XVIII, a carne de peixe-boi era apreciada, “principalmente a do ventre”, por ser “gostosíssima”. Dessa carne se faziam “chouriços com as próprias tripas”. Conforme deixou registrado em seu Diário da viagem da Capitania do Rio Negro, ainda que tivesse “o nome de peixe, tem mais gosto, e aparência, de carne”.(1) Ambrósio Fernandes Brandão, por sua vez, ressaltava a variedade do consumo da carne de peixe-boi em diversos pratos, inclusive como picados e almôndegas. Segundo Brandão: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca sem haver nenhuma diferença de uma cousa ou outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, e se faz dele picados e almôndegas, com aproveitamento para tudo o de que se usa da carne da vaca". (2) No século XIX, o pastor metodista Daniel Kidder dava notícia “tanto da gordura”, como da “carne desse mamífero” que eram “muito apreciadas”.796 Assim, o peixe-boi sempre teve papel de destaque na alimentação em toda a região da Amazônia.(3) (4). Ao longo dessa semana, nosso encontro será com o peixe-boi, o Manatus inunguis. Vamos?
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Referências.
📸 Ferreira, Alexandre Rodrigues. Viagem Filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. 1783-1792. V.1.
In: http://bdor.sibi.ufrj.br/handle/doc/457.
(1)SAMPAIO, Francisco Xavier Ribeiro. Diário da viagem da Capitania do Rio Negro (1774-
1775). Lisboa: Tipografia da Academia de Lisboa, 1825, p. 53.
(2) BRANDÃO, op. cit., p. 258.
(3)KIDDER, Daniel P. Reminiscências de viagens e permanência no Brasil. Editora da
Universidade de São Paulo: São Paulo, 1972, p. 182.(4) MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de. A Cozinha Mestiça uma história da Alimentação em Belém fins do século XIX. Programa de Pós graduação em História social da Amazônia. UFPA. 2016.

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