Pular para o conteúdo principal

O pão e o Ano Novo.

E o Pão? Qual a relação com o Ano Novo? Neste caso os pães bentos consumidos na passagem do ano ganham importância nas casas. O pão desde a Antiguidade tem um significado simbólico imenso. É considerado sagrado aos cristãos. Como nos diz Souto maior não se pode " atirar o Pão fora, deixá-lo cair propositadamente, não o erguer, benzendo-se com ele, símbolo da vida e guarda so espírito de Deus na hóstia. Quando ele cai da mão, inadvertidamente, alguém da família está passando necessidade (...)".(1) O pão em diversas culturas é considerado um alimento da vida, que deve ser respeitado. Muitos contos antigos tem como figura central o pão. A Bíblia nos mostra como o pão ganha importância simbólica. "O milagre dos peixes e pães", "A ultima Ceia" são momentos em que o pão é associado a vida e a fartura. Como nos ponta o historiador Jacob, Cristo "ao proferir a oração do pai-nosso, havia pedido ao Pai "o pão nosso de cada dia", e naturalmente também porque na última ceia havia dito, pegando o pão: "Tomai e comei! Este é meu corpo!". (2). Tão importante era essa relação que na missa a cena do "Tomai e comei" era reproduzida cotidianamente. Essa associação ao longo do tempo fez do pão um alimento considerado sagrado. O pão já foi utiizado como parte do soldo como nos aponta Souto Maior "Em 1513, um alvará de 13 de março, estabelecendo os vencimentos anuais de cada vereador da Câmara de Lisboa, concedia, além dos vinte mil réis em dinheiro, dez miolos de pão meiado".(3)
E no Ano novo? Os pães que restavam do Natal e Ano Novo eram associados a fartura e a boa saúde. "Os antigos germânicos tinham o costume de usar migalhas que sobravam do "pão de Natal e Ano Novo" como remédios das 'doenças frenéticas ". E ainda, "O pão de Santo Antônio que se benze no dia do Santo (17 de janeiro) é uma reminiscência dos pães de Natal e Ano Novo".(4). 
.
.
.
E você tem o hábito de guardar no pote de farinha o Pão de Santo Antônio? Ou da virada do Ano? 


Referências. 
📸 🎨 MELÉNDEZ, Luis Egidio. Bodegón com cantarilla, pan y cesta con objetos. Óleo sobre lienzo, 1760. https://www.museodelprado.es/coleccion/obra-de-arte/bodegon-pan-granadas-higos-y-objetos/dab7769d-e01b-4d97-a720-4cae34b8398d 🔖Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar.(1) Souto Maior, Mário. Alimentação e Folclore. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2004. p. 228. 
(2)Jacob,Heinrich. Seis mil anos de Pão. Trad: José M. Justo. São Paulo: Nova Alexandria, 2003.p. 229. (3) (4)Souto Maior, Mário. Alimentação e Folclore. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2004. p. 232; 234. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Mestre Martinho- Arraial.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também em outras festividades, os arraiais, faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o arraial de Mestre Martinho, no Umarizal,  cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado...

Pirarucu Frito...

Olá, leitores! Dos nossos sabores regionais o Pirarucu é um dos mais deliciosos e de um paladar bem singular. É gostoso frito com uma boa tigela de açaí. Mais o açaí paraense sem açúcar e com uma farinha bem torrada pra acompanhar. Foi assim que fiz aqui em casa outro dia e não deu pra quem quis. Fiz com uma dicas da minha enteada e ficou uma delícia.  O Pirarucu é um dos maiores peixes de água doce fluviais do Brasil. Pode atingir três metros e seu peso pode ir até 200 Kg. É um peixe que é encontrado geralmente na bacia Amazônica, mais especificamente nas áreas de várzea, onde as águas são mais calmas. Segundo a mitologia o Pirarucu era um peixe cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder. Certo dia, ele executou sem motivo índios de uma aldeia vizinha. Como castigo Tupã, o deus dos deuses mandou um relâmpago que acertou o coração do guerreiro. Seu corpo ainda vivo foi levado as profundezas do rio Tocantins e de lá transformou-se num peixe gigante e es...