Pular para o conteúdo principal

Bolo de Macaxeira


Bolo de Macaxeira.


Quem não ama um bolo?
E quando este bolo tem gostinho de mês junino? 
A receita de hoje é sobre o bolo de macaxeira, tão famoso no Norte de Brasil, que é tema de contos e e das conversas ao pé da porta nas tardes quentes do século XIX. 
O bolo de Macaxeira, que inclusive virou tema de um conto do escritor Jacques Flores. Coo não lembrar do conto intitulado O Bolo de NATAL da Família Malagueta? Ora, aqui a cena principal era um bolo de macaxeira feito pelas personagens Tereza Malagueta, a Tete, e sua prima Felismina do Rosário, a Filóca, que haviam feito um bolo de macaxeira para o Natal da família e seu aborrecimento ao notarem que o bolo "estava com gosto de querosene".¹
Pior ficaram quando notaram que a culpa de tudo era de Pulchéria que "lixara a forma de bolo e, para melhor ficar a limpeza, untou-a de querosene, esuqecendo-se porém, de tirar o inflamável líquido com uma forte lavagem de sabão".²
As primas então, resolveram convidar as "inimigas"para virem tomar um "uma chavena de água quente e comer um pedaço de pão".³
Serviram o bolo numa espécie de vingança com sabores, como o bolo estava bonito e atraente todos na sala esperavam ansiosos para degustar o tão bonito bolo de macaxeira das Malaguetas. 
Sobre o final do conto, receio que vocês desejam saber...
Mas, sugiro irem a fonte original que é uma leitura animadora e feliz, quanto a mim posso dizer que houve um "bufo desenrolado em torno do hediondo bolo de macaxeira..."4
Com esse conto maravilhoso eu trago uma receita da minha família de Bolo de Macaxeira para quem quiser fazer em casa, esse não tem forma untada com querosene e sim com manteiga o que garante o sucesso da receita. 
¹FLORES, Jacques. Obras escolhidas de Jacques Flores. Belém: CEJUP, 1993. p. 162. 
²FLORES, Jacques. Obras escolhidas de Jacques Flores. Belém: CEJUP, 1993. p. 162. 
³FLORES, Jacques. Obras escolhidas de Jacques Flores. Belém: CEJUP, 1993. p. 163.
4FLORES, Jacques. Obras escolhidas de Jacques Flores. Belém: CEJUP, 1993. p. 165.


Bolo de Macaxeira. 
Ingredientes: 
1 kg de macaxeira ralada.
3 colheres de manteiga.
2 xícaras de açúcar.
3 ovos.
1 xícara de leite.
2 colheres de chá de fermento em pó. 

Modo de fazer: passo-a-passo: 
1. Coloque a macaxeira ralada num pano de prato e esprema bem até sair o sumo.
2. Numa tigela grande esfarele a macaxeira. Misture a manteiga, açúcar, ovos, o leite r por ultimo o fermento.Mexa bem. 
3. Leve ao forno numa forma untada com MANTEIGA, por 40 minutos. Sirva com uma xícara de café bem fumegante. 
O bolo que virou conto...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

É CARNAVAL.

Na pintura de Debret temos uma imagem do Carnaval  ou como era chamado no século XIX, de Dia d'entrudo. O dia d'entrudo que começava no domingo e seguia-se nos três dias gordos, era dia de festa em que os brincantes se jogavam "limões "cheios de água perfumada. A cena se passava no Rio de Janeiro, no ano de 1823. Segundo Debret: " O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...