Pular para o conteúdo principal

Queijos do Ceará.

Em 13 de julho de 1910, Costa Prado & Companhia, localizado na travessa Fructuoso Guimarães, número 10, oferecia Queijos do Ceará Coalha e manteiga. Produtos vindos de outros estados eram comuns na praça comercial de Belém. Encontrava-se em Belém também os sabores de outros estados, o que ratifica a importância das trocas alimentares por parte de grupos oriundos de outros estados brasileiros na cidade de Belém. Assim, era possível encontrar na Avenida Independência a “presença de guloseimas de feitura nordestina, manipuladas ninguém sabia por quem, lá para os lados de ‘Canudos’, então quase circunscrito à sua avenida ‘Ceará’”.(1) Ou ainda, os “queijos do Ceará no pão com café grande com leite que custava mil e duzentos réis”.(2) Do Nordeste, aliás, vinham sempre os doces: em 13 de março de 1918 vieram de Pernambuco 6 volumes de confeitos e 3 volumes de doces.1192Um ano depois em 10 de janeiro de 1919, Maia & Companhia receberam no vapor Brasil 500 kilos de especial qualidade dos queijos do Ceará.(3) Igualmente em 15 de março de 1919, na Casa Sport se tinha para venda “Manga rosa de Pernambuco, laranjas da Bahia: requeijão, queijos de Minas, Rio da Prata”.(4) As influências também nos possibilitam entender como a cidade de Belém era um porto cosmopolita desde fins do século XIX.

📸 Folha do Norte. 13 de julho de 1910.
🔖 Sobre o assunto ver mais:
MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de . Manteiga inglesa, bacalhau português, ... Os produtos importados e seu consumo em Belém na 2 metade do XIX.. História e-História , v. julho, p. 13/07/10, 2010.
📌MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de. A Cozinha Mestiça uma história da Alimentação em Belém fins do século XIX. Programa de Pós graduação em História social da Amazônia. UFPA. 2016.
(1) De Campos Ribeiro. Gostosa Belém de Outrora. Belém: Editora da Universidade Federal do Pará, 1966, p. 121.
(2) DE CAMPOS RIBEIRO, op. cit., p. 122.
(3)Folha do Norte, 13 de março de 1918, p. 07. (4) Folha do Norte, 10 de janeiro de 1919, p. 07.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Mestre Martinho- Arraial.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também em outras festividades, os arraiais, faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o arraial de Mestre Martinho, no Umarizal,  cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado...

Pirarucu Frito...

Olá, leitores! Dos nossos sabores regionais o Pirarucu é um dos mais deliciosos e de um paladar bem singular. É gostoso frito com uma boa tigela de açaí. Mais o açaí paraense sem açúcar e com uma farinha bem torrada pra acompanhar. Foi assim que fiz aqui em casa outro dia e não deu pra quem quis. Fiz com uma dicas da minha enteada e ficou uma delícia.  O Pirarucu é um dos maiores peixes de água doce fluviais do Brasil. Pode atingir três metros e seu peso pode ir até 200 Kg. É um peixe que é encontrado geralmente na bacia Amazônica, mais especificamente nas áreas de várzea, onde as águas são mais calmas. Segundo a mitologia o Pirarucu era um peixe cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder. Certo dia, ele executou sem motivo índios de uma aldeia vizinha. Como castigo Tupã, o deus dos deuses mandou um relâmpago que acertou o coração do guerreiro. Seu corpo ainda vivo foi levado as profundezas do rio Tocantins e de lá transformou-se num peixe gigante e es...