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Quitandeiras vendedoras de angu.


Na aquarela de Debret, que retrata "negras cozinheiras vendedoras de angu", do ano de 1826, no Rio de Janeiro, nos permite adentrar não apenas nos ofícios destas mulheres escravas e livres ems ua maioria mas também perceber as influências dos hábitos alimentares africanos na alimentação ao longo do Brasil. Segundo Vicente Salles, o Angu era uma "massa feita de fubá de milho ou de mandioca" (1) prato introduzido no Brasil pelos africanos, especialmente os Bantos, da ilha dw S. Tomé. O angu era bastante consumido no Pará. Hoje a descrição desta imagem ficará por conta do próprio pintor, Debret nos diz que: "Escolhi por cenário a praia do mercado do peixe(Praia do Peixe): muito frequentada e ainda próxima da alfândega. Ao fundo, desponta a Ilha das Cobras (...) São sete horas da manhã: hora da prova de fogo das vendedoras de angu. (...) As duas negras vistas acampadas ao abrigo de seus xales estendidos sobre varas servem nesse momento, aqueles de maior apetite (...) Do outro lado, ao mesmo plano, uma das vendedoras de tomates, habituais do mercado do peixe, de xale à cabeça e colher na mão, come (...) sentada sobre sua pequena banqueta. Quanto às cozinheiras, aquela cujo negro acaba de diluir a farinha de mandioca, parece ser de nação Conga, a julgar pela cabeça raspada (...) enquanto a outra, de origem mais distinta e de maior fortuna, ostenta o luxo de um turbante branco". (2) Seria a segunda a dona da quitanda? Notem a fila de pessoas que aguardavam ser servidos, nas duas grandes panelas com fogo acesso o angu era servido pela quitandeira que aos olhos de Debret era a que ostentava maior fortuna. A movimentação de gentes as 7 horas da manhã revela a dinâmica dos mercados e feiras no século XIX. É uma imagem que diz muito sobre os africanos no cotidiano do Brasil oitocentista.
🎨 Négresses cuisinières marchandes d'angou. Aquarela sobre papel; 16,2×22,4 cm; J. B. Debret, Rio de Janeiro, 1826. In: Bandeira, Julio e Pedro Corrêa do Lago. Debret e o Brasil. Obra completa 1816-1831. Ed. Capivara, 2013. P. 196. 🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar. (1) Vicente Salles. Vocabulário crioulo(...)Belém: IAP, PRograma Raízes, 2003. P. 54. (2) Debret, Viagem Pitoresca ao Brasil. SP, livraria Martins, 1940. 

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