Pular para o conteúdo principal

Filme: Soul Food.



O filme conta a história de Mama Joe, sua família e como ela mantém a família unida por 40 anos em torno do jantar de domingo, com comidas soul food. Mama Joe fica doente e precisa ser hospitalizada o que leva ao "fim" dos jantares e o afloramento das tensões familiares, levando ao afastamento das três filhas de Mama Joe. A situação leva o neto Ahmad elabora um esquema para unir a familia novamente e tal união perpassa as relações com o mundo da alimentação e suas práticas. Uma dos pontos de análise bem legal deste filme é a presença da comida Soul Food, essa cozinha de culinária étnica de origem afro-americana do sul dos Estados Unidos. O título do filme inclusive, "Alimento da alma" é parte do termo originado nos anos de 1960 junto ao movimento Black Power . A comida que lembra a família, aconchego e lar, assim como a comida de Mama Joe. Os restaurantes de comida soul, em grande medida eram propriedades de negros onde as pessoas iam para socializar e através da comida estar entre o seu povo e sua cultura, tal como Mama Joe fazia nos jantares na sua casa, em torno de uma mesa com comida soul food e seus familiares. Peter Fry, ao analisar a feijoada nos colocava que: “(...) em Nova York, decidi oferecer a meus amigos um prato brasileiro típico. Com muita dificuldade consegui encontrar feijão-preto, costeletas de porco defumadas, couve e demais pertences e assim pude preparar uma feijoada, que servi com a devida pompa. Foi aí que um de meus amigos (...) do Alabama, depois de ter cuidadosamente olhado e cheirado a travessa, destruiu todo o suspense observando que se tratava simplesmente da comida à qual estava acostumado desde criança. O que é, no Brasil, um prato nacional é, nos Estados Unidos, soul food” (1) No soul food, a comida está associada ao alimento que alimenta a alma, são ingredientes comuns: feijões diversos como feijão-frade, peixes fritos, as várias partes do porco, inclusive os miúdos, conservas e o joelho, papas de milho, torresmos, bacon, pimentas,diversas hortaliças entre outras. Eu sempre acho que um tour gastronômico imperdível nos Estados Unidos, abarcaria a cozinha sulista, tal como a mesa de Mama Joe. E você?
.
.
.
É um filme encantador! 
.
.
.
Referências. 
📽 Soul Food. Data de lançamento: 26 de setembro de 1997 (EUA). Diretor: George Tillman, Jr.Canção original: A Song for Mama
Roteiro: George Tillman, Jr. Produção: Tracey Edmonds, Robert Teitel. 🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar. 
(1) FRY, Peter. “Feijoada e “Soul Food”: notas sobre a manipulação de símbolos étnicos e nacionais”. In: Para Inglês Ver – identidade e política na cultura brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 1982. p. 47. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...

Peixe-boi.

O consumo da carne do peixe-boi era muito importante na composição da dieta alimentar da região amazônica. Segundo Francisco Xavier Sampaio, no século XVIII, a carne de peixe-boi era apreciada, “principalmente a do ventre”, por ser “gostosíssima”. Dessa carne se faziam “chouriços com as próprias tripas”. Conforme deixou registrado em seu Diário da viagem da Capitania do Rio Negro, ainda que tivesse “o nome de peixe, tem mais gosto, e aparência, de carne”.(1) Ambrósio Fernandes Brandão, por sua vez, ressaltava a variedade do consumo da carne de peixe-boi em diversos pratos, inclusive como picados e almôndegas. Segundo Brandão: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca sem haver nenhuma diferença de uma cousa ou outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, ...