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Farinha de mandioca no Ceará.

Eu sou apaixonada pelo romance O Quinze, de Rachel de Queiroz, sempre esteve nos meus planos conhecer o "Não me Deixes", sítio de Rachel em Quixada e que tanto fez parte da vida da autora. A Cozinha do "Não me deixes" permeia a minha imaginação. Essa visita está no meu roteiro de viagens pelo Nordeste junto com Quixada. O Quinze fala muito de um Nordeste que sofria com a seca no ano de 1915, o livro, um dos mais populares de Rachel, possibilita visualizar muito das práticas alimentares da região. O nome do livro faz referência a seca de 1915, a qual Rachel vivênciou em sua infância. A primeira edição data de 1930. Pois bem, nestas práticas alimentares está justamente o consumo da farinha de mandioca e a existência das Casas de Farinha também. Lembremos da narrativa de Rachel quando nos diz sobre a familia do Vaqueiro Chico Bento que:"Na primeira noite, arrancharam-se numa tapera que apareceu junto da estrada, como um pouso que uma alma caridosa houvesse armado ali para os retirantes.O vaqueiro foi aos alforjes e veio com uma manta de carne de bode, seca, e um saco cheio de farinha, com quartos de rapadura dentro.Já as mulheres tinham improvisado uma trempe e acendiam o fogo. E a carne foi assada sobre as brasas, chiando e estalando o sal (...) Sem se importarem com o sal, os meninos metiam as mãos na farinha, rasgavam lascas de carne, que engoliam, lambendo os dedos (...) Os meninos, passado o furor do apetite, exigiam com força o que beber; gemiam, pigarreavam, engoliam mais farinha, ou lambiam algum taco de rapadura, entretendo com o doce a garganta sedenta. (1) George Gardner, em 1838, na região entre Aracati e Icó, no Ceará relatava que: " planta-se mandioca, de cuja raiz fazem uma espécie de farinha grosseira, muito conhecida em todo Brasil e que é,  com a carne-seca, o forte da alimentação do povo". (2)O relato de Gardner veem de encontro a narrativa de Queiroz e ambos nos permitem entender que o consumo da farinha de mandioca como alimento cotidiano acontecia em  todo o Brasil. Na fotografia, temos uma casa de farinha em Fortim, no Ceará, no ano de 1952. 
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📚✍🏽 Referências. 
📸  Casa de Farinha em Fortim, Ceará. ID: 10332; Código de Localidade: 230445
Autor: Jablonsky, Tibor; Santos, Lindalvo Bezerra dos. Ano: jun. 1952. In: 
https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=410332 
(1) Raquel de Queiroz. O Quinze. José Olympio Editora. 93° ed. Rio de Janeiro, 2012, p. 34.  Digitalizado pela Le Livros. 
(2) Gardner, George. Viagem ao interior do Brasil, São Paulo,  EDUSP/BELO HORIZONTE,  Itatiaia, 1975. p. 85. 


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