Pular para o conteúdo principal

Aluá.

Vicente Salles, tem um livro fundamental a meu ver sobre palavras de origem africana ao falar amazônico. Acho fundamental especialmente porque nós possibilita entender o mundo da alimentação também. Serafim da Silva Neto nos dizia que "A língua é um produto social, é uma atividade do espírito humano". (1)O livro intitulado Vocabulário Crioulo:contribuição do negro ao falar regional amazônico. É uma obra fantástica. Então hoje vamos começar nossa semana de Textos e estudos com a série de Glossário Paraense. E a palavra é...
"Aluá, Bebida feita de milho verde, temperado com gengibre e adoçado com rapadura. A composição varia, mas o refresco é, de qualquer forma, apetecido geralmente nas quadras juninas".(2) E ainda, " Há também o A. de macaxeira, indicado por M.Y. Monteiro: " Apesar de costumeiramente fazer-se aluá de milhões de abacaxi,  tratamos aqui da bebida feita de farinha de mandioca ou de macaxeira, posta de molho nágua para fermentar durante sete dias, quando se adoça com açúcar mascado ou caldo de cana e erva-doce". (3)  Segundo Obenga "a notícia da existência de um cerveja de milho fabricada no Reino do Congo no Séc. XVIII, e que era conhecida sob os nomes de vuallo e ovallo". (4)
.
.
.
✍🏽📚 Referências. 
📸 A. MENDES, Apud. (1942:20) p. 52.
(1) (2) Salles, Vicente. Vocabulário crioulo: contribuição do Negro ao falar regional amazônico. Belém:IAP, Programa Raízes, 2003.p. 51.
(3) Apud, (1963: 56), p. 52.
(4) Apud, (1985: 34-35), p. 53. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

É CARNAVAL.

Na pintura de Debret temos uma imagem do Carnaval  ou como era chamado no século XIX, de Dia d'entrudo. O dia d'entrudo que começava no domingo e seguia-se nos três dias gordos, era dia de festa em que os brincantes se jogavam "limões "cheios de água perfumada. A cena se passava no Rio de Janeiro, no ano de 1823. Segundo Debret: " O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...