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Peru no Natal?

O belíssimo Peru tão pomposo que aparece num cartão postal de Ação de Graças e que foi encontrado nos papéis de Percy William Townsend, datado de 1911, está disponível nos arquivos do @bedsarchives. O bedfordshire Archives, é  o serviço de arquivos do condado de Bedfordshire, na Inglaterra.
A ave que representa a "Ceia de Natal" em diversos lugares do mundo tem uma longa história até essa representação simbólica. Gostaria de dizer uma ou duas "palavras" sobre o Peru na Ceia de Natal. Para que juntos possamos refletir sobre tais questões. Você sabia que a origem do Peru é americana e não europeia? Então, o peru é uma ave americana que era consumida pelos astecas especialmente na festa do Deus Sol. Carlos Roberto Antunes dos Santos [Um dos pioneiros do estudo da alimentação no Brasil] em seu texto "História do peru na ceia de Natal" nos conta um pouco desta história: os astecas, "(...) se alimentavam de animais possíveis de serem encontrados nos seus domínios: os cães e os perus. Os perus eram criados pelos índios, atividade bastante antiga, com clima propício para a prosperidade desta criação. Geralmente os astecas cozinhavam o peru acompanhado de cebola, alho-poró e molho à base de pimenta vermelha".(1)
A ave somente se torna conhecida pelos espanhóis no século XVI: "Em 1518, quando do início do contato entre os índios e espanhóis no processo colonizador do México, F. Cortez tomou conhecimento do peru como ave para alimentação exposta no mercado de Tenochtitlán, capital asteca, trazendo, após, alguns exemplares para a Europa".(2) O Peru passa a ser consumido na Europa, em colégios jesuítas, e ganha uma grande adesão na Inglaterra, que "tomou conhecimento da ave em 1525, sendo que rapidamente constituiu-se no prato principal da ceia de natal entre alguns países europeus, e somente após na América do Norte". (3) Ainda no século XVI, o Peru, que passou a ser chamado de "galinha-da-Índia" [Pois ainda se acreditava que a América era Índia] já era criado em terras européias, segundo Flandrin e Montanari: "Um contrato detalhado entre Marguerite dAngoulême e um de seus arrendatários de Navarra nos mostra, no mesmo ano, [1534] que já se criavam perus. Em 1549, num banquete oferecido à rainha Catarina de Médicis no bispado de Paris, serviram-se 70 'galinhas da Índia' a 20 soldos, e 7 'galos da Índia', a 30 soldos".(4)
Nesse sentido, "(...) o peru não teve problemas de aceitação, pois era ao mesmo tempo grande, decorativo e de excelente gosto, tanto na opinião das pessoas do século XVI como na nossa".(5)
A introdução do Peru na ceia de Natal tanto na Europa, quanto no Brasil, está atrelado à ideia de fartura, já que a ave era grande e muito saborosa e ganha espaço no século XIX. Mas, o seu uso também perpassa questões de distinção social. que era posta na mesa na noite de Natal. Quem trinchava o Peru era o "chefe" da casa, os pedaços do Peru cobiçados eram ofertados para as pessoas tidas como mais importantes, num ritual que tanto aqui quanto na Europa tornava-se cada vez mais utilizado pela famílias no jantar de Natal.
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📚✍️🏽 Referências.
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🖼 Peru, Cartão Postal de Ação de Graças, 1911. Imagem faz parte do acervo do  @bedsarchives. 🔖 qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar. Uso Educacional.
(1)(2)(3)História do peru na ceia de Natal
Autor: Prof. Carlos Roberto Antunes dos Santos – UFPR
Publicado em: Gazeta do Povo, 24 de dezembro de 2004. In:
http://www.historiadaalimentacao.ufpr.br/artigos/artigos.html
(4)(5) Flandrin e Massimo Montanari ; [tradução de Luciano Vieira Machado e
Guilherme J. F. Teixeira]. — São Paulo : Estação Liberdade, 1998. p, 413.




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