Pular para o conteúdo principal

Livro da Tia Evelina, de 1948.

Belém, 04 de fevereiro de 2019.
Comecei a semana com desafio no instagram do blog, @daquiloquesecome! 
O desafio consiste em fazer, experimentar e compartilhar com vocês as receitas de um livro de cozinha publicado em 1948, pela editora José Olympio, no Brasil. 

Livro Tia Eveline.

Os livros de receitas são tão antigos quanto a arte de cozinhar. Existem livros datados do século XIV. Eles são excelentes fontes históricas, porque possibilitam visualizar os hábitos e costumes alimentares da sociedade, na qual, ele foi produzido.
Nos possibilitam leituras diversas e variadas não apenas do que se comiam e do seu fazer,  mas, os produtos, hábitos à mesa e pra quem eram destinado tais livros. Os primeiros livros nascem nas cortes, em torno da vida palaciana. Eram restritos à uma nobreza específica.
Livro "As receitas da Tia Evelina", publicado no Brasil em 1948.



Publicação da José Olympio. 


Início a semana com um desafio de fazer, experimentar e comentar com vocês as receitas do livro "As receitas da tia Eveline", livro publicado no Brasil em 1948, numa realidade bem diferente da nossa, naquela época não havia facilidades da internet. Então, os livros eram fundamentais para quem desejava cozinhar. Por isso também eram tão grandes.
Em 1948, o livro já contava com sua 5° edição, oque demonstra que era um livro muito bem vendido, ao que parece a primeira edição foi em 1937. Ou seja, deveria ser um livro bem procurado e vendido.
O livro da tia Evelina, tem cerca de 500 é tantas páginas, eram geralmente em capa dura e traziam receitas variadas doces e salgadas bem como cardápios de almoço e receitas pra jejum da Quaresma.
O livro foi publicado pela famosa editora do Rio de Janeiro a José Olympio, editora responsável pela publicação de clássicos da nossa literatura como o livro "O Quinze" de Rachel de Queiroz. 


Essa edição, pertenceu a Dona Leonor Fonseca. 
Aqui deixo registrado meu agradecimento a Família de Dona Leonor Foneca, em nome de sua neta Barbara Fonseca, que gentilmente me cedeu este exemplar para que eu pudesse fotografar e fazer uso, já que consta de uma edição antiga e que requer cuidados. Dona Leonor, onde estiver quero deixar meu agradecimento.  

Propaganda da Farinha Maria. 
Este livro, fazia uso da imagem de uma mulher a "Tia Evelina" que dedicava o livro "as suas sobrinhas", talvez numa maneira de se aproximar da leitora, era um livro destinado as dona de casa, inclusive, começava com uma "Receita da Felicidade Conjugal", naquela época tais livros eram destinados as mulheres que não trabalhavam fora e que portanto, viviam para cuidar da casa e dos filhos. Era um momento que surgem no mercado livros que ensinavam a "boa dona de casa" os segredos da cozinha. Consta de mais de 500 receitas, que iam desde carne, sopa e sobremesas até mesmo dicas de cardápios completos para almoços e ou jantares. 
Então, a partir de hoje vamos adentrar o mundo de receitas da Tia Evelina. Tenho certeza que será uma prazerosa viagem! 

Eu amo os livros de receitas!
E vocês? Vamos embarcar juntos nessa aventura de sabores que compunham as mesas dos brasileiros na década de 40, do século XX.
Acendam seu forno, preparem as panelas e ingredientes e vamos lá!
"A meta será realizar todas as receitas do livro da tia Evelina"!

Até o próximo prato!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...

Peixe-boi.

O consumo da carne do peixe-boi era muito importante na composição da dieta alimentar da região amazônica. Segundo Francisco Xavier Sampaio, no século XVIII, a carne de peixe-boi era apreciada, “principalmente a do ventre”, por ser “gostosíssima”. Dessa carne se faziam “chouriços com as próprias tripas”. Conforme deixou registrado em seu Diário da viagem da Capitania do Rio Negro, ainda que tivesse “o nome de peixe, tem mais gosto, e aparência, de carne”.(1) Ambrósio Fernandes Brandão, por sua vez, ressaltava a variedade do consumo da carne de peixe-boi em diversos pratos, inclusive como picados e almôndegas. Segundo Brandão: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca sem haver nenhuma diferença de uma cousa ou outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, ...