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A baixela do caboclo.

No quadro A baixela do caboclo do pintor português E. P. Macedo que fez parte do I Salão de Artes Plásticas da Universidade do Pará, do ano de 1963. Na cena do pintor, dois itens chamam nossa atenção: a cuia de farinha e o peixe. Aparecem ainda um jarro de água e uma abóbora. A cena reflete a imagem de uma mesa do caboclo amazônico onde a relação com o espaço (território) definiu em grande medida os alimentos e os hábitos alimentares. A imagem também nos permite pensar como a comida, no Pará, com forte origem indígena, tem relações com o espaço (território) Assim, trata-se de pensar como o território com suas possibilidades e dificuldades para o acesso aos alimentos se vincula à construção de um cardápio alimentar, elegeu alguns alimentos como fundamentais na dieta local, a exemplo do peixe e da farinha. Seria o que Montanari chama de “cozinha de território”, ou seja, “os pratos locais, ligados a produtos locais” (1)Assim, “sob esse ponto de vista, a comida é, por definição, mais diretamente ligada aos recursos do lugar”.(2) É o que reflete a baixela do caboclo onde em grande medida os recursos que o território disponibilizava aos grupos indígenas moldaram a dieta especialmente com largo consumo da mandioca e seus derivados, as pimentas e os peixes. Hábito alimentar que chegava ao século XX com protagonismo e persistência e que hoje se relaciona a uma identidade local.

Referências.
🎨 A Baixela do caboclo - Quadro a óleo do pintor Elias Paula de Macedo. 📸 Anuário Comercial e industrial da capital e municípios do Estado do Pará e roteiro da cidade de Belém. Paulo de Macedo, ano I, 1964. Página não numerada. Belém-Pará-Brasil.🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar.
(1)(2)MONTANARI, Massimo. Comida como cultura. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008. p. 136.
📌MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de. A Cozinha Mestiça uma história da Alimentação em Belém fins do século XIX. Programa de Pós graduação em História social da Amazônia. UFPA. 2016. 

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