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Casa Sport.



Outro exemplo de estabelecimento que vendia produtos importados e muitas
vezes de consumo mais restrito por conta de seus preços de revenda, mesmo no período conhecido como de crise econômica por conta da crise da borracha, temos, em 1919, a Casa Sport, localizada na Praça da Figueira, no Pará, de B. Serra, era o "Grande emporio de fructas as mais selectas, recebidas directamente (em toda época poca) da Europa, Sul da América do Norte e conservadas em frigorífico apropriado" e ainda, "recebe regularmente nas mesmas condições creme da serra, lunch, creme e de outras acreditadas marcas". Contava ainda como especialidades com " queijadas de Cintra, pastéis de Santa Clara, pão de ló e doces em conservas ". (1)Em outro anúncio de 1919, havia recebido, vindo em frigorífico: “Repolhos, uvas, maçãs, requeijão torpedo e penedo, queijo de Minas, Rio da Prata,e parmesão; peras, ameixas e damascos secos, atum em salmoura, salame e fiambres”.(2)O uso de frigoríficos, entre outros equipamentos modernos, seja para transporte ou armazenagem de mercadorias, certamente era anunciado porque se constituía uma atração para maior parte dos fregueses que entendiam que, desta forma, havia uma conservação maior dos alimentos, em especial, as frutas. Ainda em relação aos anúncios percebemos que começavam a surgir no lugar do endereço o número de telefone dos anunciantes. O que demonstra que as mudanças tecnológicas e a chegada de novos produtos, como eletrodomésticos, vão interferir também no funcionamento dos estabelecimentos e dos hábitos das pessoas.(3) Com o uso de linhas telefônicas em algumas dessas casas era possível ligar para saber de produtos e quem sabe de possibilidades de entrega. Numa época, então, em que as casas importadoras só trabalhavam com vapores com frigoríficos e que o número de telefone já aparecia nos anúncios com certa frequência, substituindo em alguns o endereço dos diversos estabelecimentos, tem-se uma mudança de consumo e mesmo de comportamento, uma vez que, por exemplo, com o uso do frigorífico aumentam o tempo de guarda e de consumo de produtos que antes estragavam mais.


Referências.
(1) 📸 Annuario de Belém. 1616-1916. Belém. Eng. Ignacio Moura. E. U. Do Brasil. Imprensa Official. 1915. Setor de Obras raras CENTUR.
(2) Folha do Norte, 13 de setembro de 1919, p. 5.
(3) Sobre o assunto ver: SEVCENKO, Nicolau. O prelúdio republicano, astúcias da ordem e ilusões do progresso. In: História da Vida Privada no Brasil. Vol. 3. República: da Belle Époque a Era do Rádio. (orgs) SEVCENKO, Nicolau & NOVAIS, Fernando A. São Paulo: Companhia das Letras. 1998.

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