Pular para o conteúdo principal

Um americano de Roma.

No domingo com filme temos uma das melhores cenas do cinema do filme italiano: "Um Americano de Roma", de Steno, lançado no ano de 1954, que traz uma cena clássica muito reproduzida e  protagonizada por Alberto Sordi quando ele come um belo prato de macarrão. Não existe ser humano que não fique com água na boca ao assistir essa cena e não fique com vontade de  fazer um bom prato de espaguete com molho de tomate. É uma das cenas de "comida" mais esplêndidas do cinema. O filme é uma sátira à americanização dos hábitos e costumes nos anos de 1950, o personagem Nando Moriconi é um jovem apaixonado por tudo que vêm dos Estados Unidos. Adora dançar como Gene Kelly acha que fala fluente o inglês e que deve comer "à la americana". Na cena, Nando Moriconi tenta se americanizar na comida e "trocar" o vinho pelo leite, mostarda no pão em vez de massa. O interessante da cena do jantar na casa de Nando, reside no fato de que diante do "macarroni" (maccheroni) espaguete com tomate ele deixa de lado a comida americana e se farta no prato de macarrão. Nando Moriconi tem muita dificuldade em mudar os sabores que ele desde tenra idade foi acostumado a comer. É como dizia Brillat-Savarin "Dize-me o que comes é te direi quem és".(1)
A comida como cultura é reflexo de nossa história, de onde nascemos, vivemos e acima de tudo do que fomos ensinados a comer. Segundo Franco "a socialização de uma criança compreende as mais variadas noções sobre alimentação ". E ainda, "o gosto é, portanto, moldado culturalmente e socialmente controlado (...) os alimentos habituais tornam-se objeto de predileção, os mais saboreados. Por isso, também, apreciam-se tanto os pratos da região em que se cresceu". (2). Uma das primeiras relações que nos marcam como pessoa está relacionada a forma como construímos nossa base alimentar. As relações criadas em torno do que comemos refletem a escolha da família que estamos inseridos e da sociedade a qual fazemos parte. Daí porque esses sabores nos acompanham por toda a vida. "Os homens comem como a sociedade os ensinou. Os hábitos alimentares decorrem da interiorização, desde a mais tenra infância". (3) A comida é nossa raiz, nosso manto e faz parte de nossa "bandeira". Somos formados pelo que comemos.
.
.
.
📚✍🏽 Referências. 
📽 Filme: Um americano de Roma. Dirigido porSteno; Produzido por Carlo Ponti, Dino De Laurentiis; Escrito por: Sandro Continenza, Ettore Scola; Elenco: Alberto Sordi; Lucio FulciSteno; Estrelando Alberto Sordi; Música por Angelo Francesco Lavagnino; Cinematografia Carlo Montuori; Distribuído por: Titanus Minerva Film. Data de lançamento: 1954. Tempo de execução:84 minutos. País Itália; Língua: italiano. (1) Savarin  Brillat. A fisiologia do gosto. Trad: Paulo Neves. São Paulo:Companhia das Letras, 1995. p. 15. 
(2)(3) Franco, Ariovaldo. De caçador a gourmet:uma história da gastronomia. 4 ed. São Paulo:Editora Senac São Paulo, 2006. p.24-25. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Mestre Martinho- Arraial.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também em outras festividades, os arraiais, faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o arraial de Mestre Martinho, no Umarizal,  cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado...

Pirarucu Frito...

Olá, leitores! Dos nossos sabores regionais o Pirarucu é um dos mais deliciosos e de um paladar bem singular. É gostoso frito com uma boa tigela de açaí. Mais o açaí paraense sem açúcar e com uma farinha bem torrada pra acompanhar. Foi assim que fiz aqui em casa outro dia e não deu pra quem quis. Fiz com uma dicas da minha enteada e ficou uma delícia.  O Pirarucu é um dos maiores peixes de água doce fluviais do Brasil. Pode atingir três metros e seu peso pode ir até 200 Kg. É um peixe que é encontrado geralmente na bacia Amazônica, mais especificamente nas áreas de várzea, onde as águas são mais calmas. Segundo a mitologia o Pirarucu era um peixe cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder. Certo dia, ele executou sem motivo índios de uma aldeia vizinha. Como castigo Tupã, o deus dos deuses mandou um relâmpago que acertou o coração do guerreiro. Seu corpo ainda vivo foi levado as profundezas do rio Tocantins e de lá transformou-se num peixe gigante e es...