Pular para o conteúdo principal

Sonho.

Alfredo, personagem de Dalcídio Jurandir, que vez por outra aparece aqui, nos apresenta um amigo de escola: o Lamarão, que morava num palacete na São Jerônimo, que "vestia-se bem, sapatos 
polar, meia esticada com liga sem defeito, muito que bem, mas daí para 
o palacete (...)". O Lamarão que: "sorria sempre, pagando sempre. Sorvete, garapa, mendubi, cuscus, sonhos. Uma tarde, a menina(...) lhe perguntou, numa voz fininha, ao vê-lo em companhia do amigo, junto do quiosque, devo.. rando sonhos: — Sonhando, não? Ele ficou surpreendido: eras! Esta menina anda conhecendo os meus segredos? Ofereceu, hesitante, um “sonho”, certo de que o Lamarão pagaria. 
— Bom proveito, não sei sonhar". (1) Um dos doces que marcam a infância de muitos é o Sonho. Eu tenho certeza que você tem uma memória de criança em torno do sonho? Segundo Maria Lúcia Gomensoro o sonho: "1. Doce muito difundido pelo Brasil, preparado à base de farinha, ovos e fermento, recheado com geléia, creme ou goiabada e frito na manteiga. 2. Doce português à base de farinha de trigo, água, ovos e manteiga, e frito em gordura quente. Serve-se polvilhado com canela e açúcar  e regado com calda de açúcar e mel. É doce típico do Natal português". (2) Havia no Brasil o vendedor de sonho, geralmente com seu tabuleiro ou "baú" que pelas ruas e avenidas andavam vendendo os sonhos.  Na segunda imagem, temos um vendedor de sonho nas ruas de São Paulo, em 1914. Estes vendedores eram como nos aponta Nascimento: "Presença constante nas ruas de São Paulo e de qualquer cidade brasileira, os vendedores de doces fazem a alegria da garotada".(3) O jornal nos diz ainda que:"Os doceiros ambulantes também têm a sua especialidade. O da presente gravura é o homem dos sonhos. O sonho é um bolo de farinha adocicado e mole. Ao ser vendido o emprezario polvilha-o de assucar e canella". (4) Uma das primeiras receitas de sonhos, os sonhos celestiais, aparece no terceiro livro de receitas União, na década de 60, do século XX. Mas, é importante dizer que esses doces se fazem presente muito antes como nos aponta a literatura de Dalcidio Jurandir de fins do século XIX em Belém, e o jornal do início do século XX  em São Paulo.
.
.
.
💬 E você qual.memória tem dos sonhos? Me conta!!!
.
.
.
📚✍🏽 Referências. 
📸 Foto da autora. 
📸 Livro de receitas União. https://uniao.com.br/livros 🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar. 
(1) Dalcídio Jurandir, Belém do Grão Pará, 
Livraria Martins: São Paulo, 1960. p. 44. 
(2) Gomensoro,  Maria Lúcia. Pequeno dicionário de gastronomia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999, p. 374. 
📸(3) (4)Douglas Nascimento. As profissões da São Paulo Antiga. Publicado em 04/11/2015. In: https://www.google.com/amp/s/saopauloantiga.com.br/profissoes-antigas/%3famp acessado em 01 de outubro de 2021. 









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Mestre Martinho- Arraial.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também em outras festividades, os arraiais, faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o arraial de Mestre Martinho, no Umarizal,  cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado...

Pirarucu Frito...

Olá, leitores! Dos nossos sabores regionais o Pirarucu é um dos mais deliciosos e de um paladar bem singular. É gostoso frito com uma boa tigela de açaí. Mais o açaí paraense sem açúcar e com uma farinha bem torrada pra acompanhar. Foi assim que fiz aqui em casa outro dia e não deu pra quem quis. Fiz com uma dicas da minha enteada e ficou uma delícia.  O Pirarucu é um dos maiores peixes de água doce fluviais do Brasil. Pode atingir três metros e seu peso pode ir até 200 Kg. É um peixe que é encontrado geralmente na bacia Amazônica, mais especificamente nas áreas de várzea, onde as águas são mais calmas. Segundo a mitologia o Pirarucu era um peixe cheio de vaidades, egoísmo e excessivamente orgulhoso de seu poder. Certo dia, ele executou sem motivo índios de uma aldeia vizinha. Como castigo Tupã, o deus dos deuses mandou um relâmpago que acertou o coração do guerreiro. Seu corpo ainda vivo foi levado as profundezas do rio Tocantins e de lá transformou-se num peixe gigante e es...