Pular para o conteúdo principal

Pesos e Medidas no Egito Antigo.



E voltando a série de textos sobre "os pesos e medidas e o mundo da alimentação", vamos falar da Metrologia no Egito Antigo, aliás, um primeiro aspecto que Irineu da Silva aborda é o fato de que provavelmente pesos e medidas da Antiguidade tinham uma mesma base. Nesse sentido, "(...) basta estudar um pouco a Metrologia Histórica para notar que os pesos e medidas dos povos da Antiguidade eram bastante semelhantes, o que pode indicar que tiveram uma única raiz". (1) Irineu concluiu ainda que, "(...) para o comércio interno e na vida cotidiana, tudo leva a crer que cada povo manteve um sistema de medidas próprio. Talvez semelhantes, porém, não iguais". (2)
A balança era instrumento muito utilizado pelos egípcios para medir comercialmente falando e de forma simbólica. Era utilizada para medir o coração do morto. "A balança nunca se enganava". Na imagem, a medição, na sala das Duas Verdades, o que seria o julgamento daquela pessoa morta, feita pelo deus da morte Anúbis, o qual coloca o coração do morto numa balança de dois pratos. O contrapeso de medida era "a pluma da Deusa Maat, que representava a justiça. Depois de Anúbis ajustar a balança, verificava-se qual dos dois pesava mais, o coração ou a pluma. Dependendo do resultado da pesagem, então o espirito do morto seguiria para Paraíso ou para o Inferno".(3) Aliás,  a palavra balança deriva do latim, segundo o site "Balança Analítica": "Balança (do latim bis – dois e linx – prato) é um instrumento que mede a massa de um corpo. A  unidade usual para massa é o kg (Sistema Internacional de Unidades – SI). Portanto as balanças medem as massas dos corpos e objetos, não o peso deles". (4) Desde o Egito Antigo, local que os estudiosos indicam como a origem da balança, a balança era no modelo com dois pratos. Na imagem, (egípcios deixaram desenhos de balanças nas paredes dos túmulos e nos papiros). É possível ver a balança no centro da cena, onde Anúbis (deus da morte) pesa o coração do morto para saber qual seu destino. A ideia da "balança" que faz justiça é muito comum no Direito em nossa atualidade. Contudo, para além do uso simbólico, a balança era bastante utilizada no comércio.
Irineu Silva nos explica ainda que: "A unidade de massa básica egípcia, em todas as épocas, era denominada deben, que significa anel. Há registros de debens correspondentes a de 12 a 14 gramas, a 27 gramas e até 90 gramas, dependendo da época e do objeto medido". (5) E você já conhecia esses detalhes? Qual outra curiosidade sobre pesos e medidas você conhece? Me conta.
.
.
.
📚✍🏽 Referências.
📸 Autor desconhecido. Papiro juízo final egípcio. Autor desconhecido. 
Edição de Imagem do Commons, 13 de julho de 2006 (data de upload original)
Arquivo:Egyptbookdead3.jpg
https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:Egyptbookdead3.jpg
(1) (2)(5) Silva, Irineu da. História  dos pesos e medidas. São Carlos: Educação, 2004. p. 36;45; 44.
(3) Histórias e Curiosidades sobre a balança. 03 de setembro de 2015. http://www.balancasmicheletti.com.br/publicacoes/historia-da-balanca/
(4) Balança Analítica e a história.
http://www.balancas-analiticas.com.br/home/balanca-historia/ Acessado em 01 de janeiro de 2022. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

É CARNAVAL.

Na pintura de Debret temos uma imagem do Carnaval  ou como era chamado no século XIX, de Dia d'entrudo. O dia d'entrudo que começava no domingo e seguia-se nos três dias gordos, era dia de festa em que os brincantes se jogavam "limões "cheios de água perfumada. A cena se passava no Rio de Janeiro, no ano de 1823. Segundo Debret: " O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...