Pular para o conteúdo principal

Home sweet home.

Você sabe a origem do termo Home Sweet Home? Um dos termos que na atualidade é extremamente popular e está aasociado a casa e de certo modo "ao conforto que ela pode nos passar". Praticamente toda loja de produtos para casa e cozinha tem algum utensílio ou objeto de decoração que tenha inscrito "Home Sweet Home" não é verdade!? Pode ser um porta chaves, um quadro, uma tábua para cozinha ou vaso. Muitos são os itens que "trazem" o termo para dentro das nossas casas. Você sabia que o termo tem origem na Inglaterra na época vitoriana? E qual a relação dele com o mundo da alimentação e suas práticas? O termo surge na era vitoriana e no seio da burguesia abastada formada pelos lucros da Revolução Industrial. "Home Sweet Home, está associado ao sentimento da casa ser um refúgio, mas, sobretudo, desta casa ter todas as comodidades que o dinheiro poderia comprar. E isso incluía móveis apropriados, talheres, conjuntos de louças de cozinha e "empregados" para gerir todos estes códigos e práticas sociais. Assim, como nos esclarece o historiador Ariovaldo Franco: "Difundiu-se o uso das baixá-las de metal prateado(sheffield plate), (...) Da mesma maneira, a porcelana pintada à mão era substituída pelos vistosos serviços produzidos em série e decorados segundo a técnica do transfer print". (1)Assim, "Home Sweet Home" era uma uma forma de viver bem para a burguesia inglesa. É nesse momento que: "Para a burguesia vitoriana, o lar representava um refúgio ameno onde a vida era codificada segundo a interpretação vitoriana dos princípios cristãos. Nesses oásis de segurança e bem-estar, cunhou-se a expressão Home sweet home".(2) Um oásis que pertencia a uma burguesia abastada e que desejava viver se espelhando no luxo da  Aristocracia. O termo home sweet home, na sua origem  não era tão democrático quanto nos dias recentes.
.
.
.
📚✍🏽 Referências.
📸 Canva.
(1)(2) Franco, Ariovaldo, De caçador a gourmet:uma história da gastronomia. 4 ed. Rev. São Paulo:Editora Senac São Paulo, 2006, p, 219; 221. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...

Peixe-boi.

O consumo da carne do peixe-boi era muito importante na composição da dieta alimentar da região amazônica. Segundo Francisco Xavier Sampaio, no século XVIII, a carne de peixe-boi era apreciada, “principalmente a do ventre”, por ser “gostosíssima”. Dessa carne se faziam “chouriços com as próprias tripas”. Conforme deixou registrado em seu Diário da viagem da Capitania do Rio Negro, ainda que tivesse “o nome de peixe, tem mais gosto, e aparência, de carne”.(1) Ambrósio Fernandes Brandão, por sua vez, ressaltava a variedade do consumo da carne de peixe-boi em diversos pratos, inclusive como picados e almôndegas. Segundo Brandão: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca sem haver nenhuma diferença de uma cousa ou outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, ...