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Bacalhau à Brás.

Você sabia que na cidade de Belém entre fins do século XIX e primeira metade do seculo XX, um dos peixes preferidos nas casas de maior poder aquisitivo para às comidas das festas de finais de ano era o Bacalhau? Então, o bacalhau em Belém figurava entre  os produtos mais importados e tinha um "público" certo por aqui. O bacalhau era um peixe importado, no geral, vinha da Europa onde era um produto bastante procurado desde fins do século XVI, sendo a exploração deste peixe concorrida entre bascos, franceses,holandeses, ingleses e ao redor do seu beneficiamento tinha todo um comércio e métodos de preparação.(1) Tal atividade de pesca originou um dos principais comércios da Europa e rendeu muito lucro para países como Espanha e França.
Em Belém, o bacalhau tinha presença constante e apesar de virem outros peixes como as sardinhas de Nantes, entre os seus consumidores o bacalhau era preferência.(2) Por exemplo, "Em 1869, chegaram no brigue português Ligeiro 120 caixas com bacalhau. Já no armazém dos Srs. Francisco Gaudencio da Costa & Filhos na rua do Imperador em 15 de maio de 1858, temos uma partida de
superior bacalhau em barricas".(3) Esse é apenas um exemplo, se formos quantificar a quantidade de bacalhau que chegava na cidade de Belém, ao longo das décadas pesquisadas, teremos um valor bem alto. Isto porque, o bacalhau não era consumido apenas nas festividades de finais de ano, ele também estava presente na Páscoa, no Círio e nos cardápios dos restaurantes como uma opção de prato. Até os dias de hoje, o bacalhau, é um peixe muito consumido nesta época do ano em Belém. Se você for aos supermercados, lá estão várias opções de bacalhau para comprar. [Um detalhe: ainda hoje é um peixe de valor elevado e que cada vez mais tem restrito seu consumo as datas especiais]. E aproveitando que estamos falando de bacalhau, vou compartilhar a receita  de Bacalhau à Brás, tradicional da região de Estremadura, do livro de Receitas português de Maria Lourdes Modesto, intitulado "Cozinha Tradicional Portuguesa" que é sensacional.[ A receita está na segunda fotografia do carrossel].
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📚✍🏽Referências.
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[Lembramos que se você faz uso dos meus textos, peço que dê os créditos e faça a citação].
📸 Acervo pessoal da autora.
(1) BRAUDEL, Fernand. Civilização Material, economia e capitalismo séculos XV. Telma Costa. – São Paulo: Martins Fontes, Civilização Material, economia e capitalismo séculos XV. São Paulo: Martins Fontes, 1995, p, 5.
(2)(3)MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de. Daquilo que se come: uma história do abastecimento e da alimentação em Belém (1850-1900). 2009. Dissertação. Universidade Federal do Pará, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Belém, 2009. Programa de Pós-Graduação em História Social da Amazônia. p, 144.
https://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/4581
📸(3) Modesto, Maria de Lourdes. Cozinha tradicional portuguesa. 24 ed. Verbo, Babel, Lisboa, 2015. 

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