Pular para o conteúdo principal

Postagens

O Missionário é práticas alimentares.

Hoje eu quero te convidar a ir comigo a uma festa de casamento em Silves, cidade no Amazonas, em fins do século XIX. A festa em questão faz parte da narrativa do livro O Missionário, do autor Herculano Marcos Inglês de Sousa, paraense nascido em Óbidos, em 1853. Inglês de Sousa é considerado por alguns autores como o introdutor do naturalismo na literatura brasileira. Eu li o livro O Missionário ainda na graduação e sempre releio porque é maravilhoso,  impossível não gostar da genialidade dele. As descrições pormenorizadas sobre os hábitos alimentares me encantou. Silves, a cidade retratada no livro existe, e tem uma longa história. A cidade ou " " Ilha de Saracá" para os mais antigos, ou "Cidade Risonha" como é conhecido o município de Silves, no Amazonas, é marcado na essência cultural, pela forte ancestralidade indígena e históricas batalhas travadas com os portugueses". (1) Vamos ao casamento, então!? "À noite e...

Orgulho e Preconceito: práticas alimentares.

Eu realmente não poderia falar de literatura e práticas alimentares e não falar de Orgulho e preconceito, de Jane Austen, um dos meus preferidos e que tão bem retrata a sociedade, eu sempre acho os personagens de Jane muito reais pra época e fora dela também. Ou vocês não conseguem visualizar pessoas que se "parecem" com os personagens de Austen? Pois bem, Orgulho e Preconceito, um dos mais conhecidos livros da autora, tem em torno da mesa muitas de suas cenas principais. Orgulho e Preconceito ( Pride and Prejudice) é um romance, escrito em 1797, mas somente publicado pela primeira vez em 1813, a autora terminou seu livro antes de completar 21 anos, em Hampshire, local onde ela morava. O livro conta a história de Elizabeth Bennet, a sua família, a sociedade a época e seu romance com Sr. Darcy. Ele permite uma leitura atenta e muito crítica da sociedade e como ela pensava sobre educação feminina,  casamento, cultura e também como vivia a aristocracia inglesa em pl...

As comidas no casamento de Emma Bovary.

As cenas de casamento nos livros também são momentos importantes pra percebemos as práticas alimentares, os pratos em voga e a Gastronomia. Na ilustração, de Alfred de Richemont, de 1905, para a edição inglesa de Madame Bovary, foi ilustrado a cena do casamento de Emma e Charles, vale lembrar que como o casamento foi no campo e a prefeitura era distante da casa, assim, "O cortejo, a princípio unido com um só cachecol colorido, que ondulada pelos campos,  ao longo da estreita vereda, serpenteando em meio ao trigo verde, logo se dispersou e separou-se em vários grupos, que se demoravam conversando. O menestrel ia à frente, com a concha do violino enfeitada de fitas; a seguir iam os noivos, os parentes, os amigos, misturados ao acaso, e as crianças seguiam atrás, divertindo-se a arrancar as flores dos caules de aveia, ou a brincar entre elas, sem serem vistas. O vestido de Emma, muito comprido,  arrastava-se um pouco no solo;de vez em quando, ela parava para levantá-l...

Alimentação em Madame Bovary.

Vocês já devem ter observado como a literatura nos permite perceber a Gastronomia e as práticas alimentares em voga naquele espaço de tempo a que o livro faz referência? A literatura é magistral em nos apresentar sabores sejam eles vividos na memória dos personagens ou vividos na "realidade" do livro através dos almoços, jantares e as pequenas festas ou reuniões que ao longo do livro encontramos, não é mesmo!? Como nos aponta Maria Alzira Seixo: "(...)a capacidade da Literatura em representar, de modo rico e multiforme, a Alimentação, a Culinária e a Gastronomia, enquanto aspectos da vida quotidiana normalizada ou excepcional, de regiões oucosmopolita, indo da prática humana mais rasteira (no dia-a-dia de quem nem pensa sobre o que come) ao nível mais elaborado da confecção do texto como alimento supremo, do corpo ou até do espírito". (1) A Alimentação assim como parte importante da vida cotidiana torna sua presença fundamental na literatura. Nesse senti...

Documentário Casa de Farinha.

A Indicação  de hoje é o documentário "Casa de Farinha", de Geraldo Sarno, datado de 1970, um dos primeiros a retratar o trabalho e as relações com a mandioca, no sertão do Cariri:"A Farinha de mandioca alimento básico da população, o pão do sertanejo".(1) O documentário discorre sobre a importância da mandioca para muitos produtores locais, as relações estabelecidas entre os trabalhadores e os donos dos sítios onde muitas vezes se produzia a farinha, e principalmente como o fazer farinha de mandioca era uma atividade laboriosa, porém,  repleta de muitos saberes específicos. É apresentado desde a colheita da mandioca até a elaboração da farinha. Todos os passos são registrados. É um documentário com imagens belíssimas e que traduzem bem os anos 70, do século XX.   . . . Então, não deixa de assistir.  📽✍🏽 . . . 📚✍🏽 Referência. 📽(1) Documentário "Casa de Farinha" de Geraldo Sarno, ano de 1970. Disponível no Canal Cariri Antigas- Acervo. Aces...

Farinha de Mandioca e farofa em Paraíba.

Você sabia que existem relatos de consumo de farofa datados do século XIX, na Paraíba? E que a farinha de mandioca, tão versátil permite o consumo de diversas formas? Ribeyrolles, no século XIX, dizia que a farinha de mandioca era "elemento essencial da alimentação brasileira, como o trigo na Europa. (1) E o era sim, a farinha de mandioca era de consumo diário e muito necessário. Na Paraíba, ano de 1638, século XVII, Gaspar Barléu falava que "Das raízes desta fabricam uma farinha, que lhes serve de trigo e de pão". (2) E aqui chamo a atenção para as constantes referências sobre a mandioca relacionada ou descrita com a importância que o trigo assumia na Europa. Outros viajantes costumavam dizer que a farinha de mandioca era o "trigo" brasileiro, essa fala ocorria justamente pela presença diária da farinha de mandioca nas casas dos brasileiros. Não há dúvidas quanto à isso. A farinha de mandioca permitia ainda que dela fosse feito outros pratos e cons...

Farinha de mandioca em Pernambuco.

Em Pernambuco,  o consumo de farinha de mandioca era cotidiano e muito comum no século XIX, Louis Tollenare, dizia sobre o Recife, no ano de 1816 que: " A mandioca é uma espécie  de euforbeácea (...).Sabe-se que está raiz comida sem preparação é um veneno violento (...) A preparação consiste em raspar a pele negra das raízes (...) Por meio de um ralador circular desfaz-se a polpa (...) em seguida é colocada sob uma prensa que expele o suco venenoso que acompanha a substância salubre e está é posta a secar ao fogo; a polpa, assim purifica a seca, fica reduzida a uma farinha grosseira. É ingerida crua ou cozida. Dizem que também é usada para fazer pão; aqui só tenho visto crua ou cozida". (1) O relato nos permite visualizar o consumo de farinha de mandioca, em Recife, ainda na primeira metade do século XIX. Em 1821, cinco anos após o relato de Tollenare, Maria Graham, nos conta sobre sua passagem pelo Recife que nos mercados haviam: "(...) bolos de mandioca coz...