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Qual a relação do jejum com a Quaresma?

Qual a relação com o jejum? Por qual razão o calendário católico destinava tantos dias aos jejuns? Segundo o historiador Henrique Carneiro, "as regras alimentares servem como rituais instauradores de disciplinas, técnicas de autocontrole que vigiam a mais insidiosa, diuturna e permenente tentação. Domá-la é domar a si mesmo, daí a importância da técnica dos jejuns (...)" (1) o jejum assim, surge como uma "técnica" de manutenção da ordem econômica e social. Logo, os excessos alimentares, desde o Concílio de Latrão, datado do século XI, passam a ser condenados e como nos aponta Albert: "A partir de então, esse discurso associa à gula o pecado de Adão e Eva (...) O discurso moral impregna esses manuais que reprimem os excessos alimentares ". (2) Por isso, "a partir do século XIII a Igreja baseia-se cada vez mais no registro cortês para incitar o conviva a "disciplinar-se" e a manter-se com elegância à mesa". (3) Vejam que a importância do jejum está sempre atrelado a ideia de comportamento e disciplina. Agora todo e qualquer excesso ao comer era associado a gula e portanto ao pecado. Até mesmo, a maneira de comportamento à mesa, torna-se ponto do discurso da Igreja. Nesse sentido, " Os hábitos e tradições alimentares constituem um herança cultural que é recebida junto com o leite materno que permanecerá tanto no nível consciente das prerrogativas religiosas ou dietéticas como no nível inconsciente das mentalidades e dos gostos coletivos". (4) Sabendo deste recurso a Igreja fez uso dos jejuns como uma maneira de moldar ao menos pelo aspecto religioso os homens e mulheres da sociedade. Através dos jejuns e das inúmeras proibições alimentares que iam além da Páscoa, a Igreja disciplinarizava e ordenava a sociedade Medieval.
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Referências.
🎨 El Gusto, óleo sobre tela, 1618. Brueghel el Viejo, Jan; Rubens, Pedro Pablo. In:
https://www.museodelprado.es/coleccion/obra-de-arte/el-gusto/2a722256-2d07-4082-8a32-7caee0a04b95 🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar. Uso Educacional.
(1)(4) Carneiro, Henrique. Comida e Sociedade:uma história da Alimentação. Rio de Janeiro:Campus, 2003. p. 119;122.
(2) (3) Albert, Jean- Marc. Às mesas do poder:dos banquetes gregos ao Eliseu. Trad. Lea P. Zylberlicht. São Paulo:Editora Senac São Paulo, 2011. p. 91; 92. 

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