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Mostrando postagens de 2025

Feliz Natal!!!

Feliz Natal!!!🌟✨️💫🙏🏽 Com a belíssima ilustração de Andrelino Cotta, pintor paraense, feito para a Revista "A Semana", no Natal de 1921.  Que seja de muita saúde,alegrias e felicidades!!! Que seja de muitas comidinhas, risos e conversas em volta da mesa.  A mesa como lugar de partilha, reflexão e muito amor. É simbólico, mas, na prática traduz quem somos e quem amamos.🍽🍴🍾 Ninguém compartilha a mesa com quem não gosta!  A mesa é lugar de intimidade, afeto e confiança.  📍Que o Natal de cada pessoa que faz parte do Dqsecome seja de sabores recheados de afeto!!!! #Daquiloquesecome #sidianamacêdo #Natal

História Global da Alimentação Portuguesa.

Ontem recebi a notícia que a obra História Global da Alimentação Portuguesa, organizada por José Eduardo Franco[Direção] e Isabel Drumond Braga [coordenação], recebeu o prêmio de literatura gastronômica da Académie Internationale de la Gastronomie. [A edição foi publicada e lançada em março deste ano em Portugal]. Quanto orgulho em ter contribuído com um capítulo sobre o Círio de Nazaré e as práticas alimentares paraense ao lado de colegas tão maravilhosos. As nossas práticas alimentares do Círio de Nazaré através do meu capítulo intitulado " Comida e fé", analisa trocas e influências na  alimentação, no Círio de Nossa Senhora de Nazaré "através" do Atlântico. O capítulo agora compõem um livro premiado e reconhecido pela Académie Internacionale de lá Gastronomie. Quanta emoção!:) Parabéns à Isabel Drumond Braga e José Eduardo Franco pela  brilhante e zelosa organização desta Coletânea. Parabéns aos colegas que c...

O Regatão.

José Alípio Goulart tem um livro que nos conta sobre o Regatão na Amazônia. Intitulado: " Regatão: mascate fluvial da Amazônia.  É um clássico para os estudiosos do tema. Mas, você sabia que a prática do Regatão vem para a Amazônia de Portugal? O Regatão tem origem em Portugal, eram vendedores ambulantes que: "percorriam as ruas acompanhados de suas azêmolas(...) paravam, pacientemente, à  porta das casas, oferecendo  suas mercadorias (...)". Vendiam "a varejo, de gêneros alimentícios".(1) E ainda, " Abasteciam-se nas fontes de produção, em pleno campo, ou nas praias dos rios, ao pé da lavoura ou à beira do pesqueiro, retornando às vilas e aldeias para o atendimento cotidiano das necessidades de bôca dos seus ansiosos clientes".(2) Haviam também aqueles que levavam pelas ruas da cidade seus produtos em suas costas, como o vendedor de hortaliça da imagem de hoje que vendia de porta em porta em Lisboa. O nome Regatão era bem antigo por lá,  ...

Petit-Bar.

Era um domingo no ano de 1926 e os moradores da "pittoresca villa do Pinheiro" poderiam ir ao Petit- Bar e degustar um saboroso menu que oferecia: "Fillet à Petit-Bar Pescada com molho Camarão á mayonaise Gallinha com repolho Gallinha ao molho pardo Fritadas diversas Fiambre Iscas á portugueza Cosido á portugueza".(1) O cardápio do Petit-Bar apresentava em seu anúncio pratos muito consumidos desde fins do século XIX, como o camarão á mayonaise e a gallinha ao molho pardo. Igualmente a presença de pratos com denominação "á portugueza", no caso, as iscas e o cosido. Apesar de não haver a oferta dos pratos tidos como tipicos. A regionalidade da cultura alimentar aparecia na sobremesa, com a compota de bacury. E ainda, "(...)queijo, goiabada, fructas nacionaes, dôces, bebidas finas e schoop bem tirado.".(2) Em minha tese eu abordo como os cardápios dos restaurantes em Belém eram mestiçados.(3)Todo este menu seria degustado ao so...

Quibebe.

E hoje vamos de Glossário da Alimentação Paraense. E a palavra de hoje é QUIBEBE. Segundo Vicente Salles, a palavra Quibebe tem origem africana e de consumo muito "tradicional no Pará,  pelo menos desde o séc. XIX".(1) Seria de etimologia "(...)mbundo bembé( jibembê, beldroegas) conservado com o artigo. Essa mesma palavra passou com o prefixo qui (no Norte) em quibembe assimilado em quibebê  por analogia da palavra beber"(2) Talvez, porque fosse possível beber ou sorver em goles o quibebe? Ou porque ele tivesse antes uma consistência mais líquida? Bem, para Nei Lopes quibebe seria um termo derivado "Do quimbundo Kibebe, caldo grosso, papa". (3) Aqui no Pará,  o quibebe era/é feito com jerimum, leite de castanha e como não poderia ser diferente: com farinha seca ou d'água. Nesse sentido, Mário Ypiranga Monteiro nos esclarece que Quibebe seria um "composto de massa de jerimum cozido e leite de gado ou de tocari (castanha) com farinha d...

Receita de Biscoitos "Não me toques".

Você sabia que o termo "não me toques" faz referência a "(...)p essoa cheia de melindres e suscetibilidades"?(1)Mas, também é o nome de um biscoito feito ao longo do Brasil de duas maneiras distintas. [E possível que esse biscoito tenha outras variações de preparo, eu achei duas] Na primeira versão, ele é feito com "(...) com tapioca de goma, leite de coco e açúcar e que desmancha facilmente na boca"(2) Domingos Vieira FIlho, em seu livro, A linguagem popular do Maranhão, já fazia referência a esse biscoito no ano de 1953. (3) Realidade que reflete a popularidade do "Não-me-toques". Essa base de ingredientes também foi descrita por Maria Lúcia Gomensoro, em seu "Pequeno Dicionário de Gastronomia" quando diz que: "Não-me toques-. Doce feito com tapioca de goma, leite de coco e açúcar".(4) Nesta versão, o Não-me-toques é feito com goma de tapioca, leite de coco e açúcar. Contudo, encontrei uma outra versão deste bisc...

Hortas Suspensas.

E você? Já ouviu falar das hortas suspensas na Amazônia? Aqui na Amazônia, existem as hortas suspensas, que são feitas nos jiráus ou em cima de cascos velhos. Suspensas porque ou elas ficam sob a água como na fotografia, onde uma mulher vai até a sua horta suspensa de canoa ou ela fica pendurada no fundo das casas ribeirinhas nos jiraus, as hortas suspensas eram/são práticas comuns pela região. Nunes Pereira fala que a: "(...) bacia amazónica (...)não nos deu somente a "rede com que se embalaria o sono ou a volúpia do brasileiro" e "um grupo de animais amansados pelas suas mãos". Deu-nos, também, (...) Peixes do Vale amazónico, aves e mamíferos foram [pelas mulheres] (...) utilizados na alimentação dos seus filhos e dos seus companheiros [que] (...) adubando-os com as ervas por ela mesmo plantadas nas pequenas HORTAS-SUSPENSAS. - que são os seus jiráus ou cascos velhos de ubás - (...)".(1) Os temperos das hortas suspensas como de uso importante...

Receita Histórica dos dias das Mães.

Domingo das mães com receita histórica publicada na Revista Amazônia, na coluna intitulada Amazônia Feminina, para comemorar essa data tão especial que é o dia das mães. A receita de hoje que recebe o nome de "Uma sobremesa diferente" é daquelas receitas antigas que não levam leite condensado. E cuja base era feita com leite, ovos,trigo, manteiga, amêndoas e biscoito champanhe. A receita de hoje foi publicada em maio de 1955,  data alusiva ao dia das mães. Segue a receita: "Dissolva a fruo uma colher das de sopa de farinha de trigo, em um pouco de leite, complete com meio litro de leite frio, junte quatro gemas de ôvo, quatro ou cinco colheres de açúcar e faça cozinhar mexendo sempre, sem deixar ferver. O creme poderá ser perfumado com baunilha ou um pouco de açúcar queimado. Quando o creme estiver denso tire-o do figo, e junte, aos pouquinhos, 100 gramas de manteiga, sempre mexendo. Por fim, junte também 100 gramas de amêndoas sem pele e moídas. Tome agora...

Almôndegas de peixe boi?

Você sabia que um dos primeiros relatos sobre almôndegas no Brasil data do século XVIII? E que as almôndegas eram feitas com carne de peixe boi? Não sabia? Então, vem comigo conhecer mais essa história. Corria o ano de 1618, quando Ambrósio Fernandes Brandão, em seu livro "Diálogos das grandezas do Brasil" narra que: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca, sem haver nenhuma diferença de uma cousa a outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, e se faz dele picados e almôndegas, com aproveitamento para tudo o de que se usa da carne de vaca, e algumas pessoas a dei para comer e lhes não disse o que era, e ficaram entendendo que comiam carne de vaca"(1). Importante observar da narrativa de Ambrósio é que da carne do peixe boi se faziam as...

É CARNAVAL.

Na pintura de Debret temos uma imagem do Carnaval  ou como era chamado no século XIX, de Dia d'entrudo. O dia d'entrudo que começava no domingo e seguia-se nos três dias gordos, era dia de festa em que os brincantes se jogavam "limões "cheios de água perfumada. A cena se passava no Rio de Janeiro, no ano de 1823. Segundo Debret: " O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-...