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A mandioca.

Uma das imagens históricas mais magníficas da mandioca pra mim é esse desenho de pena e lápis do manuscrito de Frei Christovão de Lisboa, datado de 1624. Porque ela traduz em absoluto tudo que a mandioca representa para os povos da Amazônia ao longo do tempo. Daquelas imagens que nos permite ficar horas contemplando. Porque ela nos transmite toda a vida que brota da mandioca, da terra ela está florindo muito mais do que folhas, como raízes fortes foram capazes de alimentar e "permitir" a vida de nossos ancestrais e de nós mesmos. Segundo Hue, a mandioca “(Manhiot esculenta) é uma espécie de personagem épica da alimentação brasileira. O ingrediente básico, onipresente, resistente, potente e versátil, de onde se extrai a matéria-prima para uma série de comidas e bebidas. Nativa do sudoeste da Amazônia, a mandioca foi domesticada por índios tupi há cerca de 5.000 anos, na vasta área do
Alto rio Madeira, de onde se espalhou pelo Brasil adentro, atingindo o Paraguai, a Bolívia, o Peru e a Guiana. Ainda hoje gomas, polvilhos, beijus, tapiocas, tacacás, bebidas fermentadas, farinhas e medicamentos produzidos na região amazônica são um testemunho de sua 
brasileiríssima origem". (1) Segundo Miranda, “Entende-se por mandioca a grossa raiz comestível da maniva, Manihot utilissima. A expressão mandioca brava não é usada no Pará, porque as espécies ou variedades de raízes lenhosas, finas, quase carentes de amido, impróprias à alimentação, damos o nome de maniva do campo ou de maniva de veado. A mandioca a que alhures chamam mansa ou doce só conhecemos por macaxeira, Manihot aipy.” (2). Mandioca é uma palavra de origem tupi mãdi'og,mandi-ó ou mani-oca, que significa casa de Mani. Essa semana, os textos aqui no blog vão ser dedicados a "Rainha do Brasil", assim a mandioca era chamada por Câmara Cascudo, pra nós do Norte a mandioca é a base de nossa cozinha de resistência constituída da mandioca e de seus derivados. 

🎨 Mandioqua. Frei Christovão de Lisboa. Desenho se pena e lápis, do manuscrito, História dos animaes e arvores do Maranhão, Lisboa, 1624. Arquivo Histórico Ultramarino, Lisboa, Portugal. In: O Brasil dos Viajantes. BELLUZO, Ana Maria de Moraes. Ed. Objetiva/Metalivros. 1999. 🔖Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar.
(1) HUE, Sheila Moura. Delícias do descobrimento: a gastronomia brasileira no século XVI. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2008.p. 59. (2) Miranda, MIRANDA, Vicente Chermont de Glossário Paraense. Belém: Universidade Federal do Pará, 1968. p. 50. 

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