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Café da Paz.

Segundo Paul Walle, que esteve na cidade por volta de 1910, Belém seria a única cidade, desde o Rio de Janeiro, na qual o viajante podia encontrar “alguns bons 
hotéis, não no sentido em que empregamos o termo, mas no de estabelecimento onde se pode dispor de um quarto limpo e bem arejado, com uma comida adequada, um cardápio variado e um serviço aceitável”. (1) Segundo ele, este era um dos mais importantes da capital paraense: Café ou Hotel da Paz, localizado no centro da cidade, considerado como de boa reputação e que melhor estrutura tinha para receber os hospedes. Por sua vez, os viajantes Godinho e Lindenberg que estiveram em Belém no início do século XX e ficaram hospedados no Café da Paz, próximo ao teatro de mesmo nome, nos informam que este hotel tinha: “Quartos arejados, bonito e espaçoso refeitório, variado menu, em que faziam boa figura o camurim e o delicioso abacaxi”.(2)Tanto Walle, quanto os médicos Godinho e Lindernberg ressaltam que os quartos arejados, espaçosos e limpos e o fato de ter boa comida e um variado menu em seus restaurantes compunham a lista de atrativos do Café e Hotel da Paz. O Hotel da Paz recebia uma clientela com melhores condições financeiras, tinha localização privilegiada em frente ao Teatro da Paz. O café da Paz, fazia parte do Grande Hotel da Paz, de propriedade da firma Kopke & Comp. De José Guilherme Kopke Corrêa Pinto. Segundo Nunes e Santos entre segunda metade do século XIX e primeira metade do XX, "era o mais importante neste gênero em Belém, situando-se no ponto mais concorrido da cidade, com bondes à porta que seguiam todas as direções. O hotel tinha café, salão para banquetes, e restaurantes de primeira ordem, oferecendo cozinha francesa, jardim e terraço ". (5). Uma das cenas mais emblemáticas pra mim é a imagem 2, o interior do Café da Paz, repleto de fregueses. Na década de 50, do século XX, o Grande Hotel da Paz entra em decadência, passou a funcionar sem o café, fechando na década seguinte(6) colocando fim a um dos prédios históricos mais belos e com tantas histórias vividas, muitas delas em volta das mesas do Café da Paz...


📸 Imagem: Cartões Postais. In: Belém da Saudade. Belém: Secult, 1996. 
📸 Imagem 2 e 3:Nunes, Dulcilia Maneschy Corrêa & Santos, Larissa Corrêa Acatauassu. A memória da hotelaria de Belém e o Grande Hotel: 1850- 1950. Belém: ABIH-PA, 2016. P.71
(1)WALLE, 9 Walle, Paul. No Brasil, do Rio São Francisco ao Amazonas. Brasília: Senado Federal; Conselho Editorial, 2006. 309.(2) GODINHO, Victor. Norte do Brasil: através do Amazonas, do Pará e do Maranhão. Pelos Drs. Victor Godinho, Adolpho Lindenberg. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2011. p.88.
(5) (6) Nunes, Dulcilia Maneschy Corrêa & Santos, Larissa Corrêa Acatauassu. A memória da hotelaria de Belém e o Grande Hotel: 1850- 1950. Belém: ABIH-PA, 2016. p. 70/71. 

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