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A caça e consumo da Anta.

Pero de Magalhães Gandavo, no século XVI, nos informa que: " também há uns animais na terra a que chamam Antas, (...) a carne destes animais tem o sabor como da vaca, da qual parece que se não diferencia cousa alguma (...)". (1)
Oscar Canstatt, já no século XIX, entre os anos de 1858/1871, nos fala que " o maior mamífero do Brasil é indubitavelmente o tapir ou anta (...) devido às qualidades especiais de ser como couro, como também, à sua carne, é falir muito procurado".(2) Em todo o Brasil, era comum o consumo de carnes de caça, entre elas da anta. Assim, não sem razão, em 16 de junho de 1893, o jornal O Paraense anunciava que o Café Chic, localizado no Largo da Pólvora, em Belém, oferecia todos os dias no almoço, jantar e ceia, mas especialmente aos domingos, “appetitosas caças”, ao lado de “toda sorte de gallinaceos". (3). O consumo de carnes de animais decorrentes da caça, era um hábito alimentar herdado dos indígenas, tal qual a farinha e os beijus haviam se incorporado à dieta do Pará. Os relatos em torno do consumo de carnes de caça, aliás, remontam às primeiras descrições sobre a região. Ainda no século XVII, o frade Claude D’Abbeville observou quando de sua viagem ao Maranhão que para os tupinambás,(4) a base da alimentação se sustentava no cultivo e preparo para o consumo da mandioca. A farinha era constantemente adicionada ao caldo de peixe ou carne (caça) (5)Utilizava-se muito o assado, aliás, as técnicas de preparo passavam sempre pelo assado e a utilização de pimenta em larga medida com a presença de farinha e do molho de tucupi.



🎨 Caça à Anta no Rio Ivaí, em 1865. Franz Keller. Desenho a lápis e aguada em sépia. Liga ambientalista, Curitiba Brasil.
In: O Brasil dos Viajantes. BELLUZO, Ana Maria de Moraes. Ed. Objetiva/Metalivros. 1999. 🔖Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar.
(1) GANDAVO, Pero de Magalhães. História da Província de Santa Cruz. São Paulo, obelisco/Cadernos de História. 1964. P. 40-41
(2) CANSTATT, Oscar. BRASIL, a terra e a gente (1868). Rio de janeiro, Irmãos Pengetti Ed, 1954. P.64. 
(3) O Paraense, Domingo 16 de julho de 1893, p. 1.
(4)(5)D’ABBEVILLE, Claude. História da missão dos padres Cpuchinhos na ilha do Maranhão e terras circunvizinhas. Tradução de Sergio Millet. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2008, p. 325.

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