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Quem comia macarrão?

Afinal, o macarrão era um alimento acessível para todos? Nossa série de textos sobre o macarrão continua e pra quem ainda não leu nenhum dos textos é só voltar uns post do feed que você vai encontrar a sequência de todos os textos sobre macarrão. Tenho certeza que vais gostar. Bem, até o século XII, o macarrão é considerado um artigo de luxo e de consumo das classes mais abastados. Segundo Françoise Desportes, o macarrão não se tornará "popular antes do século XVII". Sendo antes disso "(...) um alimento, se não de luxo, pelo menos de qualidade, reservado aos consumidores mais abastados".(1) Na gravura italiana, do século XIV, temos duas mulheres na preparação do macarrão. A primeira, da direita está amassando o macarrão numa mesa, enquanto a segunda mulher está "pendurando" para secar tiras de aletria em uma prateleira própria para essa função. Percebam que a aletria é bem fina, posteriormente os fios ficam mais grossos e chegam ao formato que conhecemos hoje do espaguete. Nessa época retratada na gravura italiana,  o macarrão/massa é um artigo de luxo e presente nas mesas de poucos. Essa realidade perdura até o Renascimento, como nos aponta Gianlucca Del Cielo, "as massas eram consideradas um alimento para os ricos, ocupando lugar de destaque nos banquetes aristocráticos durante o Renascimento. Por exemplo, Bartolomeo Scappi, um chefe papal de meados do século XVI, criou um terceiro prato para um banquete — o qual era composto de frango cozido acompanhado de ravióli recheado com uma pasta feita de barriga de porco cozida, úbere de vaca, porco assado, queijos parmesão e fresco, açúcar, ervas, especiarias e passas". (2) E ainda, "A receita do chefe para o maccheroni alla romanesca era igualmente elaborada. A massa era uma composição de farinha e farelos de pão, misturada com leite de cabra e gema de ovo, achatada até parecer uma folha, e então cortada em tiras finas. Depois de secar, o macarrão era cozido por meia hora, coado e coberto com queijo ralado, fatias de manteiga, açúcar, canela e pedaços de provatura — uma variante romana do queijo muçarela. Finalmente, o prato era levado ao forno por 30 minutos com um pouco de água de rosas para que o queijo derretesse enquanto a massa incorporava o sabor dos temperos".(3) O ravioli, segundo nos aponta o historiador Rudolf Trefzer, um tipo de massa recheada estava presente nas mesas abastadas italianas desde o século XIII. "Durante o Renascimento começaram a se estabelecer inúmeras variantes regionais e preferências, que acabaram tendo seus próprios nomes. Entretanto, desafiando as tendências à diversificação, até o século XVII permaneceram os traços medievais de uma predileção pelos temperos exóticos". Assim, "Nas mansões sensoriais os recheios eram enriquecidos com gengibre, cravo, açúcar e canela, e a água da fervura, aromatizada e amarelada com açafrão ".(4) As massas portanto,  eram até o século XVII uma exclusividadede poucos.
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📚✍🏽 Referências.
🖼 Austrian National Library/Reprodução.
🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar. Uso Educacional.
(1)(2) Françoise Desportes, Os ofícios da alimentação. História da alimentação / sob a direção de Jean-Louis Flandrin e Massimo Montanari ; [tradução de Luciano Vieira Machado e Guilherme J. F. Teixeira]. — São Paulo : Estação Liberdade, 1998. p. 329. (2)(3) Gianlucca Del Cielo. Qual é a verdadeira origem do macarrão?, 11 MAR 20. In: https://www.google.com/amp/s/www.megacurioso.com.br/amp/artes-cultura/113707-qual-e-a-verdadeira-origem-do-macarrao.htm acessado em 20 de outubro de 2021.
(4)Trefzer, Rudolf. Os sabores do Piemonte: receitas, história e histórias. Trad. João Marschner, São Paulo:Editora Senac São Paulo, 2002, p. 73/74. p. 81. 

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