Pular para o conteúdo principal

Assahí.

Assahí ou Açaí: a bebida, o mingau e o alimento. De acordo com Ligia Simonian a palavra “açaí” é um termo de origem tupi
yasa’y(i) que significa “palmeira de água”.(1) Em minha tese eu analiso o consumo diverso do açaí pelas gentes amazônicas. (2)Segundo a historiadora Leila Mourão, no seu estudo de história ecológica sobre esta planta, a mesma “tornou-se conhecida como palmeira amazônica, de cujo fruto se prepara um suco, designado atualmente pelos que
dele fazem uso como “vinho de açaí”. Conforme Mourão, o consumo do açaí ocorria
entre os “Aruans, Anajazes, Mocohons, Mapuazes, Aruãs, tanto quanto entre os Tupynambás, todos moradores do estuário amazônico”. (3)E com menor intensidade
entre os Mundurucu, Maués, Caripunas, Timbiras, Guajás e Galibis do Amapá.(4) Ainda de acordo com Leila Mourão as primeiras aparições do consumo de açaí foram nos relatos de padres missionários franceses, no Maranhão, onde se fez descrição dos diversos usos da palmeira e a fabricação da bebida açaí. “D’Abbeville (1614) constata a presença de grandes extensões de palmeiras (babaçu e yassara-açaí) no Estado do Maranhão e faz referencias à bebida feita dos coquinhos, muito apreciada pelos indígenas e colonos”.(5) O Padre João Daniel, no trabalho intitulado Tesouro descoberto no Rio Amazonas, datado do século XVIII, nos informa que: “De algumas outras bebidas mais deliciosas, como vinho de açaí, de itacaba, de cacau, como os mais usados dos índios mansos, e dos brancos, diversos mais adiante”.(6) Igualmente o viajante Alexandre Rodrigues Ferreira confirma a importância do uso do açaí, em fins do século XVIII, quando enfatizara que: "Dos frutos se extrai o vinho de uassahy, de notável consumo. (7) O Assahí de consumo ancestral é um dos alimentos Paraense de maior identidade regional. Uma boa tigela de açaí com peixe frito ou moqueado é sempre lugar de conforto da alma. E você, como gosta de tomar o teu açaí?
.
.
Referências.
📸 Cozinha Típica regional do Pará. Acervo dos trabalhos de Campo.
In:biblioteca.ibge.gov.br 🔖Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar.
(1) SIMONIAN, Ligia T. L. Açaí, ah! Em Belém do Pará tem! Natureza, cultura e sustentabilidade. Belém: Editora do NAEA; MAÇAÍ; PROEX-UFPA, 2014, p. 105.
(2) MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de. A Cozinha Mestiça uma história da Alimentação em Belém fins do século XIX. Programa de Pós graduação em História social da Amazônia. UFPA. 2016. p. 197.
(3) (4) (5)MOURÃO, Leila. Do Açaí ao palmito: uma história ecológica das permanências, tensões e rupturas no estuário amazônico. Belém: Ed. Açaí, 2011, p. 186, 187, 192, 194.
(6) DANIEL, Padre João. Tesouro descoberto no Rio Amazonas. Rio de Janeiro: Biblioteca Nacional, 1976, p. 205.
(7) 755 FERREIRA, A. R. Viagem Filosófica pela Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá. Memórias: zoologia e botânica. Brasília: Conselho Federal de Cultura, 1972, p. 237.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...

Peixe-boi.

O consumo da carne do peixe-boi era muito importante na composição da dieta alimentar da região amazônica. Segundo Francisco Xavier Sampaio, no século XVIII, a carne de peixe-boi era apreciada, “principalmente a do ventre”, por ser “gostosíssima”. Dessa carne se faziam “chouriços com as próprias tripas”. Conforme deixou registrado em seu Diário da viagem da Capitania do Rio Negro, ainda que tivesse “o nome de peixe, tem mais gosto, e aparência, de carne”.(1) Ambrósio Fernandes Brandão, por sua vez, ressaltava a variedade do consumo da carne de peixe-boi em diversos pratos, inclusive como picados e almôndegas. Segundo Brandão: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca sem haver nenhuma diferença de uma cousa ou outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, ...