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Melancias.

Toda vez que vejo o quadro de Meléndez "Bondegón con sandías (...)" eu penso no relato de Castelnau quando de um jantar de gala, no Mato Grosso, no século XIX e que aconteceria no Palácio do governador em 1845 e que nos diz: "Espetáculo curioso foi o da sobremesa. Em cima da mesa foram postas enormes melancias, cortadas simplesmente em duas metades; cada conviva tomava conta de um desses enormes pedaços, que lhes tapava a cara como uma máscara e de cujo fundo saiam estranhos ruídos produzidos pela sucção". (1) No Brasil, durante todo o século XIX e mesmo antes, o consumo da Melancia era um hábito muito apreciado. Em parte pela refrescância da fruta, mais também pelo seu sabor doce fazia com que ela fosse consumida no almoço, lanche e também no jantar. Daniel Kidder, em 1839, no Ceará nos diz que " A melancia (...) prolifera no Ceará em quantidade prodigiosa. Quando é tempo são elas usadas, não apenas como sobremesa, mas ainda, como gênero alimentício, principalmente pelos índios (...)". (2) Em Belém havia também o hábito de consumir de sobremesas as frutas, nas casas geralmente era comum o hábito de comerem fruta, por exemplo, em 17 de dezembro de 1926, quando o senhor Valentim Moreira dono de uma venda de café e comidas no Mercado Municipal, “comprou uma melancia, levando-a
para casa, comendo-a com sua mulher e filhos como sobremesa do jantar”. (3) Talvez, o fato da Melancia ser tão consumida, justifique ela ser um dos alimentos que aparecem com frequência nos quadro de natureza morta.
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Luis Egidio Meléndez foi um pintor espanhol tido como um dos maiores pintores da temática sobre a natureza morta do século XVIII, as Bodegón. Parte importante de sua obra encontra-se no Museu do Prado.
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Referências.
🎨 Meléndez, Luis Egidio. Bodegón con sandías manzanas en un paisaje. Oleo sobre Licenzo, 1771. . https://www.museodelprado.es/coleccion/obra-de-arte/bodegon-pan-granadas-higos-y-objetos/dab7769d-e01b-4d97-a720-4cae34b8398d 🔖Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar.
(1) Francis Castelnau. Expedição às regiões centrais da América do Sul. São Paulo, Biblioteca Pedagógica Brasileira/Ed. Nacional. 1949. P. 367.
(2) Kidder, Daniel Parish. Reminiscências de viagens e permanência no Brasil. São Paulo, EDUSP/Martins ED, 1972. P.41.
(3) Folha do Norte, 17 de dezembro de 1926, p. 07. 

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