Pular para o conteúdo principal

Hotel St. Nicholas, New York.

Fechando os nossos textos sobres as ostras e seu consumo em New York, vamos para o século XIX, mas precisamente, em 23 de novembro de 1875, o jornal Novo Mundo, publicado em New York, cuja correspondência tinha assinatura no Brasil por dez mil réis por ano e cinco mil réis por semestre, o valor do jornal avulso era de mil réis. Naquele dia, o Novo Mundo, trazia farta matéria sobre o Saint Nicholas Hotel, de New York. O Hotel era dito pelo jornal como um hotel modelo e portanto, deveria ser influência para os hotéis do Brasil. O St. Nicholas estava "situado na grande arteria da cidade,- o Broadway- na esquina da rua Spring" era um hotel "sério e conservador". Mas, hoje o cardápio servido no St. Nicholas sera meu ponto de análise, já que além das Ostras que eram servidas, também podemos passear por outros pratos e hábitos alimentares de seus hóspedes. Durante todo dia até a meia noite a cozinha do St Nicholas estava em atividade. Das 21:00 horas até a meia noite "é servida a ceia de sôpas de ostras, ostras em tôdos os estylos".(1) Vejamos o menu do jantar, do dia 17 de Novembro, onde é possivel visualizar o menu que variava de sopa de tartaruga, perna de carneiro, pato da primavera, lombo de porco, tomates ensopados, frango Buck, língua de vaca, peru do mato, presunto de Cobb e ainda, macaroons, passas, figos novos, sorvete de framboesas(...) Quero chamar atenção para duas questões deste menu, a primeira a presença de todos os tipos como as "ostras assadas nas conchas", "planta de ostra frita em manteiga", "perú molho de ostras" além da "sôpa de oatras". (2) Um segundo ponto interessante é a presença de insumos pertencentes a uma gastronomia brasileira, como Castanhas do Pará "cangica simples" e as cocadas. A fonte nos permite ter uma outra visão, pois estamos acostumados a ver as comidas e pratos de influência européia e americana aqui no Brasil e hoje estamos vendo a presença de alimentos do Brasil em New York. Legal, não!? Daqui partimos pra outras análises...
.
.
.
Referências.
📰 Novo Mundo. 23 de Novembro de 1875.
In: 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

É CARNAVAL.

Na pintura de Debret temos uma imagem do Carnaval  ou como era chamado no século XIX, de Dia d'entrudo. O dia d'entrudo que começava no domingo e seguia-se nos três dias gordos, era dia de festa em que os brincantes se jogavam "limões "cheios de água perfumada. A cena se passava no Rio de Janeiro, no ano de 1823. Segundo Debret: " O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...