Pular para o conteúdo principal

Os padeiros...

Você sabia que a profissão de padeiro é uma das mais antigas? E que durante o Império Romano eles tinham até uma organização própria? Então, falar sobre pão é trazer ao cenário um das profissões mais antigas da humanidade. Jacob no diz que no período Romano "A profissão era considerada qual um artesanato especializado" E ainda, "A consciência profissional dos mestres padeiros revelou-se cedo. Organizavam-se em associações com direitos reconhecidos e garantidos pelo Estado. Dentro das associações regulamentavam os seus direitos patronais e as relações laborais". (1) No período Medieval, para ser padeiro era necessário " em primeiro lugar, o aprendiz tinha de ser filho legítimo de um casal legalmente constituído. Depois de passar por um período probatório assinava um contrato. Dois a três anos era a duração do aprendizado. Uma das obrigações do mestre era verificar se o aprendiz frequentava regularmente a igreja. Após o aprendizado, o candidato recebia uma carta profissional e passava à condição de "companheiro" Era então obrigado a viajar durante três a cinco anos para conhecer outras paragens e outras técnicas de panificação ". (2) Além do mas, essa profissão necessitava que o padeiro tivesse boa saúde pois era bem trabalhosa, desde carregar os sacos de farinha, ficar muitas horas em pé, o calor do forno e o fato de ser um trabalho noturno já que "os habitantes da cidade precisavam de pão fresco pela manhã ". (3) Assim, como nos esclarece Jacob "Na França os padeiros eram conhecidos por "geindres", ou seja, gemidores. "Les gémissements qu'ils poussent à chaque effort pendant le démêlage de la pâte, ont pour but d'empêcher la farine de pénétrer dans les voices reapiratoires" (" os gemidos que soltam a cada esforço enquanto sovam a massa têm a finalidade de impedir que a farinha penetre nas vias respiratórias"). (4). A profissão de padeiro também era eivada de simbologias em torno de si, especialmente o homem medieval, que criou inumeros contos com estes profissionais. A exemplo do conto "O padeiro e a mendiga" de Wilhelm von Kaulbach e o "Padeiro e o diabo". O pão assim é alimento, é profissão e é crença.

.
.
.
Referências.
🎨 O padeiro de Jost Amman com versus de Hans Sachs. Historia Photo, Berlim In: Jacob, Heinrich Eduard. Seis mil anos de Pão. Trad. José M. Justo. São Paulo: Nova Alexandria, 2003. p.132. p 217. 🔖 Qualquer óbice em relação a imagem por favor nos avisar.
(1) (2) (3) Jacob, Heinrich Eduard. Seis mil anos de Pão. Trad. José M. Justo. São Paulo: Nova Alexandria, 2003. p.132. p. 132;220;219.
(4) Jacob. op. cit,. p.220.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A bolacha preta.

Bom Dia! Em fins da década de 80, fazíamos as famosas viagens de carro, no meu caso era de caçamba mesmo,  meu pai que é do Rio Grande do Norte, levava toda a família pra visitar a família dele e íamos felizes daqui do extremo Norte para o Nordeste. Lembro que nas viagens, em especial, na volta mamãe trazia uma boa reserva de Bolacha Preta, que eu vinha degustando e que tanto adoçavam minha viagem e meu paladar. Eram dias muito felizes e saborosos! Na última viagem que minha mãe fez, eu pedi que me trouxesse a dita bolacha, queria matar a saudade gustativa. A sorda é um popular e tradicional biscoito originário do nordeste brasileiro. Feito de uma massa composta de trigo, mel de rapadura e especiarias, tais como cravo, canela e gengibre. É fabricado artesanalmente ou industrializado por fábricas panificadoras em quase todos os estados do nordeste brasileiro, sendo muito consumido na área do sertão. Conhecido também em algumas localidades por bolacha preta, vaca pr...

É CARNAVAL.

Na pintura de Debret temos uma imagem do Carnaval  ou como era chamado no século XIX, de Dia d'entrudo. O dia d'entrudo que começava no domingo e seguia-se nos três dias gordos, era dia de festa em que os brincantes se jogavam "limões "cheios de água perfumada. A cena se passava no Rio de Janeiro, no ano de 1823. Segundo Debret: " O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-...

Filhós, filhoses ou beilhoses.

, Não era biscoito, pão, pudim nem mousse... A primeira receita que reproduzi do livro O Cozinheiro Imperial foi Verdadeira receita de beilhoses. Tenho certeza que muitos conhecem pelo nome de Filhós ou filhoses! Comecei por essa receita, porque ela tem uma memória gustativa tão boa pra mim. Enquanto eu fazia, lembrava dos filhoses que a minha tia Leila fazia e ainda faz .... ahhhh os delas são tão bons, não tem iguais. Foi tia Leila, irmã de minha mãe, que me "apresentou" os filhoses de abóbora e, naquela época eu não imaginava a origem dos beilhoses, mas, como criança gulosa que sempre fui, amava cada pedacinho daqueles filhoses crocantes por fora, macios por dentro e com aquele gosto inigualável de abóbora, canela e açúcar. Consigo até sentir o cheiro e sabor agorinha mesmo. Mas, você sabe que os beilhoses ou filhoses, fazem parte da doçaria portuguesa? O historiador portu...