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Um pouco mais sobre o Peru.

Diferente do que aconteceu com outros produtos do chamado "Novo mundo" o Peru teve aceitação mais imediata na Europa. Em parte porque como nos esclarecem Flandrim e Montanari: " Se o peru foi adotado praticamente desde sua chegada, é porque nas mesas aristocráticas da Idade Média se comia todo tipo de ave de grande porte — algumas intoleráveis, do nosso ponto de vista, como os alcatrazes, as cegonhas, as garças-reais, os grous, os cisnes, os pavões, etc". (1) Ou seja, o hábito de consumir aves de grande porte já era comum por lá. Contudo,  o Peru ganha uma simbologia imensa em torno da ceia de Natal, na Inglaterra e de lá para outros países no século XIX. O historiador Carlos Roberto Antunes dos Santos, argumenta que: " A introdução e fixação do peru como prato principal na Europa e nas Américas, incluindo o Brasil, na comemoração do nascimento de Cristo, transformou o ritual do jantar de Natal em ceia. A abundância, e mesmo a extravagância, caracte...

Peru no Natal?

O belíssimo Peru tão pomposo que aparece num cartão postal de Ação de Graças e que foi encontrado nos papéis de Percy William Townsend, datado de 1911, está disponível nos arquivos do @bedsarchives. O bedfordshire Archives, é  o serviço de arquivos do condado de Bedfordshire, na Inglaterra. A ave que representa a "Ceia de Natal" em diversos lugares do mundo tem uma longa história até essa representação simbólica. Gostaria de dizer uma ou duas "palavras" sobre o Peru na Ceia de Natal. Para que juntos possamos refletir sobre tais questões. Você sabia que a origem do Peru é americana e não europeia? Então, o peru é uma ave americana que era consumida pelos astecas especialmente na festa do Deus Sol. Carlos Roberto Antunes dos Santos [Um dos pioneiros do estudo da alimentação no Brasil] em seu texto "História do peru na ceia de Natal" nos conta um pouco desta história: os astecas, "(...) se alimentavam de animais possíveis de serem encontrado...

Street Food.

Essa semana nossos textos serão sobre as comidas de rua ou as Street Food. Você sabia que a comida de rua remonta a Antiguidade Clássica? E que romanos tinham vários tipos de vendedores ambulantes? A comida de rua ou Street Food já tinha espaço de comércio na Roma Antiga e fazia parte dos hábitos alimentares da população de menor poder aquisitivo. Segundo a historiadora Linda Civitello a comida de rua "nasce" a partir de uma cultura alimentar nas classes baixas em Roma e assim: The ninety percent of the population that made up the lower classes in Rome—the plebeians—lived in poorly built tenement apartments that collapsed or caught on fire. This was negligence, because the same cul- ture built the Colosseum and the Pantheon, which are still standing. The tenements had no kitchens, so street vendors did a thriving business selling bread and grain pastes". (1) Vendedores de comida e bebidas faziam deste comércio seu sustento. Desta forma, vamos começar nossa...

Minhas Receitas Prediletas: Regina Pinheiro.

Quem me acompanha por aqui sabe o quanto eu adoro trabalhar com cadernos e livros de receitas. E como os cadernos de receitas são coleções afetivas antigos.  Então, começo o sábado compartilhando com vocês sobre o projeto da elaboração do livro de receitas, baseado nas receitas prediletas de Dona Regina Pinheiro. O livro que foi presente da minha tia Conce, foi publicado em novembro de 2000, em Belém. E que segundo às palavras da autora: "foi organizado e concebido para perpetuar as muitas receitas que fui guardando ao longo dos anos e que em sua maioria, foram e ainda são preparadas em minha casa". E ainda, "Dele também fazem parte, receitas que me foram dadas por pessoas queridas, conhecedoras da arte de preparar pratos deliciosos". (1) Por essa apresentação vocês podem imaginar as coisas boas que vêm por aí, não é verdade? E se você assim como eu ama cadernos e livros de receitas, clica no link  e assiste o vídeo,  que está disponível no nosso canal d...

Abricó.

Então, o abricó de nome científico Mammea americana L. Também é conhecido ida como nos informa Paulo Cavalcante como: "Abricó do Pará,  Abricó das Antilhas - Mammee Apple, (Santo Domingo); Apricot (inglês); Apricot d'Amerique (francês); Mamey (espanhol); Mamey de Cartagena (Panamá); Mamoeiro (Cabo Verde); Ruri (Nicarágua); Zapóte Mamey (México)". (1) [Se você deseja saber sobre os locais onde ele é nativo, volta no feed dois textos atrás]. A existência de vários nomes em locais diferentes permite que possamos visualizar os diversos locais de consumo do fruto. É um fruto que permite o consumo natural, e ainda, cortado com "a polpa em fatias e deixá-la em maceração com açúcar durante durante algumas horas antes de usá-la. Em salada com outras frutas é muito apreciado, bem como na forma de licor, compota ou geleia, o que é bem reputado por conservar, por muito tempo, o sabor e aroma". (2) A.J Sampaio nos fala que: "abricó do Pará, (de que se faz d...

Abricó-do-pará

No livro, "Alimentos Regionais Brasileiros" o abricó aparece como uma fruta da região Norte que: " é cultivado nos igapós e margens inundáveis de rios na região Amazônica, principalmente no estado do Pará. Árvore de porte médio, podendo atingir 20 m de altura, o abricó se propaga com facilidade por meio de sementes, que germinam entre 12 e 18 dias. A planta pode iniciar a floração a partir de seis/oito anos".(1) Mas, Sidiana e o sabor do abricó? Os viajantes Spix e Martius, quando de sua passagem pelo Pará,  nos falam que: " o chamado abricó-de-pará (Mammea americana L.), uma ameixa às vezes do tamanho da cabeça de criança, que na cor e no sabor se assemelha ao abricó europeu".(2) O abricó europeu que o viajante faz referência, provavelmente era o damasco. Raquel Prato, do site Jardineiro Net, nos diz sobre o fruto e o sabor que: " De formato globoso, eles tem a casca pardacenta, polpa carnosa, amarela a alaranjada e carregam quatro sem...

Abricó.

E o abricó? Tu conheces?  Em uma das cenas de Dalcídio Jurandir, em Santa Maria de Belém do Grão-Pará, o fruto aparece sendo comercializado no Ver-o-peso. Assim: "Ao chegarem ao Ver-o-Peso, lhe apeteceu uma tainha  fresca e Alfredo via, então, uma nova cidade(...) Belém assoalhada de ananazes, toucinhos e rapaduras. Viu, na realidade, foi o padrinho abrir um biribá, provar um gomo, num átimo papar a fruta, enquanto o fruteiro lhe mostrava uns abricós tão cheirosos que seu Alcântara recolheu ao saco levado pelo Alfredo.(1) O abricó, fruto do abricoteiro, segundo Paulo Cavalcante: "O abricoteiro é uma árvore de porte médio,  até 20m de altura, com a copa alongada, densa, de folhagem verde-escura, tronco reto e vertical, do qual exsuda, um leite amarelo e resinado ao ser cortado". E ainda, "O abricó é nativo das Índias Ocidentais e norte da América do Sul, onde é amplamente cultivado, e também por toda a América Central, Antilhas,  Sul da Flóri...