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Mostrando postagens com o rótulo Histórias da Alimentação na Belém Oitocentista.

Você sabia?

José Veríssimo, afirmava que a "tartaruga é verdadeiramente o gado da Amazônia". Isto porque, ao longo do século XIX, uma das carnes mais consumidas na região era a carne de tartaruga. A carne de tartaruga era um dos principais alimentos de sua população. A carne tida como extremamente saborosa e nutritiva, inclusive, era muito apreciada por viajantes estrangeiros que estiveram na Amazônia.  A carne podia ser cozida, ensopada ou assada, uma das formas mais consumidas era picadinha guiada ou o peito assado no forno. Mas, se engana quem pensa que apenas a carne era consumida.  Da Tartaruga praticamente tudo se aproveitava. Dos miúdos fazia-se sarapatel, do fígado fazia se a Paxixá. Fazia-se com os ovos à manteiga de tartaruga, uma iguaria muito apreciada nos interiores e na capital da Amazônia. E ainda, fazia-se a tão desejada mixira. Uma espécie de "linguiça" assada ao moquém e guardada na própria banha ou na do peixe-boi e que durava meses conservadas...

Café Riche.

Em Belém nos idos de 1896, o café Riche era um dos locais para se encontrar e socializar na cidade, em 21 de abril daquele ano, ele oferecia um grande festival em comemoração ao dia de Tiradentes. Era um local de como se dizia"ver e ser visto"! Anúncio de 21 de abril de 1896, jornal Folha do Norte.  Passados um anos depois do anuncio acima, outro anúncio estava sendo publicado sobre o local, desta vez no jornal O Pará, de 12 de Dezembro de 1897, o qual dizia:  "O grande centro da elite paraense é incontestavelmente o Café Riche onde as exmas. famílias encontrarão sempre os apreciaveis sorvetes de copuassú, araça, taperebá, graviola, temperados por excellentes accordes do quinteto Riche".¹  Ora, além de ser o ponto de encontro da elite paraense o local ainda dispunha dos deliciosos sorvetes regionais, isso em fins do século XIX, ou seja, desde aquela época já existia o hábito de tomar sorvetes regionais. Aliás, ao que tudo indica estes eram u...

Chá Lontra.

Em 8 de janeiro de 1910, na cidade de Belém, encontramos o seguinte anúncio: Era então, possível encontrar na cidade à venda o Chá "Lontra", dito de qualidade muito superior, o referido chá era marca registrada de R. S. INGLEHURTS & CO, marca de Liverpool. Em Belém era comum o uso de chá, aliás degustar uma xícara fumegante de um bom chá, de preferencia importado era sinônimo de requinte, sofisticação e bom gosto.  

Manteiga Araponga.

Como não lembrar do personagem de José Veríssimo, no livro o Missionário, publicado em 1891, em que Macário: "O pão fresco, barrado de manteiga inglesa de barril, revelara-lhe delicias gastronômicas, de que seu paladar exigente nunca mais se saciara".   A manteiga especialmente a importada era consumida desde o século XIX, em grande medida na cidade. Este produto era de fato um dos mais vistos nos leilões da capital, sendo a manteiga inglesa uma das preferidas.  A manteiga desde a primeira metade do século XIX já era encontrada no mercado na capital. Ela constituía um artigo de luxo e fazia frente a manteiga de tartaruga.Não apenas na capital, mas em todo o estado do Pará havia o consumo da manteiga importada. O viajante Bates ao fazer referência ao café servido na casa de um proprietário de condição abastada salientava que: "Depois de tomar café com broa quente e manteiga, vestiu-se e foi a missa". O referido relato é da cidade de Óbidos, do ano de 1849. ...

Meu trabalho de História da Alimentação publicado no Jornal Beira do Rio

Sobre meu trabalho de Historiadora e pesquisadora da História da Alimentação em Belém. Publicada em 19 de Dezembro de 2015.  Meu presente de Natal acabou de chegar! Agora sim, meu ano de 2015 vai fechando com chave de ouro.  A edição especial do jornal Beira do Rio, dos 400 anos de Belém está maravilhosa!  Saiu uma matéria sobre minha pesquisa e o livro Do que se come, que está sensacional. Estou tão emocionada!  Pra mim, que sou fruto da Universidade Federal do Pará é uma honra poder estar nesta edição especial. Eu amo a UFPA! Toda minha formação vem de lá, fiz graduação, mestrado e agora faço doutorado, estudando o tema da alimentação.  Fiquei muito feliz com essa edição do Beira Rio. As charges de Walter Pinto são fantásticas. Trabalho maravilhoso!  Agradeço ao acessor Luiz Cézar Santos, a editora Rosyane Rodrigues e a reportagem excepcional de Walter Pinto e toda sua equipa. Tanto cuidado e profissionalismo resultou numa edição única. ...

A farinha de mandioca, a nossa boa e velha farinha...

Olá, leitores! A farinha para mim...é muito mais do que um hábito ou paladar costumeiro... A farinha para mim...é cheiro, gosto e lembrança... Ah...os sabores com lembrança são os melhores e os mais profundos. Para Agassiz, viajante que esteve no Brasil entre 1865-1873, a farinha era: "espécie de fécula grosseira que substitui o pão (...)". p.120.* Assim, mesmo uma fécula grosseira que substitui o pão... Para meu paladar não existe acompanhamento melhor que uma boa farinha ou uma farofa.  “ Fabricação de farinha de mandioca”. Johan Moritz Rugendas. MCB, São Paulo.              Em nosso país desde o início os hábitos alimentares fazem-se presentes numa mistura de sabores.  O período colonial na Amazônia começa, no entanto, mais tarde a partir do início do século XVII com a fundação de Belém.              Assim o português teve que se acostumar com certos hábitos como a utilização...

IX Encontro Regional de História

Olá, leitores! No período de 10 a 13 de Novembro de 2014, acontecerá em Belém, IX Encontro Regional de História, em Belém, na Universidade Federal do Pará.    Memória e Cidadania: diálogos entre  história e política. Para os interessados estarei ministrando o Mini Curso:História da Alimentação na Amazônia (1850-1900). Embora interesse de objeto de estudiosos desde pelo menos o século XIX, quando alguns trabalhos sobre a história da alimentação ou de práticas alimentares vieram a ser publicados na Europa, foi com certeza no século XX que a historiografia melhor se debruçou sobre o tema, tornando-o um campo de pesquisa igualmente aberto aos historiadores, visto que até então o era restrito ao olhar médico, mesmo que humanista, ou daqueles ligados ao folclore e à antropologia.  Não perdendo de vista, portanto, como fora construído o campo de investigação historiográfica acerca da história da alimentação, atentando para a sua importância como lócus para uma ...

Beijú, beijus, beiju de cica...

Olá, leitores! Um dos hábitos de nossa terra é o consumo do beiju com um bom café, aqui em casa, geralmente no fim de semana passamos na feira da Dr. Moraes e compro duas ou três sacolas recheadas de beiju de Cica esquento no forno, passo uma manteguinha e com uma xícara fumegante de café "a la Chico Fidêncio"*, faço a felicidade por aqui. Hoje meu post é sobre o Beiju! O beiju é uma espécie de "bolacha" redonda (os meus quebraram na viagem); feito de massa de tapioca ou mandioca que vai ao forno e fica crocante, é regional e assim como alguns pratos a base de mandioca, tiveram suas origens nas tribos indígenas. O Beiju também era produzido no Nordeste, alguns relatos, datam da Bahia.   Um dos primeiros relatos sobre o Beiju, está datado do século XVIII, quem o fez foi Fernão Cardim, por volta de 1583-1590. Cardim, era um jesuíta português, que chegou ao Brasil, em 1583 e esteve em vários estados, provavelmente este relato foi elaborado com base em sua viv...

Era uma vez...Tia Rufina...

Olá, leitores! Era uma vez...Tia Rufina... Lembro hoje da história de tia Rufina, a qual, segundo relato do inglês Henry Bates, que viajou pela Amazônia entre 1848 e 1859. Fez sua própria história, Bates conheceu esta “velha negra” chamada Tia Rufina, em Belém, deixando em sua casa suas coisas quando se ausentava em viagem. Segundo Bates, Tia Rufina nasceu escrava e como tal obtivera permissão para “comerciar” por conta própria no mercado, pagando uma quantia fixa ao seu senhor.  Assim, conseguiu em “poucos anos” economizar e comprar a sua liberdade e a de seu filho já adulto. Depois de livre Tia Rufina não esmoreceu, continuando seu comércio, conseguindo comprar sua casa, “uma propriedade de valor, localizada numa das principais ruas da cidade”. Mas, ainda não era tudo. Sete anos depois, Bates voltou a encontrar Tia Rufina, e “ela continuava prosperando, unicamente pelo seu próprio esforço (era viúva) e o de seu filho” que trabalhava como ferreiro. Nesta ocasião, Tia Rufina...

Tabernas...na Belém de outrora!

Olá, leitores! As tabernas eram espaços próprios da venda de artigos onde se podia encontrar desde café até mesmo pirarucu ou bacalhau; eram assim detentores de certa variedade que atendiam dos mais simples aos mais exigentes fregueses. Tais espaços vendiam não apenas produtos alimentícios, mas diversos outros itens como copos de vidro, paninhos de mesa e outros; seus proprietários tinham estabelecimento fixo, na maioria das vezes na frente das casas com moradia ou ainda um prédio cujo fim destinava-se ao comércio e por isso pagavam impostos. Na cidade de Belém, as tabernas estavam geralmente localizadas em ruas ou avenidas onde havia um fluxo de pessoas destinadas a abastecer suas casas com os produtos variados. Eram lugares que abriam no horário comercial, tanto que ficavam nos bairros conhecidos por tal atividade em ruas como d’Alfama, Largo de Sant’ Ana ou mesmo dos Mercadores. Algumas próximas a casas destinadas à venda de panos finos, perfumarias etc... No entanto, é cedo dem...

Sobre a Fabricação da Farinha...algumas palavras.

Olá, leitores! Hoje vou dar voz ao viajante  Agassiz, Louis, quando esteve no Pará, nos idos do século XIX. Sua expedição, saiu de Nova York por volta de 1865 e passou pelo Rio de Janeiro, Minas Gerias, Nordeste do Brasil e Amazônia. seu proposito era fazer um estudo da mestiçagem. Mas, o que nos interessa aqui  são as descrições minuciosas sobre os hábitos alimentares. Trago à vocês a descrição feita por ele sobre a nossa "farinha de todo dia". Então, vamos conhecer um pouco desse processo pela "voz" de Agassiz:  “Pela manhã, minhas amigas índias me mostraram como se prepara a mandioca. Esta planta é de inestimável valor para essa pobre gente: ela lhes dá a farinha_espécie de fécula grosseira que substitui o pão,_ a tapioca e ainda uma espécie de bebida fermentada a que chamam tucupi, dádiva de valor duvidoso, pois que lhes fornece o veneno da embriaguez.* Depois de descascados os tubérculos da mandioca são ralados num ralador grosseiro. Obtém-se assim uma es...

Sobre o peixe...

Olá, leitores! No século XIX o peixe seco foi extremamente comum na dieta da população, diferenciando-se nas mesas apenas pela espécie e formas de preparo. Entre esses peixes estavam o pirarucu, a gurijuba, o tambaqui a tainha e outros.  Além de serem constantes os peixes possuíam uma diversidade de preparo. Ele era saboreado com gosto e na falta de outros tipos de carnes não era nenhum sacrifício come-lo, apesar da carne verde ser um dos principais produtos requeridos na capital. A carne de peixe era uma das mais consumidas e diferentemente do que ocorria em outras regiões ou países, o caboclo e demais pessoas sempre recorriam ao peixe seco ou fresco para matar a fome, isto é, na falta da carne tinha o recurso dos peixes até porque a quantidade e variedade dos rios davam uma fartura e abundância.  A população dos interiores do Pará recorriam aos rios tão abundantes na região, comendo ao lado da farinha pirarucu, o peixe-boi, as tainhas e afins. Em muitos documentos é po...

Uma notícia sobre a Belém do século XIX.

Corria o ano de 1898, o teatro paraense seria laureado com uma revista de costumes paraenses, escrita pelo consagrado autor de obras teatrais Arthunio Vieira, a peça que naquele momento já estava nos ensaios, estaria dividida em três atos, com 32 números de música, trataria do cotidiano da cidade de Belém. Segundo Aristarcho, autor da matéria sobre a referida peça seria um grande sucesso, pois, seria escrita em linguagem simples e até mesmo popular, sem, contudo, ser uma linguagem que pudesse ofender ou escandalizar a sociedade. A peça intitulada por “Belém... de bicycleta”. Dentre seus personagens estariam: A Intendência, o cyclismo, a porca, iluminação elétrica, a luz elétrica paraense, um padeiro, um hoteleiro, um peixeiro, um sorveteiro, um cocheiro, um guarda municipal, o café-beirão, o assahy, o tacacá, a história, os vendedores ambulantes, os estabelecimentos comerciais como a “Formosa Paraense”; “Paris n’America” e “Bom Marché”, estes três últimos eram alguns dos principais ...

O Escravo José e outros que viviam da venda do Açaí, em Belém no século XIX...

Olá, leitores! Largamente vendido e consumido pelas ruas de Belém, escravos e livres empregavam-se e viviam do abastecimento de açaí tal como o escravo José, apanhador de açaí e pescador, que fugido da padaria de seu senhor suspeitava-se que andava “próximo do engenho que foi de Benjamim Uptão” nas proximidades de Belém. Pescador e apanhador de açaí, José em fuga continuou vivendo do trabalho que sabia fazer. Mas, não foi o único fujão vivendo seus dias de liberdade sustentando-se do trabalho de apanhar açaí. Frederico também apanhava açaí, vendendo-o na cidade; sendo Benedicto, “conhecido por Massarico”, outro que em dezembro de 1867 constava andar fugido “apanhando assahy”, provavelmente para vender pelas feiras e mercados de Belém. E ainda em 1870 o escravo Estanisláo do senhor Antonio Manoel Nunes de Irituia que, ao que consta, encontrava-se pelos arredores das ilhas das onças e que vinha todos os dias a capital vender açaí. Além deles, havia ainda Jerôncio, nascido, criado e ...

Sobre o Açaí.

Olá, leitores! Bom Dia! Você sabia?  Em 1888 Marques de Carvalho em seu livro Hortência comentando sobre o uma tarde na cidade, mais especificadamente na Rua das Flores “Vendedeiras de açaí passam com a gamela à cabeça, coroada pela vasilha de barro, contendo o liquído, que elas oferecem à freguesia na sólita cantiga: - E... e... eh! Açaí fresqui..i...i...nho!”.  Entre a observação de Avé-Lallemant e a de Marques de Carvalho pode-se dizer que as vendedoras de açaí atravessaram toda a segunda metade do século XIX, com suas cantigas de venda, oferecendo em sua gamela com vasilha ou panela um dos alimentos cotidiano de Belém. O consumo de açaí era e é bastante regular na cidade de Belém e praticamente quase todo o abastecimento dessa fruta vinha dos interiores.  E apesar disso, ainda não encontramos anúncio desse produto nos jornais. Mesmo assim, como parte da farinha, era comercializada no Ver-O-Peso e no Porto do Sal. Ou o açaí era ser vendido pelos vendedores ...

Você sabia?

Para muitos moradores de Belém, na segunda metade do século XIX,  um bom prato de comida consistia em uma porção de farinha bem torrada acompanhada de bananas da terra fritas e uma posta de pirarucu, fresco ou seco. A farinha também era usada no preparo do pirão, alimento feito com caldo de peixe e farinha ou ainda, no xibé – água com um punhado de farinha, servida em tigela...

Uma manifestação em outros tempos...

Olá, leitores! Em época de manifestações populares ao longo do Brasil, trago à vocês uma  manifestação de taberneiros contra as quitandeiras, ocorrida em Belém, em março de 1852; na verdade era uma petição dos taberneiros.  Belém contava com diversos tipos de estabelecimentos destinados à venda de alimento. Entre eles, tabernas, vendas ambulantes, barracas, quitandas, cafés e restaurantes. Em cada um desses espaços, pessoas circulando, a vida acontecendo, bem como as disputas e tensões aflorando entre os sujeitos que buscavam fazer do comércio de comida esteio de sua sobrevivência ou até mesmo fortuna. Em 1852, por exemplo, no dia 13 de março, na capital da província, o jornal O Monarchista Paraense publicou pedido dos taberneiros do 3ª Distrito da capital pedindo aos respectivos fiscais que redobrassem a vigilância sobre as quitandeiras, pois, eles que pagavam os direitos e impostos devidos para a venda de produtos nacionais e importados saíam no prejuízo já que aquelas a...

Vende-se na Mercearia Amazonia em 1891.

 Vocês sabia?  Olá, leitores! Quem lê-se o jornal em 1891, encontrava um anúncio da Mercearia Amazonia, localizada na cidade de Belém, que havia acabado de receber para as festas de Natal: "caixinhas com fructas chrystalisadas, mimosos bouquets de amendoas e outros minos para presentear. Além de queijos londrinos, flamengo e roquefort".  Acho muito interessante que estes alimentos eram dados como presentes de natal em caixinhas. Vale dizer que estes produtos eram considerados caros e finos daí ser um dos motivos de serem dados em caixinhas de presente. Até o próximo prato!

Ver-O-Peso...

“O Ver-o-peso era muito mais que um porto, já que em torno das muralhas da doca acontecia uma feira a céu aberto, com uma balbúrdia de gente e produtos de toda espécie onde eram vendidos artesanato popular, flores, ervas e frutas”. (GERODETTI, João Emílio- CORNEJO, Carlos. Lembranças do Brasil: as capitais brasileiras nos cartões postais e álbuns de lembranças. São Paulo: Solaris Edições Culturais, 2004. P. 224.) Imagem 1: Cartão Postal, 1910. GERODETTI, João Emílio- CORNEJO, Carlos. Lembranças do Brasil: as capitais brasileiras nos cartões postais e álbuns de lembranças. São Paulo: Solaris Edições Culturais, 2004. P. 224.) Pela imagem, datada de 1910,  vê-se que as canoas eram parte do cenário da Doca do Ver-O-Peso, entre as canoas e produtos é possível visualizar o fluxo intenso de pessoas que iam desde o carregador até os comerciantes os donos das mercadorias, desde aquela época o Ver-O-Peso já destacava-se como o que Osvaldo Orico denomina de Feir...

Ah, o Tacacá...

Olá, leitores! N um final de tarde, é a hora mais oportuna para os paraenses degustarem um bom Tacacá... aquela cuia com um ar fumegando de quente, que mesmo com o clima de calor da Amazônia, tem seu público fiel.   Sobre o tacacá Ave-Lallemant nos idos do século XIX, nos conta que:  “ bebi também com maior naturalidade essa cacofonia, e achei-a bem saborosa. Preparam-na com o amido da mandioca macerada, e até com o suco da raiz mesmo, aliás, muito venenoso. Na língua da terra chamam esse suco de tucupi. Cozido dum modo especial, perde porém, a qualidade venenosa e dá à bebida glutinosa um pronunciado sabor acidulado, que tornam mais picante, adicionando-lhe pimenta. Não há duvida que essa bebida é nutritiva...". Fonte:  AVÉ-LALLEMANT, Robert. No rio Amazonas. Trad. Eduardo de Lima Castro. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1980. p. 214. Antigamente, o tacacá era mais consumido em Belém, acho que com a correria do dia-a-di...