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Mostrando postagens com o rótulo Eu sendo Historiadora

O imaginário sobre a fome.

Banquete.  Na história da humanidade o imaginário sobre a fome leva de certo modo a um pânico e temor a oposição a ela possibilitou também a construção de um sentimento oposto: a fartura e abundância. Daí, a "necessidade" das pessoas nesta pandemia de correrem aos supermercados comprando tudo que podem. Como nos aponta Hilário Franco Júnior, o "Ocidente medieval cristão via na fome uma das maiores ameaças à sua sobrevivência. Ameaça concreta" (P.56). Então, ainda que fosse no imaginário o homem viveria de fartura ou sonhando em encontrá-la motivo pelo qual as pessoas se sentem seguras quando tem uma oferta de comida em abundância. A abundância de comida povoa o imaginário popular desde muito cedo em contraposição à Fome, está na bíblia, o milagre dos pães e peixes. Uma preocupação que chega à Antiguidade Clássica nos grandes banquetes. Ter muita comida ou imaginar que em algum lugar haveria oferta sem fim, foi um dos pensamentos que mais se fez prese...

A fome e a escassez de alimentos ao longo da História da humanidade.

No filme Spirited Away, de 2001, dirigido por Hayao Miyazaki que conta a história de Chichiro que está de mudança de cidade com os pais. No caminho os pais resolvem pegar um atalho, num determinado momento eles encontram casas cheias de comidas de todos os tipos sendo ofertados à eles. Num impulso os pais de Chichiro devoram as comidas sem saber se podiam ou sem ao menos perguntar de onde vinham, e por isso, eles se transformaram em porcos. Cabendo a filha ir em busca da "salvação". A humanidade tem fóbia a duas coisas em específico: a morte e a fome. Em parte porque são duas situações que mais afligiram às sociedades ao longo do tempo. O medo em não ter o que comer é uma realidade nas sociedades. A Fome mata muita gente no mundo todos os dias. Nestes dias observando as notícias e vendo que várias delas dão conta de supermercados com prateleiras vazias e muita correria pensei em como a questão de estocar comida é antiga, e ao longo da História da humanidade sempre est...

A máquina de pizza do filme de Volta para o futuro II.

Adicionar legenda No Filme "De Volta para o Futuro Parte II", de 1989, era possível consumir uma pizza hidratada da marca Pizza Hut, que do tamanho de um "cookie", era colocada pra "hidratar" numa máquina Black & Decker, e num espaço de " minuto" saía da máquina do tamanho de uma pizza grande, bem quentinha e suculenta. No filme o cientista Dr. Brown levava Marty e sua namorada para o ano de 2015, uma viagem para o futuro. E muitas tecnológias daquele futuro de 2015 surgiam na tela, e hoje alguns deles são realidades como: tablet, TV plana, cinema 3D, hoverboards. Mas, a máquina que hidrata comida ao ponto dela duplicar de tamanho, isso não! E Apesar de termos o microondas que além de aquecer faz pratos completos, não é igual a máquina do filme. Pensando sobre essa questão, a quarentena que estanos vivendo e o mundo da cozinha e até que ponto nós realmente precisamos de todas as tecnologias que existem? Que elas são p...

Fish and chips.

Boa Tarde, gente! Estou conseguindo aos poucos atualizar meu blog. Eu não abri mão deste canal, que foi o meu primeiro. Na sexta-feira passada inaugurei as sextas de "Pratos Típicos" com Fish and chips prato tradicional da culinária britânica, que é composto por um filé de peixe empanado frito e acompanhado de batatas fritas.  A imagem acima, de um cartão postal intitulada "O final de dia perfeito em Llandudno", nos mostra bem essa tradição. Um homem de Llandudno, que come um apetitoso "fish and chips", apetitoso porque toda vez que eu vejo está imagem eu fico com água na boca. E que o final do dia pra ser perfeito deve ser com a sua porção do prato. Llandudno, é uma cidade do País de Gales, localizado na península de Creuddyn. Cidade localizada a Beira-mar com peixe fresquinho, local ideal para um bom Fish and chips. O peixe deve ser empanado em massa leve elaborada com cerveja ou água gasosa e frito em uma gordura quentíssima. As batatas frita...

A Cozinha Chinesa.

Compartilho a riqueza das práticas e da cozinha Chinesa! A China é formada por uma culinária milenar, uma das mais diversificadas que pela sua história de escassez e fomes procurou aproveitar ao máximo tudo que fosse comestível. É uma cozinha que buscou ao longo da sua história criar "combinação de aromas, sabores e cores, mas também pelo contraste de texturas e consistências". (P. 130). Sempre relacionaram alimentação à saúde, a comida. "Qualquer enfermidade é sempre atribuída à alimentação ". (P. 131). O chá por exemplo, antes de se tornar uma bebida de consumo diário era utilizado como remédios. É uma cozinha que desenvolve -se a partir das suas dificuldades, encontrando um caminho viável no meio de tantas limitações. Vocês já se perguntaram o porquê que nesta cozinha grande parte dos pratos é elaborada em pedaços pequenos? Bem, em primeiro lugar é uma cozinha que quem corta os alimentos é o/a cozinheiro(a) não os comensais. No desenho da Cozinha Chinesa, vem...

Algumas palavras...

Quem lembra do filme Contágio de 2011? Era sobre um epidemia que começava a partir do contato com um vírus, na carne de porco. A personagem Beth Emhoff tem contato e desenvolve a "gripe" que a leva a morte em poucos dias. O filme, nos lembra a realidade de uma pandemia que estamos vivendo em todo o mundo. Mas, nos traz algumas questões para pensar. Que ao longo da História da Humanidade, as pestes e epidemias que assolaram a humamidade sempre estão direta ou indiretamente relacionadas aos alimentos ou a falta deles. Sabe-se que,provavelmente, o vírus Covid-19 se manifestou em uma feira de animais vivos nos idos de dezembro de 2019 na província de Wuhan, na China, depois falou -se que o consumo de animais tidos como exóticos, no caso dos morcegos, eram fatores responsáveis. O consumo do morcego desenvolve um vírus denominado de Sars, assim o vírus foi rebatizado de Sars-CoV-2. Não é característica apenas da China, e não é de hoje que animais tidos como "exóticos...

Você sabia?

José Veríssimo, afirmava que a "tartaruga é verdadeiramente o gado da Amazônia". Isto porque, ao longo do século XIX, uma das carnes mais consumidas na região era a carne de tartaruga. A carne de tartaruga era um dos principais alimentos de sua população. A carne tida como extremamente saborosa e nutritiva, inclusive, era muito apreciada por viajantes estrangeiros que estiveram na Amazônia.  A carne podia ser cozida, ensopada ou assada, uma das formas mais consumidas era picadinha guiada ou o peito assado no forno. Mas, se engana quem pensa que apenas a carne era consumida.  Da Tartaruga praticamente tudo se aproveitava. Dos miúdos fazia-se sarapatel, do fígado fazia se a Paxixá. Fazia-se com os ovos à manteiga de tartaruga, uma iguaria muito apreciada nos interiores e na capital da Amazônia. E ainda, fazia-se a tão desejada mixira. Uma espécie de "linguiça" assada ao moquém e guardada na própria banha ou na do peixe-boi e que durava meses conservadas...

Você Sabia?

Hoje um hábito muito simples e que está presente na mesa de tantas pessoas:o uso do garfo, não foi um hábito rápido de ser utilizado  e nem mesmo de todas as pessoas!  As formas e usos dos utensílios domésticos variaram muito ao longo da história. Nas mesas dos ricos no século XIII, as colheres eram de ouro, cristal e outros materiais que ostentavam riqueza e opulência.  O garfo, surgiu apenas ao fim da Idade Média e não era um utensílio individual. Ele era usado apenas para retirar os alimentos da travessa comum. Mas, mesmo nas classes mais abastadas ele não era muito comum. Seu uso também não foi aceito em todas as cortes com rapidez e de maneira comum, em muitos locais não havia a aceitação do uso do garfo, fazer uso dele era uma ofensa muito grande aqueles que nao estavam acostumados.  Nobert Elias, nos diz que devemos estar atentos para entender e analisar os usos e costumes das sociedades. Muitos hábitos estavam tão enraizados que "aquele grupo" em es...

Café Riche.

Em Belém nos idos de 1896, o café Riche era um dos locais para se encontrar e socializar na cidade, em 21 de abril daquele ano, ele oferecia um grande festival em comemoração ao dia de Tiradentes. Era um local de como se dizia"ver e ser visto"! Anúncio de 21 de abril de 1896, jornal Folha do Norte.  Passados um anos depois do anuncio acima, outro anúncio estava sendo publicado sobre o local, desta vez no jornal O Pará, de 12 de Dezembro de 1897, o qual dizia:  "O grande centro da elite paraense é incontestavelmente o Café Riche onde as exmas. famílias encontrarão sempre os apreciaveis sorvetes de copuassú, araça, taperebá, graviola, temperados por excellentes accordes do quinteto Riche".¹  Ora, além de ser o ponto de encontro da elite paraense o local ainda dispunha dos deliciosos sorvetes regionais, isso em fins do século XIX, ou seja, desde aquela época já existia o hábito de tomar sorvetes regionais. Aliás, ao que tudo indica estes eram u...

João Rufino.

Era o ano de 1897, o dia era 15 de dezembro, na cidade de Belém, no seu centro e em torno dele muitas pessoas passavam todos os dias para os seus afazeres diários, naquela época a cidade de Belém tinha o maior porto da região. Eram navios que chegavam e saiam todo os dias, a vida era muito movimentada em torno do Ver-o-peso. Um destes personagens era João Rufino adorador de uma boa bebida sobre ele encontramos a seguinte notícia: "João Rufino bebe, não bebe pouco. Quando bebe, não come; mas quando chega à conta; dá-lhe uma fome...e mais que fome: dá-lhe umas phantasias. Hontem, cerca de 11 horas do dia, estava o nosso Rufino, ali pelo Ver-o-pezo, sob uma carga de alto lá com ella. Deitava discursos e... nos intervallos, petiscava os doces, que em charões, algumas vendedoras ambulantes ali tinham. Chega o capitão Mattos, apieda-se do homenzinho e fal-o conduzir ao xadrez da estação". 1 A notícia nos aponta duas realidades naquele momento da cidade de Belém. A primeira dela...

Chá Lontra.

Em 8 de janeiro de 1910, na cidade de Belém, encontramos o seguinte anúncio: Era então, possível encontrar na cidade à venda o Chá "Lontra", dito de qualidade muito superior, o referido chá era marca registrada de R. S. INGLEHURTS & CO, marca de Liverpool. Em Belém era comum o uso de chá, aliás degustar uma xícara fumegante de um bom chá, de preferencia importado era sinônimo de requinte, sofisticação e bom gosto.  

Manteiga Araponga.

Como não lembrar do personagem de José Veríssimo, no livro o Missionário, publicado em 1891, em que Macário: "O pão fresco, barrado de manteiga inglesa de barril, revelara-lhe delicias gastronômicas, de que seu paladar exigente nunca mais se saciara".   A manteiga especialmente a importada era consumida desde o século XIX, em grande medida na cidade. Este produto era de fato um dos mais vistos nos leilões da capital, sendo a manteiga inglesa uma das preferidas.  A manteiga desde a primeira metade do século XIX já era encontrada no mercado na capital. Ela constituía um artigo de luxo e fazia frente a manteiga de tartaruga.Não apenas na capital, mas em todo o estado do Pará havia o consumo da manteiga importada. O viajante Bates ao fazer referência ao café servido na casa de um proprietário de condição abastada salientava que: "Depois de tomar café com broa quente e manteiga, vestiu-se e foi a missa". O referido relato é da cidade de Óbidos, do ano de 1849. ...

Palace Casino em Belém.

A cidade de Belém também teve casinos, no ano de 1941, a empresa Felix Roque, localizada no Edifício Grande Hotel e que era proprietária do Palace Casino a partir das 21 horas, trazia amplo "serviço completo de chás, viúvas (eram pastéis portugueses), chocolates, leite, torradas, dôces finos" juntamente com um esmerado serviço de restaurante. Ora, na cidade de Belém ainda é comum em algumas casas, o hábito de "jantar" café com leite com gostosuras da hora do chá.   Anúncio em jornal da Folha do Norte do ano de 1941. Importante também notar que no referido Palace Casino era possível encontrar uma excelente música da Palace Jazz com a voz de Rosalvo Giuigni, então o tenôr da rádio Tupi do Rio e São Paulo, o qual, interpretaria canções internacionais.Pelo anúncio nota-se que o tenôr tinha importância e era reconhecido nacionalmente, fato que refina ainda mais o evento.  A cidade de Belém assim, aparece pelo anúncio como uma cidade que a semelhança das gran...

Bar Paraense apresenta...

No ano de 1929, em Belém, o Bar Paraense, estabelecimento muito conhecido e frequentado da cidade apresentava um espetáculo cômico ítalo-americano intitulado Maechisio- La Chilenita  com "festejados artistas cantores, em todos os gêneros de canto" e ainda "afinado jazz-band, nos intervalos".  Contava ainda com um cardápio variadíssimo e iguarias que iam desde paca no tucupi até mesmo pratos europeus. Além do Sochopp inigualável. Tais tipos de espetáculos eram comuns na cidade neste momento. O Bar ainda se anunciava como um "centro de diversões de 1° ordem. Moralidade e conforto". Assim, o bar se colocava com todas as qualidades exigidas por parte da população naquele momento. 

Meu trabalho de História da Alimentação publicado no Jornal Beira do Rio

Sobre meu trabalho de Historiadora e pesquisadora da História da Alimentação em Belém. Publicada em 19 de Dezembro de 2015.  Meu presente de Natal acabou de chegar! Agora sim, meu ano de 2015 vai fechando com chave de ouro.  A edição especial do jornal Beira do Rio, dos 400 anos de Belém está maravilhosa!  Saiu uma matéria sobre minha pesquisa e o livro Do que se come, que está sensacional. Estou tão emocionada!  Pra mim, que sou fruto da Universidade Federal do Pará é uma honra poder estar nesta edição especial. Eu amo a UFPA! Toda minha formação vem de lá, fiz graduação, mestrado e agora faço doutorado, estudando o tema da alimentação.  Fiquei muito feliz com essa edição do Beira Rio. As charges de Walter Pinto são fantásticas. Trabalho maravilhoso!  Agradeço ao acessor Luiz Cézar Santos, a editora Rosyane Rodrigues e a reportagem excepcional de Walter Pinto e toda sua equipa. Tanto cuidado e profissionalismo resultou numa edição única. ...