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Mostrando postagens com o rótulo Histórias da Alimentação na Belém

Você sabia?

José Veríssimo, afirmava que a "tartaruga é verdadeiramente o gado da Amazônia". Isto porque, ao longo do século XIX, uma das carnes mais consumidas na região era a carne de tartaruga. A carne de tartaruga era um dos principais alimentos de sua população. A carne tida como extremamente saborosa e nutritiva, inclusive, era muito apreciada por viajantes estrangeiros que estiveram na Amazônia.  A carne podia ser cozida, ensopada ou assada, uma das formas mais consumidas era picadinha guiada ou o peito assado no forno. Mas, se engana quem pensa que apenas a carne era consumida.  Da Tartaruga praticamente tudo se aproveitava. Dos miúdos fazia-se sarapatel, do fígado fazia se a Paxixá. Fazia-se com os ovos à manteiga de tartaruga, uma iguaria muito apreciada nos interiores e na capital da Amazônia. E ainda, fazia-se a tão desejada mixira. Uma espécie de "linguiça" assada ao moquém e guardada na própria banha ou na do peixe-boi e que durava meses conservadas...

Você Sabia?

Hoje um hábito muito simples e que está presente na mesa de tantas pessoas:o uso do garfo, não foi um hábito rápido de ser utilizado  e nem mesmo de todas as pessoas!  As formas e usos dos utensílios domésticos variaram muito ao longo da história. Nas mesas dos ricos no século XIII, as colheres eram de ouro, cristal e outros materiais que ostentavam riqueza e opulência.  O garfo, surgiu apenas ao fim da Idade Média e não era um utensílio individual. Ele era usado apenas para retirar os alimentos da travessa comum. Mas, mesmo nas classes mais abastadas ele não era muito comum. Seu uso também não foi aceito em todas as cortes com rapidez e de maneira comum, em muitos locais não havia a aceitação do uso do garfo, fazer uso dele era uma ofensa muito grande aqueles que nao estavam acostumados.  Nobert Elias, nos diz que devemos estar atentos para entender e analisar os usos e costumes das sociedades. Muitos hábitos estavam tão enraizados que "aquele grupo" em es...

Café Riche.

Em Belém nos idos de 1896, o café Riche era um dos locais para se encontrar e socializar na cidade, em 21 de abril daquele ano, ele oferecia um grande festival em comemoração ao dia de Tiradentes. Era um local de como se dizia"ver e ser visto"! Anúncio de 21 de abril de 1896, jornal Folha do Norte.  Passados um anos depois do anuncio acima, outro anúncio estava sendo publicado sobre o local, desta vez no jornal O Pará, de 12 de Dezembro de 1897, o qual dizia:  "O grande centro da elite paraense é incontestavelmente o Café Riche onde as exmas. famílias encontrarão sempre os apreciaveis sorvetes de copuassú, araça, taperebá, graviola, temperados por excellentes accordes do quinteto Riche".¹  Ora, além de ser o ponto de encontro da elite paraense o local ainda dispunha dos deliciosos sorvetes regionais, isso em fins do século XIX, ou seja, desde aquela época já existia o hábito de tomar sorvetes regionais. Aliás, ao que tudo indica estes eram u...

João Rufino.

Era o ano de 1897, o dia era 15 de dezembro, na cidade de Belém, no seu centro e em torno dele muitas pessoas passavam todos os dias para os seus afazeres diários, naquela época a cidade de Belém tinha o maior porto da região. Eram navios que chegavam e saiam todo os dias, a vida era muito movimentada em torno do Ver-o-peso. Um destes personagens era João Rufino adorador de uma boa bebida sobre ele encontramos a seguinte notícia: "João Rufino bebe, não bebe pouco. Quando bebe, não come; mas quando chega à conta; dá-lhe uma fome...e mais que fome: dá-lhe umas phantasias. Hontem, cerca de 11 horas do dia, estava o nosso Rufino, ali pelo Ver-o-pezo, sob uma carga de alto lá com ella. Deitava discursos e... nos intervallos, petiscava os doces, que em charões, algumas vendedoras ambulantes ali tinham. Chega o capitão Mattos, apieda-se do homenzinho e fal-o conduzir ao xadrez da estação". 1 A notícia nos aponta duas realidades naquele momento da cidade de Belém. A primeira dela...

No Vesúvio tem manteiga "Hyena".

Em Belém, em novembro de 1931, também se comia a Manteiga "Hyena". A dita manteiga era vendida na Mercearia Vesúvio, está mercearia era uma das maiores e mais estabelecidas na cidade, vendia inúmeros produtos alimentícios e os mais variados tipos.  O anúncio que enfatiza em letras maiúscula o nome da manteiga, nos indicam que a referida manteiga era conhecida na cidade, o fato de um "laboratório" comprovar que ela "era a melhor que tem vindo ao mercado" indica um caráter cientifico que comprove suas qualidades. Ou seja, buscava-se no anúncio demonstrar o quanto a dita manteiga era a melhor e tinha as maiores qualidades.  Mas, também o anúncio nos indica que está manteiga não era provavelmente de preço baixo, uma vez que, era vendida no Vesúvio, uma das Mercearias mais conceituadas da cidade naquele momento e que além de manteiga vendia também frutas importadas, queijos entre outros.  Notem também que o caráter diferencial da manteiga se faz quan...