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Mostrando postagens de 2026

Mestre Martinho- Arraial.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também em outras festividades, os arraiais, faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o arraial de Mestre Martinho, no Umarizal,  cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado...

Menu de Madame.

Segunda-feira com receita histórica, da coluna Menu de Madame, publicada em Belém,  no jornal Folha do Norte, no ano de 1950. As receitas são também retrato do contexto daquela época e da sociedade. Através dos ingredientes e das formas de preparo é possível identificar todas as misturas e influências ao longo de seu processo histórico.(1) A coluna Menu de Madame era voltada para a mãe, a mulher da casa, dona do lar, socializando receitas. Importante dizer que a coluna publicada no jornal Folha do Norte pode ser compreendida à luz das explanações de Maluf & Mott, quando demonstram a constituição de um padrão pelo qual a sociedade, nas primeiras décadas do século XX, construiu para o papel da mulher como mãe de família. Um discurso que era elaborado a partir do papel de mãe, esposa e dona de casa. (2) A historiadora Maria Cecília Pilla ao analisar os manuais de administração do lar e livros de cozinhas que circulavam no Brasil da virada do século XX até...

Sabores do Arquivo.

              📰 Sabores do Arquivo. O que um anúncio de hotel, em plena Segunda Guerra Mundial,  revela sobre a alimentação em Belém em 1943? Publicado na revista Pará Ilustrado, em 2 de junho de 1943, este anúncio do Grande Hotel, localizado na Praça da República, não destaca apenas o conforto dos apartamentos. Entre os maiores atrativos aparece a informação de uma "cozinha de primeira ordem". Na década de 1940, hospedar-se em um grande e refinado hotel significava também viver a gastronomia. Os hotéis eram espaços de encontro de uma elite, de viajantes, políticos, artistas  e comerciantes, onde eram servidos desde cafés da manhã até mesmo almoços, jantares e banquetes que acompanhavam a culinária refinada da época. Outro detalhe curioso é a valorização, no anúncio, da água corrente em todos os quartos, do banheiro privativo e do terraço ao ar livre. Todos esses produtos eram símbolos de modernidade e luxo em uma...

Os santos da alimentação: São Benedito.

Os Santos da Alimentação Brasileira".* Um dos santos mais famosos relacionados a Alimentação ao longo do Brasil é São Benedito.Aqui no Pará, São Benedito é santo importante e, é difícil não vê-lo na casas. Várias das festividades que acontecem aqui tem em São Benedito o santo padroeiro. Uma das mais famosas é  a Marujada na cidade de  Bragança. Segundo Câmara Cascudo: " A popularidade [do São Benedito] é mais viva entre mestiços e brancos. Quinze Pontífices usaram esse nome, desde o séc. VI ao XX. Benedito, mouro siciliano, faleceu em 1589, mas fora canonizado nas duas primeiras décadas do séc. XIX pelo Papa Pio VII. Explica-se que a sua vulgarização devocional independeu do consagratório canônico.(1) Por isso, “O São Benedito na cozinha garante fartura”,informa Hildegardes Vianna, exímia na documentária baiana. São Benedito foi cozinheiro, multiplicador de vitualhas no seu convento em Palermo".(2) Logo, se recorre a São Benedito para que se tenha fartura ...

Dia Mundial da Pizza.

E para comemorar o dia mundial da pizza eu trouxe a belíssima fotografia historica sobre a venda de pizza, na rua, em Nápoles, Itália. A fotografia retrata um garoto que vende pizzas na rua na década de 1960. No avental do garoto lê-se: "Pizzeria A. Di Capua". E o largo é feliz sorriso deste vendedor? Observem que ele tem apenas duas pizzas na lata. Em Nápoles, a pizza sempre foi uma comida de rua e de custo baixo. Sendo vendida por vendedores ambulantes como o da fotografia. A "lata", na qual ele leva as pizzas são vasilhas originalmente de "tomato paste double" concentrado, pasta se tomate, assim diz as inscrições sobre ela. Para muitos Nápoles é o local que tem as melhores pizzas italianas. Bem, as pizzas de Nápoles tem uma história bem antiga. A pizza mais famosa do mundo já aparecia no manual culinário do cozinheiro italiano Bartolomeo Scappi. Segundo Luciana Rodrigues: "Quando cita a cozinha napolitana, ele fala de uma torta real ou ...

Cosme e Damião.

"Os Santos da Alimentação Brasileira".* E se tem crenças de fartura no apego a Santo Antônio, Santo Onofre e Santa Zita... Na Bahia, os santos Cosme e Damião, segundo Luís da Câmara Cascudo: "(...) assumiram a responsabilidade pela comida de todo dia comum".(1)  E ainda, "Ficam no Rio de Janeiro rodeados de acepipes, já prontos, às vezes dentro de um pires ou de uma xícara, misturados no feijão cozido, carne, toucinho e farinha. Na cidade do Salvador oferecem o caruru dos meninos em 27 de setembro, dia oblacional. As crianças são servidas e depois os adultos, com canto e dança de roda. O processo aculturativo fez os santos Cosme e Damião convergirem para os Ibeiji, Beiji, os gêmeos sudaneses, reverenciados nos candomblés e que, na África Ocidental, têm missão diversa da propiciação nutritiva".(2) Portanto, no Camdomblé, como nos ensina Maria Helena Farelli, estes santos Ibejí e Beijí: "preferem doces a qualquer outra comida; mas em...

Santas da Fartura.

E se existem os Santos populares da Alimentação Brasileira, por que não existem as Santas? Já que as mulheres são historicamente relacionadas ao cozinhar? Vem comigo conhecer mais essa história que envolve devoção, santos e alimentação. A devoção aos Santos relacionados a alimentação e que tem origem na Roma Antiga, desenvolve-se em torno do culto a uma deusa mulher, pensada a partir do lume e dos fogões, chamada de deusa Fornax. Que também estava relacionada a panificação e a proteção dos padeiros. Segundo nos aponta Câmara Cascudo: " Numa Pompilius dera aos fogões uma égide, Fornax, e uma festa oficial, Fornacália, em fevereiro, movimentando toda a Roma (...) a deusa Fornax desapareceu com eles da cozinha de onde o cristianismo afugentara os sorridentes fantasmas milenares. Mil quinhentos e setenta e três anos depois do decreto de Teodósio, o culto larário e da Fornax sobrevive no Brasil em muitas reminiscências populares; o respeito às chamas do lar e certas ate...

Os Santos da Alimentação Brasileira*

Os Santos da Alimentação Brasileira. Os festejos juninos começam no dia 13 com Santo Antônio e com o pãozinho de Santo Antônio,  como diz o texto anterior. Santo Antônio é um dos santos mais populares no Brasil. E Santo das festas juninas, nas ruas "de terra dos bairros eram tomadas pelo fogaréu nos dias de festa dos Santos (1)". Mas, Santo Antônio é santo importante  dos lares e das cozinhas ao longo deste Brasil. Isso porque, as cozinhas são locais aonde o fogo, a chama do lume se faz presente. Como nos esclarece Câmara Cascudo: " Lar é a pedra onde se faz o lume caseiro. Abrangeu Sidiana Macêdo. Pão de Santo Antônio da Padaria Sagres. 2025. a casa, a família, todos os que vivem ao calor do fogo doméstico".(2) Por isso, grande parte das crencas populares nos santos para manutenção da fartura nascem no entorno das cozinhas. Além de Santo Antônio,  outro santo protetor do alimento e mantenedor da fartura nos lares é Santo Onofre, o qual segundo Câmara ...

A relação entre os santos e a Alimentação.

A relação entre os santos e a Alimentação é antiga, remonta aos deuses gregos e romanos. Uma grande parte dessas crenças estavam relacionadas ao abastecimento, a casa e  principalmente a família ter abundância de alimentos. Como nos aponta Cascudo "os povos cristãos titulares seus padroeiro na manutenção  do sustento" assim "essa relação é importante porque ela permite para seus devotos a certeza de "fartura alimentar cotidiana". (1) Hoje é dia de Santo Antônio. Dia de pãozinho de Santo Antônio,  que deve-se ter em casa num pote de farinha para ter fartura o ano todo, sendo também a garantia de que comida não faltará no prato. Tenho certeza que muitos de vocês já puderam ver essa tradição? Assim, " Até hoje, na devoção popular, os “pãezinhos de Santo Antônio” são colocado pelos fiéis nos sacos (vasilhas, latas) de farinha e de outros alimentos, com a fé de que nunca lhes faltará o que comer. Mais do que a origem do “Pão de Santo Antônio”, impo...

Manchetes à Mesa.

Separei 3 notícias curiosas sobre histórias da alimentação em Belém de outros tempos, numa curadoria especial feita por mim:  Sidiana Macêdo, autora e criadora do @daquiloquesecome — o teu portal diário sobre as histórias da alimentação da Amazônia. Entre costumes, sabores que marcaram época e curiosidades que ajudam a entender como a cidade se alimentava no passado, essas histórias mostram que a comida revela modos de vida, memórias e transformações da nossa sociedade ao longo do tempo. As notícias de hoje foram publicadas em 15 de janeiro de 1876, no jornal Diário de Belém. 1- Grande leilão de miudezas.                       Hoje O agente Guiffon fará leilão em seu escritório, das seguintes miudezas: chapéos de veludo para senhoras, ditos para meninos e meninas, uma partida de louça fina, ervilhas, sardinhas, cordas de tripa para violão,...

Guaraná Amazônia.

Você sabia que um dos refrigerantes de guaraná mais saborosos do Pará, foi criado em Abaetetuba? Isso mesmo, o Refrigerante de Guaraná Amazônia é criação do Município de Abaetetuba,  no Pará. Abaetetuba está localizada na região do Baixo Tocantins, inicialmente chamada de Abaeté. O Guaraná Amazônia é produzido nacidade desde 1957, pela empresa Guaraná Amazônia que se localiza no município de Abaetetuba. Segundo do à empresa o refrigerante é "Feito com sementes torradas, aromatizadas com ervas e manipuladas por uma paixão de três gerações". (1)  A minha memória do Guaraná Amazônia sempre me levam para as férias na casa de vovó Consolo e as comemorações em família. ✨️ E você? Já conhece o Guaraná Amazônia? . . . 📚✍️🏽 Referências. 🛎O conteúdo deste blog está protegido pela lei n° 9.610 datada de 19-02-1998. Ao utilizá-los, não se esqueça de dar os créditos.k (1) @guaranamazonia.oficial

Regatão [Parte III].

Foi na Amazônia que o Regatão ganhou contornos próprios e se tornou uma das principais atividades econômicas naquilo que Alípio Goulart chamou de "comércio de mascateação". E assim, "Era nesse meio que aquêle tipo de comerciante, lotando uma embarcação com mercadorias no valor de muitos contos de réis, em regra obtidas à crédito, o que já era motivo de preocupação,  e acompanhado de uma tripulação lotérica, arrebanhada a êsmo nas ribeiras ou nas povoações indígenas, embrenhava-se na hinterlândia amazônica, na consecução de um giro comercial que se prolongava ppr meses."(1) E assim, "Nos centros mais distantes da Amazônia ancorava a canoa do regatão, abarrotada de quinquilharias, fazendas, armas e tudo aquilo de que o seringueiro ( e às vêzes até mesmo o seringalista) precisava.(2) Na belíssima  ilustração de Israel Cysneiros, temos um Regatão se aproximando da margem do rio para mostrar seus produtos e novidades a família do caboclo que se aproxima....

Regatão 🛶 [parte II]

Foi na Amazônia que o Regatão ganhou contornos próprios e se tornou uma das principais atividades econômicas naquilo que Alípio Goulart chamou de "comércio de mascateação". E assim, "Era nesse meio que aquêle tipo de comerciante, lotando uma embarcação com mercadorias no valor de muitos contos de réis, em regra obtidas à crédito, o que já era motivo de preocupação,  e acompanhado de uma tripulação lotérica, arrebanhada a êsmo nas ribeiras ou nas povoações indígenas, embrenhava-se na hinterlândia amazônica, na consecução de um giro comercial que se prolongava ppr meses."(1) E assim, "Nos centros mais distantes da Amazônia ancorava a canoa do regatão, abarrotada de quinquilharias, fazendas, armas e tudo aquilo de que o seringueiro ( e às vêzes até mesmo o seringalista) precisava.(2) Na belíssima  ilustração de Israel Cysneiros, temos um Regatão se aproximando da margem do rio para mostrar seus produtos e novidades a família do caboclo que se aproxima....

Páscoa Amazônica.

Entre fé, rios e floresta: a Páscoa amazônica. 🪑Puxa um cadeira, pega uma xícara de café ☕️  e leia o texto de hoje que tem Páscoa, fé e cultura alimentar na região da Amazônia. Quem mora na Amazônia, se acostuma a ver a beleza da fé que literalmente chega pelos rios. Os festejos de Páscoa entre populações ribeirinhas da região envolvem as procissões fluviais. As comunidades enfeitam seus barcos e se preparam para as procissões pelos rios. A paixão de Cristo que leva a fé pelos rios da Amazônia com adultos e crianças cantando e orando por todo trajeto maritimo da procissão. Mas, a Páscoa se completa com a mesa bem farta nas comunidades ribeirinhas, que é a extensão da celebração. Se os Rituais de Páscoa chegam na Amazônia pela colonização. A comida da mesa pascoal é ancestral e original desta terra. 🌿🐟💫🍴🍽 Nestas ocasiões após as procissões, as comunidades se reúnem para a refeição. Os pei...

Você sabia que o Pará desde o século XIX foi grande produtor de cacau?

Você sabia que o Pará desde o século XIX foi grande produtor de cacau? E que o protagonismo que hoje se destaca é antigo? Pois é, segundo o historiador José Maia Bezerra Neto:" Ao longo do século XIX, no cenário mundial, o Brasil foi um importante produtor de cacau, ocupando a segunda posição, cabendo ao Equador o primeiro lugar. A Europa era o principal mercado importador e consumidor do cacau brasileiro". E ainda, " Sendo o Brasil um importante produtor de cacau, destacando-se a província do Grão-Pará, cujo cacau era considerado de melhor qualidade, havendo ainda o do Maranhão e o da Bahia, uma parte dessa produção ficava no Brasil, sendo consumido como suco, licor e geleia, mas também como chocolate em suas diversas formas.  Ainda  que houvesse a importação de chocolate europeu, destacadamente o francês, ironicamente produzido em larga medida com cacau paraense, desde pelo menos a  década de 1820 havia produção de chocolate no Bras...

E se o cacau do teu chocolate da sua Páscoa tivesse origem aqui na Amazônia? De domesticação ancestral por povos indígenas?

E se o cacau do teu chocolate da sua Páscoa tivesse origem aqui na Amazônia? De domesticação ancestral por povos indígenas? Exatamente, a origem do cacau  é na Amazônia. O cacau (nome científico Theobroma cacao) é nativo da região amazônica — especialmente das áreas que hoje correspondem ao norte do Brasil, além de partes do Peru, Colômbia e Equador. Os estudos arqueológicos mais recentes nos indicam que o cacau surgiu na bacia do Alto Amazonas, provavelmente entre o sul da Amazônia peruana e a região da Amazônia brasileira. A Arqueóloga e professora Daiana Travassos Alves da UFPA nos esclarece que: "A Amazônia foi um importante centro de domesticação de plantas no Novo Mundo, onde plantas domesticadas circularam em escala continental por milênios antes da conquista europeia".(1) E ainda, "Algumas espécies nativas amazônicas com populações domesticadas são (...) O cacau (Theobroma cacao)  apresent...

Como a Amazônia reinventou a Páscoa?

Como a Amazônia reinventou a Páscoa? A Páscoa de tradição europeia e cristã, chega a Amazônia através dos colonizadores. E tanto os ritos religiosos quanto a mesa são costumes trazidos por eles. Contudo, na Amazônia, desde o período Colonial a mesa da Páscoa é ressignificada com a presença dos ingredientes e técnicas indígenas. Assim, o consumo de peixes locais como pirarucu, tambaqui gurijuba, mapará, pescada e filhote tornam-se consumo da Páscoa pelo colonizador. O uso de ervas, folhas, molhos e temperos indígenas, como jambu, tucupi, sal e te.pero elaborados com folhas diversas. Da mesma forma, o largo uso de técnicas indígenas como moqueado, assado e alimentos elaborados com tecnologia indígenas como farinhas diversas e beijus.(1) Portanto, a mesa da  Páscoa na Amazônia foi ressignificada aos moldes da mesa ancestral de povos originários. . . . 📚✍️🏽 Referências. 🛎 conteúdo deste blog está protegido pela lei ...