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Você sabia que o Pará desde o século XIX foi grande produtor de cacau?

Você sabia que o Pará desde o século XIX foi grande produtor de cacau? E que o protagonismo que hoje se destaca é antigo?
Pois é, segundo o historiador José Maia Bezerra Neto:"Ao longo do século XIX, no cenário mundial, o Brasil foi um importante produtor de cacau, ocupando a segunda posição, cabendo ao Equador o primeiro lugar. A Europa era o principal mercado importador e consumidor do cacau brasileiro". E ainda, "Sendo o Brasil um importante produtor de cacau, destacando-se a província do Grão-Pará, cujo cacau era considerado de melhor qualidade, havendo ainda o do Maranhão e o da Bahia, uma parte dessa produção ficava no Brasil, sendo consumido como suco, licor e geleia, mas também como chocolate em suas diversas formas. 

Ainda que houvesse a importação de chocolate europeu, destacadamente o francês,ironicamente produzido em larga medida com cacau paraense, desde pelo menos a década de 1820 havia produção de chocolate no Brasil por algumas fábricas na cidade do Rio de Janeiro ou Corte, capital do Império brasileiro, havendo ainda outras, desde pelo menos a década de 1840, em diante, em Maranhão, Pernambuco, Pará e São Paulo. Aliás, o Brasil não apenas importava chocolate, mas produzindo, também chegou a exportar além da matéria-prima (o cacau) o próprio chocolate". (1) 
A palavra cacau também aparece nos dicionários de palavras regionais, por exemplo, em Vicente Chermont de Miranda, em seu Glossário Paraense: "Cacau,s.m- As frutas do cacoeiro. As sementes da mesma fruta".(2) Desta forma, o cacau paraense sempre teve importância salutar no mercado e na economia paraense e brasileira ao longo de sua história. Inclusive, essa importância econômica foi demonstrada no livro "O cacaulista" de Inglês de Sousa.

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📚✍️🏽Referências.
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(1) José Maia Bezerra Neto. Para além do cacau: Fábricas de chocolate no Brasil Imperial (1820-1889). In: DIAS JR, Carlos; MACÊDO, Sidiana da Consolação Ferreira de; SANTOS, Layane de Souza; PICANÇO, Miguel de Nazaré Brito. I Webnário do Alere: Alimentação: práticas alimentares, identidades e os territórios de comer. Ananindeua: Editora Cordovil E-books,
2021. p, 12.
(2)Vicente Chermont de Miranda. Glossário Paraense. [Coleção de Vocábulos Peculiares à Amazônia e Especialmente à Ilha do Marajó]. Universidade Federal do Pará. 1968. p, 13.

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