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Destaques

Bolo de Macaxeira

Quem não ama um bolo? E quando este bolo tem gostinho de mês junino?  A receita de hoje é sobre o bolo de macaxeira, tão famoso no Norte de Brasil, que é tema de contos e e das conversas ao pé da porta nas tardes quentes do século XIX.  O bolo de Macaxeira, que inclusive virou tema de um conto do escritor Jacques Flores. Coo não lembrar do conto intitulado O Bolo de NATAL da Família Malagueta? Ora, aqui a cena principal era um bolo de macaxeira feito pelas personagens Tereza Malagueta, a Tete, e sua prima Felismina do Rosário, a Filóca, que haviam feito um bolo de macaxeira para o Natal da família e seu aborrecimento ao notarem que o bolo "estava com gosto de querosene".¹ Pior ficaram quando notaram que a culpa de tudo era de Pulchéria que "lixara a forma de bolo e, para melhor ficar a limpeza, untou-a de querosene, esuqecendo-se porém, de tirar o inflamável líquido com uma forte lavagem de sabão".² As primas então, resolveram convidar as "inimigas"para …

A farinha de mandioca, a nossa boa e velha farinha...

Olá, leitores!
A farinha para mim...é muito mais do que um hábito ou paladar costumeiro...
A farinha para mim...é cheiro, gosto e lembrança...
Ah...os sabores com lembrança são os melhores e os mais profundos.

Para Agassiz, viajante que esteve no Brasil entre 1865-1873, a farinha era: "espécie de fécula grosseira que substitui o pão (...)". p.120.* Assim, mesmo uma fécula grosseira que substitui o pão...
Para meu paladar não existe acompanhamento melhor que uma boa farinha ou uma farofa. 


“ Fabricação de farinha de mandioca”. Johan Moritz Rugendas. MCB, São Paulo.
             Em nosso país desde o início os hábitos alimentares fazem-se presentes numa mistura de sabores. 
O período colonial na Amazônia começa, no entanto, mais tarde a partir do início do século XVII com a fundação de Belém.
             Assim o português teve que se acostumar com certos hábitos como a utilização diária da farinha de mandioca que era acompanhada ora do pirarucu, ora de carne seca e compunha o prato principal em tantas casas, ainda que a farinha não fosse o único alimento feito da mandioca, como nos mostra o relato de Frei Vicente do Salvador de fins do século XVI no Brasil: “Destas raízes, e raladas se faz farinha que se come; também se deita de molho até apodrecer, e depois de limpa, espremida, se faz também farinha, e uns certos beijus como filhós, muito alvos e mimosos. Esta mesma raiz depois de curtida n’água feita com as mãos em pilouros se põe em caniços ao fumo, onde se enxuga e seca de maneira que se guarda sem corrupção quanto querem e raspada do fumo, pisadas em uns pilões grandes, e peneirada, fica uma farinha tão alva, e mais que de trigo, da qual misturada em certa têmpera com a crua se faz uma farinha biscoitada que chamam de guerra que servem aos índios e portugueses pelo mar, e quando vão a guerra como biscoito. Outra farinha se faz biscoitada da mesma água da mandioca verde se a deixam coalhar e enxugar ao sol, ou ao fogo; esta é sobre todas alvíssima, e tão gostosa, e mimosa que se não faz para quem quer”.  
  Apesar da presença da farinha de mandioca em larga escala no século XIX, em várias regiões do Brasil seus habitantes conheceram outros tipos de farinha como a farinha de Aricurí, feita a partir dos caules de palmeira aricuri na Bahia;  farinha de Peixe no Rio de Janeiro; e, claro, a farinha de Mandioca que hoje apesar de ser tão utilizada no Pará não foi uma especialidade apenas paraense, ela também foi bastante empregada entre os séculos XVI e XIX no Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Bahia.  







*Agassiz, Louis. Viagem ao Brasil: 1865-1873. Luiz Agassiz e Elisabeth Cary Agassiz; Trad. João Etienne Filho. Apres. Mário Guimarães Ferri. Belo Horizonte, Ed. Itatiaia; São Paulo, Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.

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