Sobre a Fabricação da Farinha...algumas palavras.

Olá, leitores!
Hoje vou dar voz ao viajante Agassiz, Louis, quando esteve no Pará, nos idos do século XIX. Sua expedição, saiu de Nova York por volta de 1865 e passou pelo Rio de Janeiro, Minas Gerias, Nordeste do Brasil e Amazônia. seu proposito era fazer um estudo da mestiçagem. Mas, o que nos interessa aqui  são as descrições minuciosas sobre os hábitos alimentares. Trago à vocês a descrição feita por ele sobre a nossa "farinha de todo dia". Então, vamos conhecer um pouco desse processo pela "voz" de Agassiz: 

“Pela manhã, minhas amigas índias me mostraram como se prepara a mandioca. Esta planta é de inestimável valor para essa pobre gente: ela lhes dá a farinha_espécie de fécula grosseira que substitui o pão,_ a tapioca e ainda uma espécie de bebida fermentada a que chamam tucupi, dádiva de valor duvidoso, pois que lhes fornece o veneno da embriaguez.* Depois de descascados os tubérculos da mandioca são ralados num ralador grosseiro. Obtém-se assim uma espécie de pasta úmida, com que se enchem tubos de palha, elásticos, feitos de fibras trançadas da palmeira jacitara (Desmonchus).** Quando esses tubos, tendo sempre em cada ponta uma asa, estão cheios, a índia os suspende a um ramo de árvore ; enfia em seguida uma vara resistente na asa inferior, fixando uma de suas pontas num buraco feito no tronco de árvore. Apoiando-se então na ponta livre da vara, ela o transforma numa espécie de alavanca primitiva sobre a qual exerce todo o peso de seu corpo, provocando assim o alongamento do cilindro elástico que se estica o mais que pode de uma extremidade á outra. A massa fica então fortemente comprimida e o suco que se escapa vem escorrer num vaso colocado em baixo. Este suco é no começo venenoso, mas, depois de fermentado, torna-se bastante inofensivo para servir de bebida: é o tucupi. Para fazer a tapioca, mistura-se a mandioca ralada com água e comprime-se numa peneira. O líquido que se escoa é deixado; forma-se logo nele um depósito, semelhante ao do amido, que se deixa endurecer e de que se faz em seguida uma espécie de sopa; é prato favorito dos índios”.  Louis Agassiz. pág. 120.
*O tucupi não é, necessariamente, “veneno da embriaguez”.Pode ser usado como um molho, para acompanhar carnes, de preferência pato. Nesse caso é adicionado de pimenta. Quando fermentado, o sumo extraído da mandioca produz bebida alcoólica, o cauim, que pode também ser obtido através da fermentação do milho. (M.G.F).

** Tais tubos são chamados tipiti (M.G.F).     
Agora me deu vontade de comer uma boa posta de pirarucu assado com farinha bem torrada e umas bananas fritas.

Até o próximo prato!  

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