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Poções mágicas e alimentação...

Vocês já pensaram que as poções de "bruxas" ou de magias envolvem o comer, beber e os perigosos feitiços? Quem foi criança nos anos 90 e nunca assistiu ao menos uma vez o filme Abracadabra, cuja versão em inglês da Disney era "Hocus Pocus"? Com lançamento no ano de 1993, o filme chegou a passar várias vezes na famosa sessão da tarde, eu adorava assistir esse filme que contava a história de adolescentes que despertavam três bruxas más. O filme dava um suspense, apesar de ter indicação livre, mas, também era engraçado. Eu assisti várias vezes. Pois bem, a história tem como ponto central um livro de magia, com poções e palavras mágicas. Hoje quando penso no filme e em outros cuja relação entre poções,  magias, sopa, bebidas e o mundo da alimentação, uma nova possibilidade de análise se faz presente. E depois de ler o texto da Maria Eunice Maciel, intitulado "Cultura e Alimentação ou o que têm a ver os macaquinhos de Koshima com Brillat-Savarin"? C...

Arraial em Belém.

Sobre o arraial em Belém, De Campos Ribeiro, nos diz que: "No arraial, iluminado a querosene, embandeirado de ponta a ponta, barraquinhas de sorte onde os prêmios (quinhentos réis cada papelinho) (...) Abundam os tabuleiros de tacacá, de cariru, das doceiras que vendiam por um tostão uma cocada ou uma fatia de bôlo de macaxeira e por um vintém cada rebuçado de gengibre. Nos carrinhos, uma gengibre ou um refresco de irreconhecível sabor por um tostão. (1) Ele ainda nos conta que: " Entre as manifestações da alegria popular em nossa terra, nenhuma tanto apaixonava a alma do povo quanto as festas juninas, chamadas há cousa de cinquenta anos Joaninas" (...) A cidade trescalava das ervas de junho". (2) Eu fico sonhando com estas festas antigas, com a Belém das barraquinhas de comida e da cidade que cheirava a banho de cheiro... . . . E como dizia Eneida de Assis "Nos fogões e nas fogueiras - as mesmas que iriam iluminar a noite do santo, - a grande l...

São João em Belém.

Hoje é dia de São João e em outras épocas aqui em Belém não faltavam: uma boa quadrilha, folguetos, pau-de-sebo, danças típicas, uma grande fogueira e muitas comidinhas típicas da época e da cozinha local. Mas, você sabe qual as origens da festa de São João? Originalmente, a festa de São João,  comemorada dia 24 de junho, era uma festa agrária, muito realizada na Europa e que comemorava a colheita do verão, a fogueira não podia faltar, já que o fogo 🔥 tinha a função importante de afastar os maus espíritos da terra e proteger as futuras colheitas. A festa se tornou muito popular aqui na região Norte. Ontem comentei sobre o arraial do Seu Martinho,  um dos mais famosos de Belém, na primeira metade do século XX, além deste, o arraial da Tia Ana das Palhas era famoso e muito concorrido. Segundo nos conta Orico: "No meio do terreiro, capinado a capricho, erguiam-se tômbolas para a venda de bilhetes de rifa e amontoavam-se tabuleiros repletos de coisas típicas. Havia pa...

Pau-de-sebo, munguzá e festa junina em Belém.

Osvaldo Orico dizia que o que faz a cozinha amazônica única é que ela é uma cozinha ao ar livre. De fato, esse é um dos aspectos que mais eu amo em Belém. Especialmente, no São João e também outras festividades os arraiais faziam a alegria da população. Segundo Orico, "À porta das igrejas. Na calçada dos largos. Na relva dos jardins públicos. Na esquina de certas ruas. Em qualquer ponto onde vierem pousar as tacacazeiras com as panelas amarradas em toalhas para conservar o calor ou com os fogareiros para esquentar munguzá, os bolos de milho, os beijos ou ferver as pupunhas e os piques que trazem nos paneiros".(1) Um dos arraiais mais famosos de Belém era o de Mestre Martinho, no Umarizal onde cujo brinde para quem subisse no pau-de-sebo era gordas galinhas assadas, pães-de-ló ou outro petisco cobiçado no momento. No arraial de Mestre Martinho, "Mestre Martinho fazia erguer nas redondezas de sua palhoça (...) Era o mastro de um velho navio abandonado que ele f...

Munguzá, São João e Eneida.

Se Dalcídio é um dos meus literatos preferidos. Eneida de Moraes é a preferida e sempre indicada. Quando você termina de ler Eneida, o sentimento é de plenitude. Então,  trago hoje as memórias de Eneida de Moraes para falar de São João, do mês junino e das festas que fazem parte da cidade morena, Santa Maria de Belém do Grão-Pará.  Eneida em Aruanda,  nos conta que "São João  é personagem de minha infância; de São João sou velha e dedicada amiga. Aprendi a amá-lo muito cedo(...) em minha terra,  na longínqua e amada cidade de Santa Maria de Belém do Grão-Pará, há uma prática extremamente bela e perfumada, que se chama o banho de cheiro ou banho da felicidade". É assim, "nas vésperas de São João,  a cidade amanhecia festiva, com correria de homens carregando à cabeça tabuleiros cheios das ervas da felicidade. Seus pregões embalavam as mangueiras que arborizavam as praças e ruas da Belém de meu tempo. ___ Cheiro cheiroso! (a pronúncia local: chêro...

Dia mundial da Gastronomia Sustentável.

18 de junho é dia de celebrar dia da Gastronomia Sustentável. A data foi criada em 2016, numa Assembléia Geral da ONU. Mas, o que é o dia da Gastronomia Sustentável? Segundo o site da ONU " a data reafirma que todas as culturas e civilizações contribuem para o desenvolvimento sustentável". Nesse sentido, o ponto de partida é justamente pensar "A sustentabilidade é a ideia de que algo, como agricultura, pesca ou preparação de alimentos, é feito de maneira a não desperdiçar recursos naturais e pode continuar sendo feito no futuro sem prejudicar o meio ambiente ou a saúde".(1) A data é importante também pra que possamos refletir sobre o como podemos contribuir pra evitar o desperdício. " A ONU afirma que o mundo está usando seus oceanos, florestas e solos de forma completamente insustentável. Produtores precisam ser mais cuidadosos na forma como utilizam os recursos naturais e consumidores devem ser mais exigentes quando escolhem seus alimentos. Esta ...

Leite pasteurizado.

A partir da metade do seco XIX, as preocupações com o leite como um causador de doenças aumenta consideravelmente em todo o mundo. Nessa época, o leite passa a ser visto como um veiculador de doenças, como nos esclarece Meireles, "uma nova preocupação: a de que o leite era um potencial causador de enfermidades devido à provável proliferação de micro-organismos patogênicos". (1) O leite que não fosse pasteurizado poderia levar a doenças e também a morte. Assim, "Em 1856, o médico inglês Michael Taylor reconheceu que o leite poderia ser um veículo transmissor de doenças, ao observar que um número de casos de febre tifoide tinha em comum o fato de seus portadores terem consumido leite de mesma origem". (2) Os Estados Unidos passam a liderar as preocupações em torno do leite esterilizado, "O principal efeito dessas iniciativas foi tornar possível comprovar que o leite não tratado termicamente, ou não pasteurizado,  em vez de apen...