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Aturá.

Começo a semana com o quadro: "Glossário Pará da Alimentação", e hoje eu trago um utensílio essencial no dia-a-dia em muitas casas nos interiores da Amazônia. De herança indígena, o aturá já era descrito como sendo fabricado em diversos grupos indígenas ao longo da Amazônia. Seu uso primordial era/é para o transporte de coisas/alimentos, como a mandioca, por exemplo. Raimundo Morais nos descreve o Aturá como " Cesto em forma de paneiro, tecido de talas de guarumã ou jacitara, própria para conduzir coisas da roça para casa, sobretudo mandioca. Adicionam-lhe quatro varinhas exteriormente, e ao com- prido, a fim de lhe servir de pernas. Aturiá – (Drepanocarpus lunatis)". (1) Já  Armando Mendes, em seu livro "Vocabulário Amazônico" publicado em 1942, nos fala que o significado de Aturá é: " Cesto de talas, em fórma de balaio, usado no acondicionamento dos "terens" ., e instrumentos levados da roça para casa e vice-versa: serve ta...

A horta do Gentil Bittencourt.

Se observarmos com atenção a planta do Instituto Gentil Bittencourt, vemos que em 1906, a instituição tinha uma grande área da Horta. Falar do abastecimento, hortas, mantimentos e produtos alimentícios é um outro ponto importante de análise para quem deseja estudar a temática da "Alimentação e Instituições" [Quem quiser saber mais "rola" o feed para os dois últimos textos]. Então, segundo Arthur Vianna: "Nos fundos do edifício,  isto é, depois da lavanderia, encontra-se a Horta sobre um terreno vastíssimo,  que se prolonga até à avenida S. Jeronymo.  A horta é separada, por um muro monumental,  da mesma avenida, tendo ao centro um grande portão  architectual para a entrada dos vehiculos, mantimentos, etc. No terreno da Horta e junto ao muro monumental foram construídos dois commodos para empregados especialmente destinados à conservação da Horta e jardins"(1) Observem que a horta estava nos fundos do Instituto, após a lavanderia. A Instituição ...

A Cozinha do Instituto Gentil Bittencourt.

"Estávamos iniciando o jantar, às três horas. Aurinívea,  "a Vovó" _ a ledora do dia_, preparava-se para dar começo à meditação, e já  dissera, com a sua fala frágil  e rouca de velhinha,  a frase sacramental: _Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que o santo nome de Deus seja Louvado! E nós gritáramos famintas o "assim seja"!. Já contávamos o bife, com as facas eternamente, incrivelmente cegas, quando Irmã Germana entrou, afobada e vermelha, cochichou em francês com a Irmã  do refeitório, ambas saíram andando entre as mesas espiando a cara da gente, de uma a uma (...)". (1) o Texto de hoje começa com um fragmento do romance " As três Marias", de Rachel de Queiroz, cuja história foi inspirada na época em que viveu no colégio interno da Imaculada Conceição,  nos anos de 1920, em Fortaleza. [Eu simplesmente amo de paixão esse livro 🤍] Uma das possibilidades de estudos à partir da temática da "Alimentação e Instituições" ...

A Cozinha do Instituto Gentil Bittencourt.

O texto de hoje também é uma dica [preciosa] de tema àqueles que desejam pesquisar sobre à História da Alimentação. As possibilidades de análise são inúmeras. Digo isso, porque hoje trago uma dessas inúmeras possibilidades de pesquisa: alimentação à partir das pesquisas em instituições.  Como assim Sidiana? Então, você pode pesquisar sobre alimentação/práticas alimentares em diversas instituições do Brasil e do Mundo ao longo da tempo. Práticas alimentares dentro do Exército, Marinha, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros, nos hospitais, em casas de repouso e nas escolas [de regime internato [especialmente as escolas/institutos mais antigos] e na atualidade temos as escolas de tempo integral, creches e as merendas nas escolas de período parcial. Perceberam as inúmeras possibilidades? Pois é, dentro desta perspectiva inauguro quadro quentinho por aqui: "Alimentação em instituições". E inauguro este novo quadro com dois documentos importantes para nós historia...

"Café da Manhã"

Domingo com obra de arte. E para hoje temos "Peça de Café da manhã", do pintor australiano Hebert Edward Badham (1899-1961); a pintura que retrata uma cena de café da manhã no ano de 1936, em tons "alegres" e que a princípio nos permite uma leitura de calmaria no ambiente. Com uma mesa posta em tons azuis, a mesa bem organizada, nos permite "vislumbrar o que era servido/consumido em algumas casas, no ano de 1936 no café da manhã. A mesa rústica tem toalhas, louças e utensílios muito bem selecionados e de época. Inclusive, a "modelo" da obra é a esposa do pintor. Além do vaso de flores a mesa é ornada com uma belíssima toalha quadriculada em tons que combinam com a xícara e a leiteira. E ainda, pão, açúcar, manteiga, ovo, um bule, leite e geleia. Mas, existe uma eminente preocupação posta na cena, que a princípio passa despercebida, no canto à direita, na manchete do jornal, o anúncio da invasão da Abissí...

Jambu.

Jaques Flores, poeta e escritor paraense pseudônimo de Luís Teixeira Gomes [Eu tenho piblicado um texto sobre Jaques Flores e a construção da identidade regional, está disponível no meu site, quem quiser ler, o link está na bio], em seu livro Panela de Barro, ao descrever como deve ser servido o Pato no Tucupi, nos fala que: "_E o jambú? _ Bem, o jambú, que é cozido  na água e se acha dentro da peneira escorrendo, está só aguardando o momento para entrar em ação (...) Então, mais que depressa, o jambú é posto dentro da panela onde se acham em amistosa união o pato e o tucupi (...)".(1) O uso do Jambu na culinária regional é tão importante que ele aparece na literatura, Luís Moreno, fez a seguinte poesia: "Que coisa bôa de verdade a cuia de tacacá. Tomado assim de tardinha, à sombra dos arvoredo Chupado bem devagar. A goma de tapioca, O tucupí amarelo, O rescender da pimenta Que faz o beiço estalar! O camarão, o jambú, E um bocadinho de sal, e t...

Jambú.

E o Jambu você conhece? O Jambu é segundo Raimundo Morais: "Jambu – (Spilanthes oleracea) – Planta herbácea, de flores amarelas. Usa-se muito cozinhada no tucupi, principalmente naquele que é misturado no tacacá. De leve sabor travoso, faz tremer o beiço".(1) É verdadeiramente impossível pensar alguns pratos regionais sem o jambu, o tacacá, por exemplo, não é tacacá sem o jambu. Popularmente, conhecido como a planta do "treme", o jambu fica perfeito com tuupi e é quase impossível não vê-los juntos. Osvaldo Orico nos diz ainda que: "Concorre com as pimentas em arder nos lábios uma erva chamada jambu, que s essa de preferência no tucupi e esverdeia aquele caldo amarelo com as propriedades que têm suas folhas de mudar-lhe a cor. Os paraenses não dispensam o jambu no tacacá e um dos prazeres que lhe proporciona esta erva é o de ficarem com a língua e os lábios ardendo gostosamente". (2) É examatemente assim como descreve Osvaldo Orico, "língu...