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O pescador de Pirarucú.

O Pescador do Pirarucu: Sujeito Social extremamente importante para manutenção do abastecimento do peixe tanto nos interiores quanto na capital, [personagem que faz parte de estudos e da literatura sobre a região]. Sem ele o comércio do pirarucu não alcançaria a importância que teve e ainda tem. É bom lembrar que os saberes envolvidos neste tipo de pesca foram herdados de povos originários. Segundo Veríssimo Pereira, "O PESCADOR de pirarucu é um tipo característico de trabalhador encontrado, com freqüência nas zonas (...) amazônicas da grande Região Norte. (...) No comêço da vazante (meados de agôsto), ou no início das enchentes (meados de novembro), êsse tipo de pescador concentra tôda a sua atividade na grande pesca fluvial e lacustre, a qual se realiza, na Amazônia, mediante processos puramente regionais. No "tempo da salga" ou verão, sobretudo durante os meses de setembro e outubro, para fins comerciais e industriais, êsse tipo de pescador tem por objetiv...

Pirarucú.

Dalcídio Jurandir, em seu livro "Primeira manhã", fala da manta de pirarucu: "Deixou ordem na “Lobato” para levar as coalhadas ao compadre, o Ex-Governador; ao dr. Gurgel, a manta de pirarucu, as pescadas em salmoura do Lago Arari".(1) Mas, você sabe o que é uma manta de Pirarucu? À manta de pirarucu é segundo Vicente Chermont de Miranda: " Carne ou peixe retalhado em tiras mui finas, mas largas é longas para poderem fixar suficientemente impregnadas de sal e assim conserva-se por muito tempo. Manta de Pirarucu, de jabá, etc". (2) A manta, portanto, como resultado de uma técnica que permite a durabilidade do peixe. Nesse sentido, importante dizer que a carne salgada rende cerca de um terço de seu peso quando fresca, ou seja, um pirarucu de 120 libras, seco da cerca de 40 libras de peixe. Avé-Lallemant informava, no século XIX, que a pesca da Amazônia chega a cerca de dois milhões de peixes por ano, grande parte é salgada e a outra consumida...

O pirarucu.

Você sabia que  e ntre os peixes que no século XIX mais "entravam" para consumo na capital da província, Belém, estava o pirarucu? E que o pirarucu era produto constante nas tabernas, feiras, mercados e vendas? Em um anúncio de 1852 encontramos entre os produtos considerados tipicamente regionais: “Pirarucú, carne seca, mapará em porção (...) tudo de boa qualidade em porção, se vende por cômodos preços na taberna de Manoel da Cunha Muniz na travessa Pelourinho”.(1) No armazém da Viúva Fernandes & filho encontramos para leilão no ano de 1858 havia para a venda: “uma partida de pirarucu de superior qualidade,”.(2)  [Já falei por aqui sobre o Pirarucu]. O abastecimento de peixe para consumo da capital fazia-se em larga escala contando com as mantas que  vinham dos interiores e dava-se de forma constante e cotidiana. O peixe diferentemente da carne que em alguns momentos era importada de outras províncias, o peixe salgado não tinha na importação de fora da pro...

Aturá.

Começo a semana com o quadro: "Glossário Pará da Alimentação", e hoje eu trago um utensílio essencial no dia-a-dia em muitas casas nos interiores da Amazônia. De herança indígena, o aturá já era descrito como sendo fabricado em diversos grupos indígenas ao longo da Amazônia. Seu uso primordial era/é para o transporte de coisas/alimentos, como a mandioca, por exemplo. Raimundo Morais nos descreve o Aturá como " Cesto em forma de paneiro, tecido de talas de guarumã ou jacitara, própria para conduzir coisas da roça para casa, sobretudo mandioca. Adicionam-lhe quatro varinhas exteriormente, e ao com- prido, a fim de lhe servir de pernas. Aturiá – (Drepanocarpus lunatis)". (1) Já  Armando Mendes, em seu livro "Vocabulário Amazônico" publicado em 1942, nos fala que o significado de Aturá é: " Cesto de talas, em fórma de balaio, usado no acondicionamento dos "terens" ., e instrumentos levados da roça para casa e vice-versa: serve ta...

A horta do Gentil Bittencourt.

Se observarmos com atenção a planta do Instituto Gentil Bittencourt, vemos que em 1906, a instituição tinha uma grande área da Horta. Falar do abastecimento, hortas, mantimentos e produtos alimentícios é um outro ponto importante de análise para quem deseja estudar a temática da "Alimentação e Instituições" [Quem quiser saber mais "rola" o feed para os dois últimos textos]. Então, segundo Arthur Vianna: "Nos fundos do edifício,  isto é, depois da lavanderia, encontra-se a Horta sobre um terreno vastíssimo,  que se prolonga até à avenida S. Jeronymo.  A horta é separada, por um muro monumental,  da mesma avenida, tendo ao centro um grande portão  architectual para a entrada dos vehiculos, mantimentos, etc. No terreno da Horta e junto ao muro monumental foram construídos dois commodos para empregados especialmente destinados à conservação da Horta e jardins"(1) Observem que a horta estava nos fundos do Instituto, após a lavanderia. A Instituição ...

A Cozinha do Instituto Gentil Bittencourt.

"Estávamos iniciando o jantar, às três horas. Aurinívea,  "a Vovó" _ a ledora do dia_, preparava-se para dar começo à meditação, e já  dissera, com a sua fala frágil  e rouca de velhinha,  a frase sacramental: _Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo! Que o santo nome de Deus seja Louvado! E nós gritáramos famintas o "assim seja"!. Já contávamos o bife, com as facas eternamente, incrivelmente cegas, quando Irmã Germana entrou, afobada e vermelha, cochichou em francês com a Irmã  do refeitório, ambas saíram andando entre as mesas espiando a cara da gente, de uma a uma (...)". (1) o Texto de hoje começa com um fragmento do romance " As três Marias", de Rachel de Queiroz, cuja história foi inspirada na época em que viveu no colégio interno da Imaculada Conceição,  nos anos de 1920, em Fortaleza. [Eu simplesmente amo de paixão esse livro 🤍] Uma das possibilidades de estudos à partir da temática da "Alimentação e Instituições" ...

A Cozinha do Instituto Gentil Bittencourt.

O texto de hoje também é uma dica [preciosa] de tema àqueles que desejam pesquisar sobre à História da Alimentação. As possibilidades de análise são inúmeras. Digo isso, porque hoje trago uma dessas inúmeras possibilidades de pesquisa: alimentação à partir das pesquisas em instituições.  Como assim Sidiana? Então, você pode pesquisar sobre alimentação/práticas alimentares em diversas instituições do Brasil e do Mundo ao longo da tempo. Práticas alimentares dentro do Exército, Marinha, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros, nos hospitais, em casas de repouso e nas escolas [de regime internato [especialmente as escolas/institutos mais antigos] e na atualidade temos as escolas de tempo integral, creches e as merendas nas escolas de período parcial. Perceberam as inúmeras possibilidades? Pois é, dentro desta perspectiva inauguro quadro quentinho por aqui: "Alimentação em instituições". E inauguro este novo quadro com dois documentos importantes para nós historia...