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O Jantar de Babette.

"O jantar de Babette".  "Babette dispusera uma fileira de velas no centro da mesa; as pequenas chamas lançaram um fulgor sobre os casacos e vestidos pretos e sobre o único uniforme escarlate, refletindo-se nos olhos claros e úmidos". (0)Foi então,  tudo milimetricamente pensado para o jantar em homenagem ao pastor. O general Loewenhielm, um pouco desconfiado de seu vinho, deu um gole, sobressaltou-se, ergueu o copo primeiro até o nariz e depois na altura dos olhos e o pousou atônito. "Isto é muito estranho!", pensou. "Amontillado! E o melhor amortizado que já provei em minha vida". (...) tomou uma colherada de sopa, depois uma segunda colherada, e baixou a colher.  "Isto é incrivelmente estranho!", disse de si para si. "Pois sem dúvida estou tomando sopa de tartaruga... e que sopa de tartaruga!".(1) o jantar começou com um belo Amontillado, o qual, segundo Gomensoro "Diz-se do xerez de cor  escura, mais seco e...

A Festa de Babette.

E hoje vamos "revisitar" uma das obras mais maravilhosas de todos os tempos e que inclusive já foi pauta dos meus textos, o livro "A Festa de Babette", de autoria da escritora dinamarquesa Karen Blixen, transformada no filme em 1987 e com direção de Gabriel Axel. A história se passa no século XIX, em um vilarejo na costa da Noruega, "um braço longo e estreito de mar entre montanhas altas -chamado Berlevaag". (1) Numa noite de tempestade duas respeitadas senhoras irmãs, filhas de um pastor contratam uma parisiense recém-chegada como cozinheira: Babette. A mulher em questão era uma fugitiva do massacre da Comuna de Paris ocorrido em maio de 1871. E assim, "Numa noite chuvosa de junho, em 1871, a corda da campainha da casa amarelo foi puxada violentamente três vezes. As donas da casa abriram a porta para uma mulher robusta, morena, mortalmente pálida, com um pacote no braço". Babette que "sabe cozinhar" logo "adquiriu a ap...

Belém, 406 anos.

O vídeo feito no ano de 1957 e que está disponível no Chicago Film Archives, nos permite com riqueza de detalhes visualizar a dinâmica de práticas comum na cidade de Belém nos idos de 1957 e que permanecem até os dias atuais. A venda de legumes e diversos outros produtos alimentícios no entorno do Ver-o-peso e adjacências. No filme é possível ver a venda de limão, pimenta, quiabo e jerimun. Uma realidade nos chama atenção, na banquinha da venda existe uma quantidade e diversidade "pequena" sendo vendida, mas, essa forma é muito comum até os dias de hoje, barracas que vendem apenas laranjas, mamão ou temperos como pimentas, chicória, cheiro-verde e outros. Notamos também que os produtos são aqueles bem consumidos no cotidiano das casas. E qual casa em Belém ou no Pará não tem limão? Quase impossível pra quem não come nada com pitiú, (em breve falaremos do pitiú) limão na casa de paraense é tão importante quanto a farinha de mandioca. O vendedor enrola u...

Bares em Belém.

Você sabia que Belém já teve Theatro Bar? E que eles estavam espalhados por vários locais da cidade? Alguns funcionaram por décadas e eram famosos pelos espetáculos que ofereciam? Não sabia? Então, vem comigo conhecer um pouco mais desta História! A partir da primeira metade do século XX, a cidade de Belém passa a ter um número significativo de bares, que de acordo com os anúncios de jornais ofereciam aos seus clientes divertimento, alimentação e bebidas. Um exemplo disso é o Bar Paraense, ele era conhecido também como Theatho Bar e funcionava na antiga Avenida Independência, hoje Magalhães Barata. O theatro-bar fazia parte do complexo da Fábrica de Cerveja Paraense. Era descrito como um “agradável centro de diversões”, que, em 9 de janeiro de 1910, realizava sua festa artística, qualificada como um “espectaculo” segundo se anunciava na Folha do Norte. De acordo com a propaganda, o programa era “organizado de fórma a attrahir para alli grande número de apreciad...

Botequins em Belém.

A cidade de Belém ao longo de sua história contou com muitos botequins espalhados pelas suas ruas. À primeira vista, quase sempre eram lugares associados ao consumo de bebidas, sendo espaços geralmente procurados com a finalidade de se beber algo, mas que também podiam ter comida. Os botequins eram espaços plurais. Nesse sentido, esta seria uma realidade comum em outros lugares do Brasil. Algranti, analisando o Rio de Janeiro para primeira metade do século XIX, enfatiza que os botequins eram locais onde “tradicionalmente ocorria à venda de bebidas alcoólicas, podendo ou não haver também comércio de comida”.(1) Em Belém, entretanto, se muitos botequins serviam vinho, cachaça e pedaços de peixe salgado, talvez sendo menos comum a venda e consumo da carne seca, entre outros produtos, havia também algumas tabernas e “botequins baratos das ruas João Alfredo e adjacentes” que vendiam açaí, conforme relato dos viajantes Godinho e Lindenberg.(...

Grande Hotel- Belém 406 anos.

"Entre os hotéis da capital paraense, um dos mais importantes, deixando marcas na memória de várias gerações como exemplo de uma cidade e urbanidade que não existe mais, era justamente o Grande Hotel, que foi construído em 1913 por Ricardo Salvador Fernandes de Mesquita". (1) " Em anúncio ainda datado de 1949, o Grande Hotel descrevia parte de suas instalações, sendo possível por meio dessas informações compreender sobre seu funcionamento. Dispunha então de “quarto para moradia”, o que indica moradores mais permanentes ou fixos, bem como “quarto de solteiro com banho” e “quarto de casal com banho” acompanhados de refeição. O hotel também recebia fregueses para as refeições e não apenas os hospedes. Ofertando Breakfast simples, Breakfast completo, almoços a “La Carte” e “Table d‟Hôte”.(2) Havia, então, no horário de almoço duas formas de serviço e, portanto, de consumo: uma seria a La Carte, quando o cliente escolhia por meio do card...

Mercados e Feiras: Belém 406 anos.

Não se pode, contudo, falar de Belém sem falar de seus mercados e feiras. Uma vez que, elas eram importantes espaços de comércio e de socialização a começar pelo próprio Ver-o-Peso. Tais espaços, pela movimentação e pela circulação de pessoas também foram espaços de intensa dinâmica dos mais variados tipos de vendas, comércio e sujeitos sociais que todos os dias frequentavam tais espaços. Segundo Pinto, por volta de1952, além do Ver-o-Peso, havia outras feiras espalhadas pela cidade: em Batista Campos; na Bandeira Branca; na Pedro Miranda e no Guamá, entre Silva Castro e Pedreirinha do Guamá. O Departamento Municipal de Agricultura e Feiras-Livres, por sua vez, comercializava produtos de diversas regiões do Pará, como aqueles oriundos da zona da Estrada de Ferro de Bragança.(1)Ainda de acordo com Pinto, na década de 1950, a Prefeitura administrava 11 mercados públicos em Belém: o Mercado de Ferro (no Ver-o-Peso); Santa Luzia; Porto do Sal; Batista Campos; Mar...