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Pupunha e as danças festivas dos uainumás.

Você sabia que o consumo da pupunha entre os uainumás era tão importante que eles faziam danças festivas quando os frutos da palmeira amadureciam? Segundo os viajantes Spix e Martius: " Os uainumás moram em grandes cabanas cônicas, onde estão dispostas duas portas pequenas, fronteiras uma a outra. Eles cultivam mandioca, mas pouca farinha fazem, quase exclusivamente só os beijus. Nas danças, enfeitam-se com profusão de penas. Essas danças festivas realizam- se em determinadas ocasiões: duas, quando amadurecem os frutos da palmeira pupunha, e oito quando as garças reais acarás, nos seus voos migratórios entre o Solimões e o Orenoco, aparecem nas suas águas. Faz-se então caça dessas aves aos milhares, assam-se em moquém e guardam-se como provisão ".(1) Importante observar que ambas as festividades estavam associadas a natureza e ao alimento que dela podiam obter. A pupunheira, em especial, permitia uma "colheita" farta, já que uma palmeira dava: "(...

Pupunha com café.

Se hoje é um hábito alimentar no extremo Norte do Brasil, o café com a pupunha, devemos isso aos povos originários que foram os responsáveis pela domesticação e cultivo da palmeira de pupunha. Se os indígenas não tivessem realizado esse processo, não teríamos a pupunha como um dos alimentos tão importante ao longo do nosso território. Desta forma, trago hoje um dos relatos mais completos sobre a pupunha, que foi escrito por Spix e Martius, no ano de 1817, quando de sua viagem de expedição Científica ao extremo Norte do Brasil. Os viajantes vieram ao Brasil junto com a comitiva oficial que acompanhou Maria Leopoldina da Áustria. Mas, já aqui no Brasil, partiram em viagem científica com objetivo de "coletar" espécimes de fauna e flora. Nesse trabalho, percorreram Rio de Janeiro, São Paulo, Ouro Preto e Diamantina, Salvador e por fim, na parte do extremo Norte do Brasil, a Capitania do Grão-Pará é Manaus. Levaram para Munique um acervo muito grande de espécimes zooló...

Doce de Pupunha.

E o doce de pupunhaem calda você conhece? Deixa eu te contar a história deste doce de pupunha na minha família. Mamãe sempre que era época de pupunha fazia esse doce, lembro do cheiro gostoso e de como ficava contando os minutos para esfriar e poder comer. E ele se tornou um hábito alimentar aqui na minha casa. Eu sempre faço também. A pupunha cozida em água e servida com café é uma das formas de consumo deste alimento ancestral. Mas, é apenas uma das formas. Da pupunha pode-se fazer doce em calda, licor,  mingau, com carne de panela, com mel. Aliás,  populações ancestrais foram responsáveis pela domesticação e cultivo da palmeira de pupunha. Também consumiam a  pupunha em mingaus, bebidas diversas e com mel. O consumo, portanto, como uma herança alimentar ancestral. Abgar Bastos, nos idos dos anos 80, do século XX, falava que a pupunha fazia parte dos lanches nos sitios e fazendas da região Amazônia. Segundo ele, "Nos lanches, o mesmo acima e pupu...

A pupunha e sua venda.

A pupunha pode ser encontrada para venda nas feiras e mercados. Entretanto, era/é parte da cultura alimentar em Belém, comprar pupunha cozida em tabuleiros pelas esquinas das ruas, e aliás, essa é um cena que compõem à vida da cidade de  Belém, ao longo do tempo. Alfredo, personagem de Dalcídio Jurandir, no início do século XX, ao andar pela cidade de Belém, vindo do interior, se encanta com a cidade. Deste modo o menino narra que: " Deveria fingir indiferença, mostrar que era menino habituado a ver Belém. Mas durou pouco essa prudente resolução. Deixou-se caminhar pela pracinha deserta, entregue ao seu deslumbramento. E livremente estaria pronto para exclamar de novo sobre o que visse, pedras da rua, o tequeteque com o seu armarinho às costas, tabuleiros de pupunha, quiosques, o que ia vendo, pela primeira vez, homens em bicicletas, colegiais, engraxates, meninos tão sozinhos, donos de seus pés, a apanhar bonde, e bichos, lojas, aqueles anúncios ah, grandes, por ci...

Pupunha.

A pupunha aparece em Santa Maria de Belém do Grão-Pará, de Dalcídio Jurandir: "(...) As quatro mulheres deliberaram. Libânia, entre partir lenha na cozinha e escutar o que conversavam, cadê sossego? Ia e vinha, sorrateira, disfarçada, comendo pupunha.(...)".(1) Ou seja, o "disfarçada comendo pupunha" era  "a deixa" para Libânia ouvir a conversa. Mas, é acima de tudo um uso que o autor faz de um hábito alimentar tão enraizado nas casas e nas famílias no Pará. A pupunha é um fruto que tem tamanhos,  cores e formato variáveis. As pupunhas [do video de ontem] eram em tons alaranjados, às pupunhas da fotografia de hoje, são verdes em vermelho/laranja e existem aquelas de casca vermelho-amarelo. De nome científico Bactris gasipaes Kunth, da família da Arecácea, é uma palmeira. Com variantes segundo Paulo Cavalcante "Guilielma speciosa Mart., G. gasipaes (Kunth) Bail., Bactris, speciosa (Mart.) Karst".(2) Ela pode ser encontrada em Trinida...

A Pupunha.

Estamos na época da pupunha.  Nas feiras e barracas, os cachos de pupunhas fazem gosto de ver. A safra da pupunha vai de novembro até junho e segundo Paulo Cavalcante: "O clímax da safra está nos meses de março e maio". (1) [Eu já falei da pupunha por aqui, vou deixar o link de outro texto nos stories]. Antônio Ladislau Monteiro Baena, fala em "Popunha: palmeira, que produz cachos de frutas com pequeno caroço umas, e outras sem ele. São oleosas, e come-se cozidas".(2) A pupunha era assim denominada por populações indígenas, que segundo Celestino Presco, seria uma derivação de "pipinha, de pipele,  pinha, brasa e, com efeito, os frutos desta variedade têm o epicarpo da cor de uma brasa".(3) E ainda, "A massa carnosa, amilácea e gordurosa, depois de cozida é muito gostosa e, por isso, este fruto é muito procurado pelas populações do Pará  e Manaus, que o usam como alimento. Estes frutos são vendidos já cozidos nas ruas de Belém e Manaus...

Vegetarianismo.

No texto anterior falei brevemente sobre como o vegetarianismo é um movimento antigo e de "raízes" profundas dentro das sociedades [ Se você quiser ler, volta um post].  O debate sobre o vegetarianismo ao longo do século XVIII, foi tema de inúmeras pautas e discussões dentro da sociedade, gerando associações e sociedades em prol do vegetarianismo. Como nos esclarecem Márcia Pimentel Magalhães & José Carlos de Oliveira, " No final do século XVIII ocorreu um movimento vegetariano promovido por médicos, comerciantes e escritores de religiões diversas e de estrutura econômica média".(1) Tal "movimento" permitiu em vários países da Europa, no século XIX e XX, o aparecimento de sociedades e associações veganistas. A exemplo, da The Vegetarian Society, em Northwood Villa, Ramsgate, Kent na Inglaterra, em 1847. (2) E ainda, "(...)a Sociedade Vegana em 1944. Donald Watson (1910- 2005) formou um grupo denominado “Grupo dos produtos não lácteos...