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Mantas de Pirarucu.

Na fotografia temos mantas de pirarucu. [E quem quiser saber um pouquinho mais sobre, rola o feed] A manta de peixe segundo Armando Mendes são: "(...) Peças Largas, sêcas ao sol. Póstas :  "Manta de pirarucú". (1) Às mantas são postas do pirarucu salgado que já estava  beneficiado para exportação. O processo de salgamento do pirarucu é descrito por José Veríssimo, em sua monografia intitulada "A Pesca na Amazônia", datada do final do século XIX. [Aliás, essa é uma leitura fundamental para os estudiosos do tema]. Segundo Veríssimo, "Abrem-no pelo peito e retalham-lhe longitudinalmente as costas, do tronco onde prende a cabeça á extremidade da cauda, e assim o reduzem a bandas ou mantas, como as do pirarucú ou do bacalháo . Ali mesmo as salgam e seccam, estendidas sobre a tolda, dependuradas de varas atravessadas entre os mastros, pendidas das enxarcias e cabos, nos bancos e bordas da embarcação , ao sol ardente daquelles climas".(2) Às ma...

Fazendo panquecas.

Te convido a dar um "zoom" junto comigo nesta pintura simplesmente fantástica do pintor holandês, Adriaan de Lelie, de 1810. A pintura, reproduz uma cena comum na Holanda, a fabricação de panquecas numa casa. Observem que toda a cena se passa na cozinha,quatro personagens compõem a tela. A mulher ao centro que está fazendo às panquecas, segurando ao fogo a panela com a panqueca que está cozinhando. À sua frente, temos uma outra vasilha, a qual, provavelmente está a massa das panquecas e uma chaleira. Atrás da mulher temos um senhor acendendo seu cachimbo, ainda é possível ver um abano de mexer o fogão à lenha pendurado, uma quadro de paisagem, uma frigideira pendurada na parede ao fundo e um porta pano. Por cima do fogão ainda é possível visualizar um bule e pratos decorando. Além de uma gaiola.  Uma mulher mais jovem acaba de entrar na cozinha e está falando com a fazedora de panquecas e um jovem está chegando na cozinha. Eles chegam atraídos pelo cheiro das pa...

O pescador de Pirarucú.

O Pescador do Pirarucu: Sujeito Social extremamente importante para manutenção do abastecimento do peixe tanto nos interiores quanto na capital, [personagem que faz parte de estudos e da literatura sobre a região]. Sem ele o comércio do pirarucu não alcançaria a importância que teve e ainda tem. É bom lembrar que os saberes envolvidos neste tipo de pesca foram herdados de povos originários. Segundo Veríssimo Pereira, "O PESCADOR de pirarucu é um tipo característico de trabalhador encontrado, com freqüência nas zonas (...) amazônicas da grande Região Norte. (...) No comêço da vazante (meados de agôsto), ou no início das enchentes (meados de novembro), êsse tipo de pescador concentra tôda a sua atividade na grande pesca fluvial e lacustre, a qual se realiza, na Amazônia, mediante processos puramente regionais. No "tempo da salga" ou verão, sobretudo durante os meses de setembro e outubro, para fins comerciais e industriais, êsse tipo de pescador tem por objetiv...

Pirarucú.

Dalcídio Jurandir, em seu livro "Primeira manhã", fala da manta de pirarucu: "Deixou ordem na “Lobato” para levar as coalhadas ao compadre, o Ex-Governador; ao dr. Gurgel, a manta de pirarucu, as pescadas em salmoura do Lago Arari".(1) Mas, você sabe o que é uma manta de Pirarucu? À manta de pirarucu é segundo Vicente Chermont de Miranda: " Carne ou peixe retalhado em tiras mui finas, mas largas é longas para poderem fixar suficientemente impregnadas de sal e assim conserva-se por muito tempo. Manta de Pirarucu, de jabá, etc". (2) A manta, portanto, como resultado de uma técnica que permite a durabilidade do peixe. Nesse sentido, importante dizer que a carne salgada rende cerca de um terço de seu peso quando fresca, ou seja, um pirarucu de 120 libras, seco da cerca de 40 libras de peixe. Avé-Lallemant informava, no século XIX, que a pesca da Amazônia chega a cerca de dois milhões de peixes por ano, grande parte é salgada e a outra consumida...

O pirarucu.

Você sabia que  e ntre os peixes que no século XIX mais "entravam" para consumo na capital da província, Belém, estava o pirarucu? E que o pirarucu era produto constante nas tabernas, feiras, mercados e vendas? Em um anúncio de 1852 encontramos entre os produtos considerados tipicamente regionais: “Pirarucú, carne seca, mapará em porção (...) tudo de boa qualidade em porção, se vende por cômodos preços na taberna de Manoel da Cunha Muniz na travessa Pelourinho”.(1) No armazém da Viúva Fernandes & filho encontramos para leilão no ano de 1858 havia para a venda: “uma partida de pirarucu de superior qualidade,”.(2)  [Já falei por aqui sobre o Pirarucu]. O abastecimento de peixe para consumo da capital fazia-se em larga escala contando com as mantas que  vinham dos interiores e dava-se de forma constante e cotidiana. O peixe diferentemente da carne que em alguns momentos era importada de outras províncias, o peixe salgado não tinha na importação de fora da pro...

Aturá.

Começo a semana com o quadro: "Glossário Pará da Alimentação", e hoje eu trago um utensílio essencial no dia-a-dia em muitas casas nos interiores da Amazônia. De herança indígena, o aturá já era descrito como sendo fabricado em diversos grupos indígenas ao longo da Amazônia. Seu uso primordial era/é para o transporte de coisas/alimentos, como a mandioca, por exemplo. Raimundo Morais nos descreve o Aturá como " Cesto em forma de paneiro, tecido de talas de guarumã ou jacitara, própria para conduzir coisas da roça para casa, sobretudo mandioca. Adicionam-lhe quatro varinhas exteriormente, e ao com- prido, a fim de lhe servir de pernas. Aturiá – (Drepanocarpus lunatis)". (1) Já  Armando Mendes, em seu livro "Vocabulário Amazônico" publicado em 1942, nos fala que o significado de Aturá é: " Cesto de talas, em fórma de balaio, usado no acondicionamento dos "terens" ., e instrumentos levados da roça para casa e vice-versa: serve ta...

A horta do Gentil Bittencourt.

Se observarmos com atenção a planta do Instituto Gentil Bittencourt, vemos que em 1906, a instituição tinha uma grande área da Horta. Falar do abastecimento, hortas, mantimentos e produtos alimentícios é um outro ponto importante de análise para quem deseja estudar a temática da "Alimentação e Instituições" [Quem quiser saber mais "rola" o feed para os dois últimos textos]. Então, segundo Arthur Vianna: "Nos fundos do edifício,  isto é, depois da lavanderia, encontra-se a Horta sobre um terreno vastíssimo,  que se prolonga até à avenida S. Jeronymo.  A horta é separada, por um muro monumental,  da mesma avenida, tendo ao centro um grande portão  architectual para a entrada dos vehiculos, mantimentos, etc. No terreno da Horta e junto ao muro monumental foram construídos dois commodos para empregados especialmente destinados à conservação da Horta e jardins"(1) Observem que a horta estava nos fundos do Instituto, após a lavanderia. A Instituição ...