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Hortas Suspensas.

E você? Já ouviu falar das hortas suspensas na Amazônia? Aqui na Amazônia, existem as hortas suspensas, que são feitas nos jiráus ou em cima de cascos velhos. Suspensas porque ou elas ficam sob a água como na fotografia, onde uma mulher vai até a sua horta suspensa de canoa ou ela fica pendurada no fundo das casas ribeirinhas nos jiraus, as hortas suspensas eram/são práticas comuns pela região. Nunes Pereira fala que a: "(...) bacia amazónica (...)não nos deu somente a "rede com que se embalaria o sono ou a volúpia do brasileiro" e "um grupo de animais amansados pelas suas mãos". Deu-nos, também, (...) Peixes do Vale amazónico, aves e mamíferos foram [pelas mulheres] (...) utilizados na alimentação dos seus filhos e dos seus companheiros [que] (...) adubando-os com as ervas por ela mesmo plantadas nas pequenas HORTAS-SUSPENSAS. - que são os seus jiráus ou cascos velhos de ubás - (...)".(1) Os temperos das hortas suspensas como de uso importante...

Receita Histórica dos dias das Mães.

Domingo das mães com receita histórica publicada na Revista Amazônia, na coluna intitulada Amazônia Feminina, para comemorar essa data tão especial que é o dia das mães. A receita de hoje que recebe o nome de "Uma sobremesa diferente" é daquelas receitas antigas que não levam leite condensado. E cuja base era feita com leite, ovos,trigo, manteiga, amêndoas e biscoito champanhe. A receita de hoje foi publicada em maio de 1955,  data alusiva ao dia das mães. Segue a receita: "Dissolva a fruo uma colher das de sopa de farinha de trigo, em um pouco de leite, complete com meio litro de leite frio, junte quatro gemas de ôvo, quatro ou cinco colheres de açúcar e faça cozinhar mexendo sempre, sem deixar ferver. O creme poderá ser perfumado com baunilha ou um pouco de açúcar queimado. Quando o creme estiver denso tire-o do figo, e junte, aos pouquinhos, 100 gramas de manteiga, sempre mexendo. Por fim, junte também 100 gramas de amêndoas sem pele e moídas. Tome agora...

Almôndegas de peixe boi?

Você sabia que um dos primeiros relatos sobre almôndegas no Brasil data do século XVIII? E que as almôndegas eram feitas com carne de peixe boi? Não sabia? Então, vem comigo conhecer mais essa história. Corria o ano de 1618, quando Ambrósio Fernandes Brandão, em seu livro "Diálogos das grandezas do Brasil" narra que: "Este pescado se toma e pesca às farpoadas pelos rios aonde desembocam os de água doce, e comido tem o mesmo sabor e gosto da carne de vaca, sem haver nenhuma diferença de uma cousa a outra, entanto que, se misturarem ambas as carnes em uma panela dificilmente se conhecerá uma da outra. E por este respeito se come este pescado cozido com couves, e se faz dele picados e almôndegas, com aproveitamento para tudo o de que se usa da carne de vaca, e algumas pessoas a dei para comer e lhes não disse o que era, e ficaram entendendo que comiam carne de vaca"(1). Importante observar da narrativa de Ambrósio é que da carne do peixe boi se faziam as...

É CARNAVAL.

Na pintura de Debret temos uma imagem do Carnaval  ou como era chamado no século XIX, de Dia d'entrudo. O dia d'entrudo que começava no domingo e seguia-se nos três dias gordos, era dia de festa em que os brincantes se jogavam "limões "cheios de água perfumada. A cena se passava no Rio de Janeiro, no ano de 1823. Segundo Debret: " O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-...

Pastellinhos à la Dame Fêlice.

Domingo com receita histórica? Temos sim. A receita histórica de hoje é de um livro que eu adoro:" A Arte de Cosinha", de João da Matta, que era cozinheiro e proprietário do GRAND HOTEL DU MATTA e do HOTEL JOÃO DA MATTA, em Lisboa, Portugal. O livro foi publicado no ano de 1876. João da Matta fez fama nas cozinhas portuguesas e tornou-se um dos maiores cozinheiros português do século XIX. (1) Através do seu livro, João da Matta nos permite observar como ao longo da História da Gastronomia as receitas apresentam aquilo que o historiador Carlo Ginzburg denominou de circularidade cultural. A receita de hoje são os "Pastellinhos à la Dame Fêlice" segue a receita: [Na transcrição da receita foi mantido a ortografia da época]. 📍"Pastellinhos à la Dame Fêlice". "Toma-se um pedaco de massa folhada e estende-se na grossura pouco mais ou menos de um pataco, e com um corta-massa de folha (com gomos) vão-se cortando rodellas do tamanho...

Pirão.

E hoje vamos de Glossário da Alimentação Paraense. E a palavra de hoje é PIRÃO. Na Amazônia,  segundo Raimundo Morais o pirão é " Farinha-d’água misturada com caldo de peixe ou carne para servir de pão."(1) Mas, também chamamos pirão aquela comida que comemos com muita farinha, por exemplo, -estás comendo um pirão de açaí! Dizemos isso toda vez que a pessoa colocou muita farinha no seu açaí e ficou um pirão. Como a farinha é um alimento cotidiano e muito consumido por aqui fazemos pirão de farinha no café,  no vinho de cupuaçu, no caldinho de feijão ou ainda um pirão de peixe. Os viajantes Spix e Martius quando estiveram nos arredores da vila Bittencourt,  no Amazonas, no ano de 1820, próximo ao povo indígena Miranhas, observou que: "ao anoitecer, voltaram eles, para serem banqueteados com enormes quantidades de bolos, pirão escuro de mandioca e gazelas cheias de cajiri de cocos de palmeira."(2) Fazer pirão com uma boa farinha é prática alimentar anc...

Marmelada de Mandioca.

E a marmelada de mandioca? Você já ouviu falar? Foi este o nome que Johann Nieuhof ouviu quando esteve no Brasil no século XVII [1640] para um doce feito com o caldo da mandioca. Segundo ele o doce era "delicioso" e aqui "Chamam-no marmelada de mandioca."(1) Ele descreve como era feito: "O caldo que escorre da mandioca prensada, deixado a decantar, produz(...) um depósito (...) Êsse caldo pode ser cozido até adquirir a consistência de uma papa que se pode comer ou usar para goma. Os portugueses adicionam a êsse ângu,  açúcar, arroz e água de flor de laranjeira preparando assim um doce delicioso. Chamam-no Marmelada de Mandioca."(2)Importante dizer que George Marcgrave em Historia Naturalis Brasiliae, escrito com Guilherme Piso, publicado em latim em 1648, também havia descrito a "Marmelada de mandioca", porém, na descrição dele a Marmelada de Mandioca era feita com caldo de mandioca adicionado apenas de arroz e açúcar. (2) Mas, se o d...