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Raspa-raspa, granizado? o raspa-raspa em Belém.

Você conhece o Granizado? Ou o raspa-raspa? Não!? Tenho certeza de quem mora em Belém conhece o raspa-raspa? Pois bem, o Granizado e o raspa-raspa são nomes diferentes de um produto semelhante. Você sabe a origem do raspa-raspa? Você sabia que uma provável origem da versão que conhecemos em Belém, seja em Baltimore, nos Estados Unidos? E que provavelmente tenha chegado em Belém devido às relações econômicas com os americanos e a produção de gelo? Então, vem comigo conhecer um pouquinho mais dessa História. Segundo Michelle Gienow, em “Cold Comfort: On the Cultural Significance of the Snowball in Baltimore”, o Granizado teria origem na década de 50, do século XIX,  quando desenvolveu-se uma indústria americana do gelo. O comércio das casas de gelo entre Nova York e a Flórida era constante e muito intensa. Para que esse gelo chegasse na Flórida era preciso transportá-lo em grandes blocos de trem. O trajeto passava por Baltimore, e lá as crianças desenvolveram uma prática ...

A Cozinha dos Terreiros: Riqueza Cultural.

Hildegardes Vianna em sua Breve Notícia sobre a Cozinha Baiana nos diz que: "A comida de candomblé é sempre na base do camarão seco e da cebola, havendo variações culinárias evidentes entre as diversas nações: queto, jejum, nagô e Angola, para falar nas principais. Nos candomblés negros, a  depender da nação,  há comidas com ou sem sal, com ou sem gengibre ou dandá etc. As comidas mais frequentes e mais populares nas mesas profanas têm no candomblé nomes diversos e muitas vezes preparo diferente".(1) Assim, o Caruru, "corresponde ao AMALÁ de Xangô. Recebe o nome de OBÉILÁ quando é feito de quiabos e EFÓ quando de folhas. Ambos são temperados com azeite-de-dendé, cebola, sal e camarão seco". (2) tem o Omulu,  "uma espécie de caruru chamado de LATIPÁ ou AMORI feito com folhas de mostarda aferventadas e escorridas na peneira, temperadas como efó com exceção do camarão seco. Depois de cozido e seco, frigese às colheradas no azeite-de-dendê. ...

"Alimento: Direito Sagrado".

Tat'etu Arabomi nos diz que:"Tudo começa e acaba com comida, tudo começa e acaba com cânticos, porque parece nós aqui os cânticos são primordiais, a gente canta para morrer, canta para nascer, canta para acordar de manhã, canta para dormir, tudo é cantado no candomblé (...) então essa é uma importância muito grande pra nós,  da alimentação,  de alimentar, de preparar essa comida, de comungar com essa comida, de distribuir essa comida para a comunidade". (1) Ao longo desta semana os textos tem sido falando do Caruru, que também é uma comida de santo. Nesse sentido, "o alimento é um direito sagrado" para povos e comunidades Tradicionais de Terreiros. A economia do Axé, tema de análise importante pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Comabte à Fome, através de Pesquisa Socioeconômica e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros possibilitou um entendimento amplo sobre a economia do axé, os terreiros como fonte de segurança alimentar...

A lasanha.

Você sabia que a lasanha é tão antiga que já era consumida na época do Império Romano? E que ela podia ser recheada com peixes? E que usava-se caldo grosso entre as camadas? E que na Antiguidade já se falava em lasanha verde preparada com farinha e alface? E ainda, que a massa às vezes era frita em óleo? Vamos conhecer um pouquinho sobre a lasanha? No livro, "De re Coquinaria' de Marcos Gavius Apicius, datado do século I a. C, aparece um prato denominado de "lasana" ou "lasanum" que era elaborado com folhas de massa. Nesse livro, " encontramos o lagane cozinhado de forma a transformá-los (...) Eles são, na verdade, compostos por camadas alternadas de carne e peixe, picada, cozida e temperada e com camadas de massa folhada: "Quotquot posueris, tot trullas impensae desuper adficies" (quantas folhas colocar, quantas conchas jogadas em cima do tempero). Citando literalmente, " Le lasagne di Apicio Nel IV Libro del De re coquinari...

As primeiras máquinas de macarrão.

E de quando datam as primeiras máquinas de fazer macarrão? E sua produção industrial? Segundo Del Cielo, podemos entender que na Europa  essa produção industrial já seria visível "(...) a partir do século XVII, com o desenvolvimento de máquinas como o  torchio —  uma prensa mecânica para fazer macarrão ou aletria".(1) E ainda, o cientista francês Paul-Jacques Malouin foi o  responsável por importar técnicas de produção do macarrão de Nápoles para Paris, " (...) incluindo a amassadeira e uma espécie de prensa de parafuso para macarrão".Del Cielo descreve ainda o funcionamento da gravura de um livro publicado por Paul-Jacques Malouin, no ano de 1767, onde  "podemos ver um operador sentado em uma barra (A) se movendo para cima e para baixo amassando a massa (B). Esse processo levava 2 horas para ser finalizado. Depois de amassado, o preparo era colocado em um cilindro comprimido por um parafuso (C). A prensa era girada usando um sistema de...

Manuel Querino, a Arte da Culinária Baiana e Pedro Archanjo.

"Pedro Archanjo foi completamente absorvido pelas comemorações de seus cinquenta anos: sucessão ininterrupta de carurus, “dona Fernanda e seu Mané Lima mandam convidar o senhor para o caruru que dão no domingo pra seu Archanjo”, de batucadas, rodas de samba, encontros, reuniões, comilanças e pileques, todos queriam celebrá-lo. Mestre Archanjo mergulhou por inteiro naquele mar de cachaça, bailes e mulheres, no maior entusiasmo. Parecia querer recuperar de um golpe o tempo gasto, durante tantos anos, no estudo, no preparo do livro. Com fome e sede de vida, num desparrame de energia, era visto em toda parte, apareceu em lugares onde não voltara desde a juventude, reviu paisagens e refez itinerários esquecidos". (1) O personagem de Jorge Amado, Pedro Archanjo do livro Tenda dos Milagres, foi inspirado em Manuel Querino e como nos fala o historiador João José Reis, " (...) Pedro Archanjo resultaria de uma operação mais complicada. Amado dec...

Quem comia macarrão?

Afinal, o macarrão era um alimento acessível para todos? Nossa série de textos sobre o macarrão continua e pra quem ainda não leu nenhum dos textos é só voltar uns post do feed que você vai encontrar a sequência de todos os textos sobre macarrão. Tenho certeza que vais gostar. Bem, até o século XII, o macarrão é considerado um artigo de luxo e de consumo das classes mais abastados. Segundo Françoise Desportes, o macarrão não se tornará "popular antes do século XVII". Sendo antes disso "(...) um alimento, se não de luxo, pelo menos de qualidade, reservado aos consumidores mais abastados". (1) Na gravura italiana, do século XIV, temos duas mulheres na preparação do macarrão. A primeira, da direita está amassando o macarrão numa mesa, enquanto a segunda mulher está "pendurando" para secar tiras de aletria em uma prateleira própria para essa função. Percebam que a aletria é bem fina, posteriormente os fios ficam mais grossos e chegam ao formato que...