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Castanha-do -Pará.

A castanha do Pará, tradicionalmente e historicamente conhecida por esse nome desde os primeiros relatos sobre esse tipo de castanha foi-lhe dada o nome de Castanha-do-Pará,  ela era inclusive  exportada com essa denominação desde o século XVIII. Segundo o viajante Kidder, quando de viagem pelo Pará, no século XIX,  a castanha do Pará era verdadeiramente deliciosa. Em minha dissertação de mestrado (1), em que analiso vários dos produtos de abastecimento e exportação do Pará, a castanha aparecia como um dos mais importantes produtos alimentares de origem extrativista, no tocante ao consumo local. Em 1859, outro viajante, o Avé-Lallemant exaltava que: "As castanhas são nozes triangulares (...) Extrai-se delas também um óleo excelente, como fa por exemplo na cidade do Pará o vice-consul suíço (...) que mandou vir para isso uma pequena máquina a vapor". (2) Mas, é importante e fundamental dizer que esse tipo de castanha não era encontrado apenas no Pará. Segundo R...

Maniçoba, patrimônio cultural de natureza imaterial do Pará.

A maniçoba, prato típico paraense muito consumido no Círio, em festas de arraiais, em casamentos, batizados, aniversários e várias das festas familiares em Belém se tornou patrimônio cultural de natureza imaterial pela Lei nº 9.601/2022, a regulamentação foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Pará no mês de maio. E sancionada pelo governador do Estado do Pará,  em 2 de junho de 2022. Você sabia que para um prato se torna patrimônio cultural de natureza imaterial tem que ser levado em consideração a historicidade desse prato? E que o historiador da alimentação tem papel importante nesse inventário? Desde 2009, eu estudo a maniçoba e o pato no tucupi.( O pato no tucupi também virou patrimônio cultural de natureza imaterial, aliás, o texto de amanhã será sobre ele). Mas, você sabe o que é a Maniçoba? Em minha tese eu abordo a historicidade deste prato que é ancestral e que é um dos alimentos indispensáveis no Almoço do Círio.(1) Então,  ...

Restaurante Miralha.

O que fazia sucesso na praça gastronômica em Belém no ano de 1987? E você sabia que já haviam restaurantes que ofereciam Karaoke para seus Fregueses? Segundo a Revista Estudio:Revista do artista paraense, do ano de 1987, que trazia matéria intitulada "Roteiro do Lazer em Belém" um dos restaurantes que fazia sucesso era o Restaurante Miralha, o qual, oferecia serviço de Bar-Restaurante-Karaokê-Lava jato, localizado na Av. Doca de Souza Franco número 194, o Miralha era aberto 24 horas todos os dias e especializado em "comida japonesa na chapa". Com " destaque para os pastéis de Guiosa e a Yaksoba". (1) Nas sextas-feiras e sábados ainda era possível soltar a voz, no Karoakê. Além da música ao vivo. . . . 💬 E você chegou a comer esses pastéis e a Yaksoba do restaurante Miralha? Cantou no Karoakê? Me conta! . . . 📚✍️🏽 Referências. 📸(1) Revista Estudio:a revista do artista paraense. 1987. In: http://www.fcp.pa.gov.br/obrasraras/estudio 

A Caferana [parte II]

A Caferana também é  chamada de falso-guaraná pela semelhança das suas folhas, algumas pessoas plantam Caferana achando que é guaraná dada a semelhança. Hoje compartilho com vocês um pouquinho mais da pesquisa do Botânico Paulo Bezerra Cavalcante, do Museu Paraense Emílio Goeldi. Paulo Cavalcante, nos permite conhecer vários dos frutos comestíveis da Amazônia, a partir de sua magnífica pesquisa desenvolvida na década de 70, do século XX. A pesquisa é tida como conhecimento único e nas palavras de Pedro Lisboa, especialmente, no que tange ao "patrimônio vegetal das frutas comestíveis da exuberante hileia amazônica, repercutindo, não só no meio científico, como também em toda a comunidade nacional". (1)E ainda: "O autor dedicou especial atenção às frutas silvestres, pouco conhecidas, ou totalmente ignoradas pelo citadino, o que resultou nas 176 espécies apresentadas" na edição de 1988. (2) O trabalho de Paulo Cavalcante é um trabalh...

Caferana.

E a Caferana tu conheces? Também chamada por aqui pelo Pará de marmelo ou Ciruela, Ameixa Braba, Caramela, Ameixa-do-Pará. É uma da fruta de nome científico de Bunchosia glandulosa (Cav), de origem americana. Com cultivo em todo a América do Sul. É segundo o grande pesquisador Paulo B. Cavalcante um "Arbusto ou pequena árvore em torno de 12 cm de altura, iniciando a floração e frutificação entre 1,5-2 m;tronco baixo, às vezes dividido desde o • do solo, em 2,3 ou 4 troncos, formando, uma copa bastante espalhada, ramos jovens verdes copiosamente lenticelosos".(1) E ainda, "Na região amazônica é, algumas vezes, cultivada em quintais ou em logradouros públicos sendo, contudo, mais comum, no estado espontâneo em lugares de antigas habitações invadidos pela capoeira ou mata secundária".(2) Uma árvore que é muito comum de ser encontrada nos quintais amazônicos a frutinha é muito apreciada. . . . 💬 To be continued... . . . 📚✍️🏽 Referência...

A Feira.

Vocês já observaram à importância social da Feira? A Feira vai muito além do seu caráter de abastecimento e econômico. Ela é acima de tudo local de relações de sociabilidades construídas por anos afins. E tais relações justificam a ida a Feira semanal de muitas pessoas. Às vezes, ouvimos alguém dizer " a mamãe/papai; vovô/vovó fazem questão de ir a feira". Isso porque, ir a Feira é muito mais do que comprar alimentos. Geralmente entre feirante e freguês são estabelecidos ao longo dos anos códigos sociais. Às vezes, o/a feirante conhece toda a família do freguês/freguesa e vice-versa, e a compra é ricamente acompanhada de saber notícias da família, de falar sobre os acontecimentos cotidianos e também de assuntos diversos. Por isso, gosto tanto do trabalho de Dias Jr., sobre a feira e suas diversas possibilidades de leituras. Segundo o autor, as " relações de sociabilidade são diversas entre os feirantes e os frequentadores da feira (......

Beijucica ou beijuchica

No vídeo, temos o beijucica ou beijuchica, um dos preferidos para tomar  café num lanche da tarde em Belém. É um hábito alimentar mestiço e que segundo Mário Ypiranga Monteiro: "BEIJU com café (almoçando, almôço ou merenda) muito comum entre as populações caboclas e mesmo citadinas". (1) Aqui em casa, sempre compro na Feira, aos finais de semana, passo em cada beiju, uma "camada" de manteiga e levo uns 10 minutinhos ao forno. É simplesmente espetacular; acompanhado de uma xícara de café puro ou com leite uma delícia. Impossível não lembrar da narrativa de  Dalcídio Jurandir, em que Libânia passeava com Alfredo pelo Ver-o-Peso. "Virou, mexeu, e Libânia recebia um oferecimento. — Servida? “Bom proveito” ela poderia dizer mas não, seria dar entrada àquele apresentado. — Mas se sirva, faço questão, insistia o rapaz diante dos beijus no tabuleiro. Libânia desviava o rosto, queixo duro, seus olhos molhados de peix...